O Cuco e o Burro

O Cuco e o Burro Filme

Qualquer humor sobrevive de sutilezas, e ainda que seja um tombo ou uma torta na cara, é o momento sutil e surpreendente que precede a ação que provoca o riso incondicional. E o mesmo se dá quando o assuntoposts é o “humor negro”, objetivo óbvio do alemão O Cuco e o Burro. Ainda que ele perca a mão.

Nele, um produtor de TV é sequestrado pela família de um pseudo roteirista de um texto que foi recusado várias e várias vezes por seu canal. A dinâmica é simples: ou ele morre, ou ajuda o sequestrador a reescrever o roteiro de modo a formatá-lo de um jeito a ser aceito dentro da produtora e se tranformar em um filme.

Uma situação tão bizarra que automaticamente leva todos a diversão dessa situação inusitada. Um esforço em arrancar risos de situações absurdas e violentas (físicas e psicologicamente falando) que fazem o cinema embarcar na encruzilhada em que o protagonista se encontra. Uma simpatia que dura pouco e se esvai junto com a propensa diversão que o filme prometia.

Aos poucos a vítima daquela situação passa a continuar mantendo uma personalidade com muito menos escrupulos necessários para que alguém torça por ele. E não só ele, do outro lado, o sequestrador e sua família se perdem em uma insanidade que sai do campo do engraçadinho e chega muito fácil em um drama um pouco pesado demais para o clima que o filme parecia pretender chegar.

O Cuco e o Burro Crítica

Sai de lado o cara meio louco que sequestrou o produtor e se deixa entrar em cena alguém triste e frustrado pela própria inabilidade de conviver em sociedade. Assim como a irmã, facilmente manipulada e se transformando em uma deprimente mulher movida por uma paixão distorcida que acaba em lágrimas aterradoras. No topo disso, o patriarca da família, que talvez seja o único a manter o esperado, ainda que isso signifique ser um velho cruel, sádico e puído pela dor melancólica de um passado violento.

É lógico que ainda assim durante todo o filme é fácil se pegar dando algumas risadas vez ou outra, principalmente com o velho e sua raiva da Alemanha, mas o que resta no final das contas é muito mais um clima trágico deprimente do que um humor ácido e irônico (combustíveis para o humor negro).

E ainda que O Cuco e o Burro feche tudo isso em um tom farsesco e bem humorado, o estrago já está feito bem antes dele chegar a essa conclusão e a torta na cara ou o tombo já tenham se transformado em lágrimas e tristeza. E ninguém quer sair de dentro do cinema triste depoi de ver uma comédia.


“De Kuckuck un der Esel” (Ale, 2014), escrito por Andreas Arnstedt e Horst Fichte, dirigido por Andreas Arnstedt, com Gertie Honeck, Ralf Lindermann, Thilo Prothmann, Marie Schoneburg, Joost Siedhoff, Jan Henrik Stahlberg


Trailer – O Cuco e o Burro

*CinemAqui foi convidado pelo Cine Roxy para cobrir a Itinerância
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