Mistério da Rua 7

Mistério da Rua 7

Poster Mistério da Rua 7

Enquanto Holywood produz trilogias, refilmagens e adaptações cada vez de modo mais automáticas e sem sentimento, ainda existe, logo abaixo dessa linha de centenas de milhões de dólares, uma categoria de diretores que, aos poucos, e com muita força de vontade, vem tentando entrar nesse clube restrito. Brad Anderson parece ser um desses, ainda que seu novo filme, Mistério na Rua 7 não faça jus a isso.

Anderson ficou conhecido, pelo menos por parte grande dos amantes do gênero terror, ao dirigir o interessantíssimo Session 9 em 2001, que, curiosamente, não foi lançado no Brasil, mas que, para muito, é um dos suspenses mais competentes dos últimos anos. Tempos depois, ainda foi responsável pelo desafiador O Operário, em que Christian Bale interpreta um personagem que se afunda em uma aterradora insônia e que ficou conhecido por ser o filme em que Bale emagreceu algo em torno de trinta quilos para o papel (esse facilmente encontrado em qualquer locadora).

Mistério na Rua 7 não é tão empolgante quanto esses dois, mas tem lá seus atrativos e só não alcançando lugares mais altos, principalmente, por um roteiro desencontrado de Anthony Jaswinski, que mostra ter um bom ponto de partida, mas sem conseguir desenvolvê-lo de modo excitante para seu público.

Nele, depois de um misterioso blackout, grande parte da população de Detroit simplesmente desaparece, deixando para trás somente suas roupas. Sobra então a um grupo de quatro sobreviventes tentar não ter o mesmo destino, já que descobrem que, quem quer tenha feito aquilo, continua ali, nas sombras da cidade, e a luz é o único modo de se proteger.

Se por um lado, a situação se faz por si só assustadora e tensa, ainda mais visualmente já que as roupas amontoadas no chão dão um toque apocalíptico interessante, Mistério na Rua 7 não nega um certo “jeitão B”, com essas figuras em forma de sombras se movimentando pelos cantos da tela. Em compensação, não deixa que isso impeça seu público de ficar apreensivo com os caminhos de sua história.

Positivamente, o roteiro de Jaswinski não perde tempo tentando explicar nada, e mesmo que em certo momento se sinta obrigado a correlacionar o acontecimento com a famosa lenda da Ilha Roanoke, onde toda sua população sumiu misteriosamente (de modo absolutamente nada sutil no começo, ao colocar um dos personagens lendo sobre o fato), na maioria do tempo permite que seu espectador até se divirta tentando (ou não) imaginar o que pode ser aquilo.

Em sintonia com isso, Anderson também não se mostra preocupado em mostrar muito mais do que realmente precisa, mesmo que esbarre em um fundo religioso ao culminar sua ação em uma igreja e mostrá-la de modo apoteótico como o faz, mas mesmo assim, em linhas gerais, apenas se esforça, visualmente, para deixar sempre essa tensão no ar, essa proximidade do escuro e a impressão inevitável do fim trágico.

Mistério da Rua 7Mistério da Rua 7, por outro lado, derrapa não só no elenco fraco, com Hayden Crhistensen e Thandie Newton ruins como sempre, mas também em uma série de equívocos do roteiro na hora de desenvolver seus personagens. É fácil no começo do filme se identificar com esse operador de projetor de filmes vivido por John Leguizamo, inseguro, com uma quedinha pela moça da lanchonete, que se vê sozinho nesse shopping Center e, junto com o espectador, descobre o perigo dessas sombras, mas todo esse esforço só para ele ser esquecido logo em seguida e voltar muito tempo depois sem muito mais o que fazer na trama. Do mesmo modo que o roteiro não consegue desenvolver mais ninguém dentre os três outros sobreviventes que se encontram nesse bar (na tal Rua 7) e apela até para flashbacks sem a mínima importância que tentam desenvolvê-los depois de já terem se tornado conhecidos do público, deixando tudo se repetitivo e arrastado.

Mas é lógico, entre trancos e barrancos, o tema e o suspense da situação não deixam que O Mistério da Rua 7 chateie tanto assim, mesmo cheio de altos e baixos, já que é fácil o espectador mergulhar nessa história e torcer para essas quatro pessoas que, de modo franco e simples, só querem sobreviver, e é impossível torcer contra isso, por pior que o filme seja (ainda que, por sorte, não seja esse o caso).


Vanishing on 7th Street (EUA, 201o), escrito por Anthony Jaswinski, dirigido por Brad Anderson , com Hayden Christensen, Thandie Newton e John Leguizamo


7 Comments

  1. No começo do filme, eu pensava que eu tinha feito uma ótima escolha para a minha tarde, mas depois que começou a ficar tudo repetitivo e chato, e além do mais com o final, eu me arrependi completamente. Mas me responda só uma coisa quem fez essa crítica, o quê que tem haver a RUA 7? O que isso tem haver com o título? rua 7? Que rua é essa que não vi no filme? Posso não ter percebido a resposta dessa minha pergunta durante o filme, mas estou com essa dúvida clara. Por favor, peço que mande a resposta para o meu e-mail se for possível.

  2. pô Letícia, eu nem elogiei ele tanto assim… e outra coisa, não lembr de nenhum filme ótimo que eu tenha achado ruim, já que se eu acho ruim ele, eu não teria como achar bom…

  3. Realmente não entendo,você critica filmes ótimos e elogia,de certa forma sua critica foi positiva,um filme tão sem graça e tão sem sentido como “Mistério da rua 7”

  4. Não achei o filme ruim e não me arrependi de assisti-lo, conseguiu puxar minha atenção e um pouco assustada, e ainda por cima me me deixou muito curiosa p saber o mistério .. acho que era isso que o Anthony Jaswinski queria .. sei lá, penso dessa forma!

  5. DISCORDO TOTALMENTE (e sim precisava colocar em letras garrafais)!
    “por pior que o filme seja (ainda que, por sorte, não seja esse o caso)”, sim, este é o caso!
    Juro q depois q o filme terminou, me arrependi muuuuito de ter escolhido este filme para assistir naquela tarde, queria mto voltar no tempo e ter escolhido outro filme… Mas infelizmente não foi possível. Mas este filme com toda certeza foi pra minha lista de piores filmes já vistos!

  6. obrigado, volte mais vezes, comente sempre e bons filmes!

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