O Cavaleiro Solitário

O Cavaleiro Solitário

Por mais que no Brasil tenha sido conhecido (de modo bizarro e errôneo) como Zorro, todos conhecem o parceiro índio Tonto, gritaram “Aiô Silver!” em algum momento de suas vidas, se empolgaram com o tema original e reconhecem a figura do velho-oeste de O Cavaleiro Solitário Posterroupa azul, chapéu branco e máscara. E essa fama é maior ainda fora daqui e, logica e principalmente, nos Estados Unidos, onde o Cavaleiro Solitário foi criado (tanto o programa de rádio quanto o a série de TV, ambos os sucessos). Portanto era questão de tempo que esse ícone da cultura pop ganhasse uma nova versão nos cinemas. Assim como parecia barbada seu sucesso. Parecia.

O projeto caiu então nas mãos de uma trinca que parecia infalível. Lá em cima o dinheiro da Disney bancando tudo, no meio do caminho o produtor Jerry Bruckheimer e o diretor Gore Verbinski, e na outra ponta o astro Johnny Depp. Quase como uma continuação do sucesso “Piratas do Caribe”, onde os mesmos talentos teriam um novo mundo fantástico à desbravar. O problema é que as semelhanças acabam nesse momento.

O engraçado é que todos acabam fazendo seus trabalhos com perfeição, com a Disney e o produtor criando um enorme mundo, com cenários descomunais, um visual marcante e cheio de estilo, Verbinski em mais um trabalho medianamente perfeito e Depp personificando um Tonto cheio de nuances e caretas que tornam todas suas aparições divertidas. Mas realmente ninguém entrará no cinema em busca disso, mas sim do cavaleiro em si, e nesse momento tudo desaba.

Ainda que obviamente o filme ao se colocar como um “begins” do herói não esconda que precisará perder tempo com essa gênese, o roteiro do trio Justin Haythe, Ted Elliot e Terry Rossio perde tempo demais contando esse prólogo onde o advogado, vivido por Armie Hammer, chega à essa cidadezinha com cara de filme de faroeste clássico onde o irmão é um corajoso Texas Ranger e acaba caindo em uma emboscada junto dele e de seus homens. Mas o advogado acaba se tornando o único sobrevivente, e, junto do índio Tonto, vão então em busca de vingança. E isso não é spoiler, já que todos os trailers mostraram isso exaustivamente, a diferença é que fizeram um trabalho muito mais interessante em 30 segundo do que o filme em 30 minutos.

O Cavaleiro Solitário Filme

Durante tempo demais o espectador é obrigado a acompanhar esse advogado da cidade grande completamente idiotizado, que chega à história pregando uma irreal aversão a armas (e que torna pouquíssimo inteligente ele sair atrás de um bando de foras-da-lei sem um revolver), pior ainda, abrindo tudo com uma sequência enorme demais em um trem com direito a descarrilamento, pessoas voando e final mentiroso demais para que as pessoas dentro do cinema aceitem bem o que vai acontecer na sequencia. Ironicamente, algo bem diferente desse clima criado em um primeiro momento, o que deixa o clima esquizofrênico e cansativo.

E isso acontece junto de uma total ausência de foco em se tratando de humor, ora O Cavaleiro Solitário parece apostar no humor, nas situações exageradas, na prostituta sem perna vivida por Helen Bonhan Carter e no capanga cross-dresser, na repetitiva piada sobre a máscara do herói e nas maluquices do cavalo Silver para, na sequencia, apostar em um vilão deformado comedor de coração, coadjuvantes se sacrificando contra índios e um flashback pesado para contar a história e a motivação do índio Tonto. Como se Verbinski não permitisse que ninguém no cinema risse demais ou leve aquilo tudo á sério em excesso. Não percebendo que, realmente, com máscaras e cavalos subindo em árvores, a chave para o sucesso sem dúvida nenhuma estava na falta de compromisso (coincidentemente lição que Verbinski parece não ter conseguido trazer de sua experiência em Piratas do Caribe).

Por um segundo não é ruim O Cavaleiro Solitário soar como uma grande brincadeira, mas do momento que isso se esvai entre um vai-e-vem temporal (a história é contada por um velho Tonto) completamente sem necessidade e sobra uma história polida demais e óbvia, que parece ser muito menor do que imagina ser, o que sobra é um filme longo demais e chato. Que demora demais para chegar a divertida sequencia final onde a trilha clássica começa a tocar e o filme ganha uma vitalidade que, pelo menos ajuda com que os últimos momentos dele não sejam melancólicos e chatos como a cena do índio Tonto, já velho, andando pelo deserto (voltando para casa).

Muito pouco diante tanto das possibilidades quanto das expectativas, principalmente quando se percebe que o filme divertido estava para começar no exato momento em que ele acaba, o que não chega nem perto de fazer o resto valha a pena.


The Longe Ranger, escrito por Justin Haythe, Ted Elliot e Terry Rossio, dirigido por Gore Verbinski, com Johnnt Depp, Armie Hammer, William Fichtner, Tom Wilkinson, Helena Bonham Carter e James Badge Dale


Confira o trailer de O Cavaleiro Solitário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.