Noite de Ano Novo

Para quem não sabe, Gary Marshall é aquele mesmo diretor de Uma Linda Mulher e que, depois disso, se especializou em comédias românticas, de lá para cá, são duas décadas e só agora Marshall parece ter se entediado com essa fórmula toda que enlata o gênero, a solução: ao invés de perder 90 minutos com uma história, por que não perder 120 e contar um punhado delas. Em Idas e Vindas do Amor ele já seguiu essa fórmula e agora, em Noite de Ano Novo vai na mesma toada, doa a quem doer.

O problema maior de ambos é que, de modo estabanado e sem coerência (talvez Idas e Vindas saia ganhando nesse quesito, já que é menos refém de uma situação) a enorme maioria das histórias desse mosaico de multi-narrativas não tem força suficiente para serem contadas e acabam se perdendo dentro de um panorama maior.

Noite de Ano Novo acaba então sendo uma tentativa desgastante de mostrar várias histórias que acontecem nesse último dia do ano em Nova York, mais que isso ainda, Noite de Ano Novo ainda acabe sendo uma homenagem descontrola à grande maçã e ao “american way of life”. Portanto, boa parte dos espectadores de fora dos Estados Unidos se divertirão com toda tradição que envolve a trama, o globo de luz na Times Square, o beijo à meia noite, Bon Jovi, Ryan Seacrest etc., esse monte de propriedades yankees que pouco representam para o resto do mundo.

Não que isso seja um defeito, até por que o filme é claramente feito para consumo do mercado interno dos Estados Unidos, mas essa presunção acaba irritando um pouco, ainda mais quando nenhuma sub-trama consegue chamar a atenção de verdade em Noite de Ano Novo.

De um lado, Hilary Swank é a responsável pela festa nas ruas de Nova York e tem que resolver todos problemas antes da meia noite e ainda ir para um encontro importante; Jessica Biel e Seth Meyers são um casal de pais prestes a ter o primeiro filho, mas que entram em uma corrida contra o tempo para serem os primeiros do ano; Katherine Heigl é uma chef de cozinha que tem que cuidar de uma festa de fim de ano enquanto dá de cara com o ex-namorado/pop star vivido por Jon Bom Jovi; Robert De Niro é um paciente em estado terminal que só quer ver o tal globo pela última vez; Ashton Kutcher e Lea Michele estão presos em um elevador e Sarah Jessica Parker tem que colocar a filha adolescente, Abigail Breslin (aquela mesma de Pequena Miss Sunshine), nas rédeas (ufa! Será que esqueci alguma?). Resumindo, idas e vinda de réveillon.

O elenco é realmente estelar, e para cada protagonista desses há ainda um punhado de coadjuvantes bem conhecidos, mas todos com uma coisa em comum (tirando De Niro), ninguém nem bem consegue segurar um filme solo (pelo menos não nos últimos tempos), e nesse quesito, a única história que realmente vale a pena ser contada, não coincidentemente, é estrelada por Michelle Pfeiffer e Zac Efron (falem o que quiser, Efron até agora vem se mostrando uma surpresa agradável em seus trabalhos pós-High School), mais curioso ainda, é também a única que não precisa de nenhuma outra história para se completar, nela, Pfeiffer (fingindo ser feia e estabanada) é uma secretária que resolve completar sua lista de “coisas a serem feitas” do ano passado e tem a ajuda de Efron, um entregador de sua empresa. A história é simpática, sensível e inesperada, mas infelizmente nem enche o buraco dente para quem tem fome de ver um filme realmente romântico.

Essa discrepância de profundidade faz então que muitas histórias acabem relegadas a quase nenhuma importância e, não poucas, terminem meio esquecidas durante a maior parte do filme (até por que muitas delas têm pouco a mostrar, como é o caso da mesma envolvendo Heigl e Bon Jovi), o resultado disso é uma falta de ritmo que incomoda um pouco e faz o filme, em muitos momentos, cansar um pouco, já que o dinamismo dos primeiros minutos, onde tudo é apresentado e cria ainda um saudável jogo onde o espectador pode tentar adivinhar qual a relação entre os personagens e aonde aquela trama chegará.

Noite de Ano-Novo começa fresco e até divertido, mas aos poucos, principalmente quando ruma para o óbvio (e não são poucas vezes), acaba chateando quem quer ser, pelo menos, um pouco surpreendido.

Mas não há como negar que Noite de Ano-Novo é um exercício de felicidade (o que afasta ainda mais a história de De Niro, um pouco melancólica e triste demais, quebrando demais o ritmo), já que todos estão ou estarão felizes ao final do filme, e dado as mesmas pretensões de Idas e Vinda do Amor, não fede nem cheira e deve passar despercebido e descartável para a platéia que decidir encarar essa comédia romântica sem muitas esperanças de algo maior.


New Years Eve (EUA, 2011), dirigido por Garry Marshall, escrito por Katherine Fugate, com Michelle Pfeiffer, Zac Efron, Robert De Niro, Hale Berry, Jessica Biel, Seth Meyers, Sarah Paulson, Til Schweiger, Carla Gugino, Sofia Vergara, Asthon Kutcher, Katherine Heigl, Jon Bon Jovi, Lea Michele, Sarah Jessica Parker, Abigail Breslin, Josh Duhamel, Hilary Swank, Lucacris e Hector Elizondo

 

 

 

 

 


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