Não Tenha Medo do Escuro

por Vinicius Carlos Vieira em 25 de Outubro de 2011

Não Tenha Medo do Escuro É realmente difícil entender onde Não Tenha Medo do Escuro quer chegar, se em um suspense, um terror ou simplesmente em um remédio para insônia, e nem o nome do mais que interessante Guillermo Del Toro (de O Labirinto do Fauno) como produtor (função que já tinha exercido no contundente O Orfanato), salva um segundo sequer do filme.

Nele, Baille Madison (que vem roubando a cena em cada filme que participa, como em Esposa de Mentirinha e Entre Irmãos) é uma garotinha que vai morar com o pai e a namorada (Guy Pearce e Katie Holmes) em uma enorme mansão na qual os dois estão fazendo um trabalho de restauração. O problema é que, de acordo com uma enfadonha (e talvez única parte visualmente interessante do filme) sequência inicial, a casa abrigava um certo Sr. Blackwood, que acaba mostrando ter um certo problema com algumas pequenas criaturinhas de dentro de um poço que raptaram seu filho.

É verdade que a ideia é até atrativa, ainda mais quando finge se ligar às famosas Fadas dos Dentes, de modo macabro e interessante, mas é uma desvalorização total dessa situação toda que faz com que qualquer momento de tensão, sustos ou tipo de gore demore demais para dar as caras. O que cria uma expectativa enorme, mas que não é atingida.

O estreante na direção Troy Nixey até parece se esforçar em criar esse clima que dialoga com o fantástico e uma pitadinha trash meio anos 80 (o filme é o remake de uma produção para TV dos anos 70, mas parece ser algum parente próximo do divertido The Gate, de 1987), com pequenas criaturinhas diabólicas (ai o parentesco), ao mesmo tempo em que tem essa câmera sempre à procura de um movimento ou um plano mais arrojado, o problema é que essa mistura quase nunca consegue se encontrar. Enquanto sua câmera voa pelos cenários, corre pelos corredores escuros e procura esse escuro, quando é a vez de encarar os pequenos vilões o faz de modo corrido e afoito, como se tivesse medo de deixá-los tempos demais expostos aos olhares dosNão Tenha Medo do Escuro Filme espectadores, ao mesmo tempo em que não parece escondê-los de sua lente. Como isso pode acontecer? Graças a um desequilíbrio que não deixa que nenhumas das duas qualidades se sobressaia e impede o filme de alcançar lugares, visualmente, mais altos.

E Não Tenha Medo do Escuro é ainda completamente achatado por uma trilha sonora sem a mínima sutileza que ocupa essa casa, com cara de assombrada, com altíssimos acordes óbvios e sem personalidade. Em resumo, sem deixar que ninguém sinta por si só nenhum susto ou situação de perigo, já que a trilha parece fazer isso primeiro.

Igualmente sem graça quando o assunto são suas atuações, mesmo que Katie Holmes pareça se esforçar barbaridades para entrar na personagem (em vão!) Não Tenha Medo do Escuro não deixa realmente que ninguém tenha medo de nada, ficando demais em uma espécie de “quase”, com pouca história para contar, sem cenas de terror, sem assassinatos bacanas e vítimas desesperadas, sem gore e, por tudo isso, sem graça. Um terror educadinho e limpinho (sem os acordes manjados, talvez nem fosse terror) que acaba sendo um prato cheio para quem não gosta do gênero, já que esses irão sair do cinema falando mal para todos que encontrarem, e com razão.


Don´t be Afraid of the Dark (EUA, 2011), escrito por Guillermo del Toro e Matthew Robbins, dirigido por Troy Nixey com Bailee Madison, Katie Holmes e Guy Pearce


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