Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo

por Vinicius Carlos Vieira em 08 de Agosto de 2011

Não Se Preocupe, Nada Vai Dar CertoÉ tremendamente complicado falar qualquer coisa sobre algum filme nacional sem ter o perigo de ser amplamente descriminado, como se, para um certo público ufanista, o produto, por ter sido feito no Brasil, tivesse a obrigação de ter seus equívocos “levados em conta” a favor da sétima arte. O problema desse pensamento é que com isso, fica fácil então diminuir aqueles que se preocupam em entregar ao público algo interessante e caprichado, o que não acontece com o canhestro Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo.

Dirigido por Hugo Carvana, que nem de longe é um simples aventureiro do cinema, mas sim um diretor experiente (sendo esse seu oitavo filme, incluindo sucessos como O Homem Nu e Vai Trabalhar, Vagabundo), aqui, em Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo acaba então sendo uma decepção maior ainda (assim como sua última empreitada por trás das câmeras, o fraco Casa da Mãe Joana), já que Carvana tem muito mais predicados técnicos do que esses apresentados.

A impressão que fica é de tudo meio equivocado, um punhado de histórias que não se encaixam no eixo central da trama, personagens sem força alguma, situações pouco engraçadas e uma completa ausência de rumo a ser seguido. Na história, Gregório Duvivier (que aos poucos vai ganhando espaço na TV junta dessa safra de novos humoristas) é Lalau Velasco, um artista mambembe que segue pelo nordeste, com seu pai Ramon Velasco (Tarcisio Meira totalmente perdido dentro do papel) e uma Kombi colorida, apresentando o show que dá nome ao filme (e que na verdade é um bordão à lá Zorra Total que o pai não cansa de falar).

O filme começa, justamente, com Lalau contando sua história em um desses shows (o que, no final das contas só existe, realmente, para que o filme ganhe uma narração em off e um final estabanado que apresenta os atores em um número musical sem sentido) e, só inicia realmente uma trama quando ele acaba sendo contratado para se passar por um Guru indiano em turnê pelo Rio de Janeiro. É lá que começam algumas confusões e ele termina então tendo que pedir ajuda ao pai para conseguir se safar.

O maior problema disso tudo é tentar entender onde o resto do filme se encaixa ai, já que logo de começo Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo parece até tentar ser uma daquelas comédias de picaretas (como Os Safados, com Steve Martin e Michael Caine, e até o mais recente francês Como Arrasar um Coração”), onde os protagonistas têm que sair de uma enrascada que se meteram, mas não, após essa primeira impressão, o roteiro de Paulo Halm (de Antes que o Mundo Acabe) opta por um certo humor de situação, com alguns diálogos malcriados, uma ou duas sketches (principalmente quando o guru entra em cena) e, sem mais nem menos, deixando ainda que o filme tente um último sopro de vida às voltas com um mistério de assassinato que, é verdade, até permite que o clima de picaretagem volte um pouco a dar na vista, mas, sem dúvida, nada que empolgue em nenhum momento.

Falta personalidade para Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo tentar ser ele mesmo ao invés de ficar acumulando personagens desinteressantes (como a própria participação de Hugo Carvana, que não tem a menor ligação com o resto da história) e situações furadas. Por um segundo, já no final, quando o “tal mistério” tenta ser resolvido, é impossível não dar risada da solução encontrada pelo roteiro, risada de vergonha bem verdade, sendo difícil até achar sentido nas opções encontradas para amarrar a trama.

Tudo isso com um apuro técnico e artístico vergonhoso para uma produção com tantos nomes conhecidos e uma aposta tão grande em termos de marketing.

Por trás das câmeras, Carvana não se cansa de cortar cabeças (e a altura de Tarcisio Meira parece ser seu maior vilão em termos deFilme Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo composição) e repetir planos (como a tomada aérea da Kombi, que aliás, não representa nada para o filme em termos narrativos), assim como tomar atalhos preguiçosos, como fazer a luz da janela sumir e tornar a surgir enquanto o protagonista comenta (naquele off) que ficou “a noite em claro”, do mesmo modo que, vexatoriamente, permite que, em certo momento do filme, uma legenda com o nome da cidade pisque em sua apresentação, o que, talvez, mostre uma incapacidade de nomear a mesma de modo mais sutil (como uma placa de um carro, etc.).

Do outro lado da câmera, Tarcisio Meira se perde completamente dentro desse ator veterano sem saber que caminho tomar e com que peso levar a atuação, criando então um personagem sem a menor sutileza, chato, expansivo demais (como se estivesse em um teatro o tempo todo) e sem a menor graça, assim com seu companheiro de cena (Duvivier) que, sem dúvida nenhuma, pelos seus trabalhos na TV, acaba sendo o mais desperdiçado dentro de todo resultado (já que, não há dúvida, caso o roteiro tivesse tido o discernimento de estender toda situação dele como Guru Indiano o filme ganharia um ritmo muito mais interessante).

Enfim, Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo realmente não dá certo mesmo.


idem (Bra, 2011), escrito por Paulo Halm, dirigido por Hugo Carvana, com Tarcísio Meira, Gregório Duvivier, Flávia Alessandra, Ângela Vieira e Herson Capri


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