O Esquadrão Suicida | Esse “O” que faz a diferença


Apontar simplesmente que O Esquadrão Suicida é o mais interessante filme da DC desde sua tentativa de universo compartilhado seria pouco diante de todo “contexto histórico” ligado à produção. Mas antes de qualquer coisa é bom deixar claro que o “O” no começo do título mostra que estamos falando do mesmo desastre de 2016, mas com algo a mais. Talvez esse “algo a mais” seja o James Gunn.

O mesmo James Gunn que deu personalidade ao Universo Marvel nos cinemas com seus Guardiões da Galáxia. O tal “contexto histórico” começa aí e passa por algumas mensagens de mal gosto no Twitter em um passado esquecido do cineasta, mas um passado que foi “lembrado” por opositores ideológicos do diretor em meio à campanha para presidência do Estados Unidos. A reação da Disney foi demitir Gunn mesmo já durante a pré-produção do terceiro Guardiões da Galáxia.

As desculpas oficiais de Gunn deixaram claro realmente que aquelas mensagens tinham ficado no passado de um artista provocador, mas sem sensibilidade das consequências. Mas antes da Disney voltar atrás, a Warner/DC deu a Gunn a oportunidade revitalizar a marca Esquadrão Suicida. A missão parecia fácil, dados o currículo do diretor, e ele não decepcionou ninguém que criou expectativa.

O Esquadrão Suicida é uma experiência divertida, colorida, maluca, violenta, cheia de ação e que não se leva a sério nem por um segundo sequer. Isso tudo ao mesmo tempo que tem um coração enorme e personagens que conquistarão os fãs desde a primeira cena. Obviamente estamos falando da Força Tarefa  X, então é melhor não se apegar a ninguém.

A premissa é a mesma, no submundo do poder do DCEU está a líder e organizadora da equipe, Amanda Waller, mais uma vez vivida pela sempre incrível Viola Davis. Waller mais uma vez junta um grupo de vilões de segunda para uma missão que parece não ter muita esperança de volta. Nesse caso a invasão de uma nação em algum lugar da “América espanhola” onde um ditador tomou o poder.

Não demora muito para Gunn deixar clara sua assinatura, o bom humor na apresentação da equipe é delicioso e a escolha de personagens é um deleite de maluquice. O diálogo dentro do avião é hilariante e é perfeitamente construído para delinear bem todo e qualquer detalhe dessa nova equipe. O visual segue a mesma novidade, colorido, extravagante, divertido e pronto para mostrar o quanto os super-heróis podem ser ridículos em ação.

Mas como é de se esperar, não se apegue a ninguém, Gunn está realmente interessado na ideia de que o Esquadrão Suicida é “suicida”. A sensação de que nenhuma daqueles personagens está salvo dá realmente uma camada de emoção ao filme, mesmo quando fica claro que o grupo de protagonistas está “realmente” formado e você poderá acompanhar eles nessa aventura que acerta na simplicidade, mas se estrutura no imprevisível.

Gunn sabe o quanto é importante aplicar essa imprevisibilidade tanto nas ações e na trama, quanto nos personagens. Por mais que tudo seja simples e fácil de acompanhar, nada é o que parece. São as pequenas surpresas que movem esses heróis de modo hilariantemente surpreendente. Não se levar a sério passa então por colocar seus protagonistas em situações ridículas, mas ao mesmo tempo que testam suas habilidades de modo divertido. Cada um dos integrantes da Força Tarefa X tem espaço para demonstrar o quanto seu poder, por mais bizarro que seja, funciona perfeitamente para aquela missão. Gunn equilibra perfeitamente bem a dinâmica entre uma boa história sendo contada e suas peças se movendo por esse tabuleiro de um modo que o espectador não imagina.

É essa ideia de surpresa dinâmica que também marca a personalidade desses vilões com a responsabilidade de salvarem o dia. Fugindo dos clichês através do humor, esses heróis têm corações enormes, mesmo que eles não estejam no lugar esperado. O monstro assassino é carente. O assassino não tem uma história má contada com a filha, mas sabe que precisa fazer o certo. Um psicopata quer a paz do mundo, o outro a paz dentro da própria cabeça, mas ambos são exemplos coloridos e extravagantes daquele tipo de bandido de segunda de algum super-herói qualquer. Já escorregando nos spoilers, a Arlequina… bom, ela continua sendo a Arlequina em toda sua violência, pureza, delicadeza e maluquice.

Sobre a violência, ela é um capítulo à parte. Do mundo lúdico, fantasioso e florido da Arlequina, até uma vontade enorme de apelar para cada gota de sangue, membro decepado, cabeça explodida, corpo dilacerado, corpo cortado ao meio, corpo engolido e tudo mais que você puder imaginar. Gunn se diverte com a violência e faz com que o espectador se divirta ainda mais com isso. A contagem de corpos de O Esquadrão Suicida pode ser colocada no topo do ranking dos melhores filmes de brucutus dos anos 80 e 90.

E é exatamente isso que é O Esquadrão Suicida: um filme brucutu violento. Gunn empresta o visual e o bom humor, enquanto o elenco inteiro cai como uma luva e se mostra incrivelmente à vontade em todos papeis, mas papeis que caberiam em algum filme obscuro onde um cara musculoso e armado até os dentes mata metade de uma nação de bandidos.  Tudo isso coroado com um inimigo que, mesmo tendo uma “importância enorme” dentro das HQs (foi o primeiro inimigo da Liga da Justiça!), é ridículo. Um “ridículo” divertido e perfeito para essa remodelação de uma ideia que tinha sido um desastre, mas agora se tornou a melhor delas.

Um “ridículo divertido” que é a assinatura de O Esquadrão Suicida assim como também é o “modus operandi” de James Gunn, que logo mais deve voltar a controlar os Guardiões da Galáxia e ainda, muito provavelmente, pode acabar assinando um outro filme da Força Tarefa X, com mais personagens a serem sacrificados para a diversão dos fãs.

As polêmicas vêm e vão, algumas delas são arrumadas pelo bom senso. Sorte dos fãs, que poderão curtir um “felizes para sempre” onde James Gunn poderá continuar contando suas boas histórias com seus maravilhosos personagens.


“The Suicide Squad” (EUA, 2021); escrito e dirigido por James Gunn; com Michael Rooker, Viola Davis, Joel Kinnaman, Nathan Fillion, Jai Courtney, Flula Borg, Mayling Ng, Pete Davidson, Sean Gunn (voz), Margot Robbie, Idris Elba, John Cena, Daniela Melchior, Sylvster Stallone (voz), Alice Braga e Peter Capaldi


Trailer do Filme – O Esquadrão Suicida

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