Missão Babilônia Filme

Missão Babilônia | Se até o diretor ignorou, você não deve fazer muito diferente

Por um momento, lendo a notícia de que o diretor francês Mathieu Kassovitz não indicava seu Missão Babilônia para ninguém, alegando que o estúdio tinha destruído seu filme na hora da edição, pensei em algum tipo de marketing reverso (como a psicologia). Agora, depois de ver o filme, quem sou eu para ir contra o próprio diretor. Mas uma outra questão ainda me vinha a cabeça: até aonde aquilo ali tinha algum jeito de se tornar um produto melhor (produto, já que filme eu acho impossível), e mais, levando-se em conta a estréia do diretor em Hollywood com seu Gothica, apostaria que não.

Missão Babilônia mostra um futuro recente, onde o mercenário Toorop (Vin Diesel) é contratado por um francês esquisito (Gerard Depardieu, irreconhecível) para levar uma garota dali, leste europeu, até Nova York. Durante o caminho, além de, é claro, ter que dar cabo de uma meia dúzia de bandidos, o mercenário acaba descobrindo que a tal garota é mais do que parece e esconde vários segredos… que, é claro, podem mudar o mundo.

A sucessão de erros (seja do diretor ou do estúdio, não importa, o espectador não está tão preocupado) começa com o futuro manjado e chinfrim que o filme (pronto assim não coloca a culpa em ninguém) tenta impor. Uma Europa que parece resultado de alguma guerra onde seu leste ganhou e impôs seus costumes (e seus clichês: pobreza, casacos, prédios destruídos, tanques pelas ruas e carros antigos), onde todo mundo tem cara de frequentador de Rave e com feiras de armas em plena luz do dia, como a sequencia inicial faz questão de mostrar. Não se surpreendam com uma certa sensação de Deja Vu de várias outras produções.

Já do outro lado, a América (leia-se Estados Unidos), é o mais perfeito contraponto de todo Velho Mundo e seu caos. Nova York é moderna, futurística, com seus prédios iluminados com propagandas em movimento (só faltam os carros voadores para se tornar Blade Runner), e ainda sobre tudo isso, um avião, aparentemente, pertencente a uma certa marca de refrigerante “Zero” (fazendo o espectador sem um grande copo cheio desse liquido negro se sentir até culpado). E esse é o panorama que parece que o mundo chegou alguns anos no futuro, pobrezinho de criatividade e meio sem imaginação.

E nem de bugigangas tecnológicas nosso futuro (ou pelo menos o deles) vai poder se refastelar. Fora um mapa estiloso, com cara de Google Earth, o resto é o mais comum possível, coisa que por si só já vai afastar o espectador, já que todo mundo adora ver uma ou outra traquitana saída de algum devaneio futurístico. Além disso nunca despreze o poder de uma “arma de raios” (ou um “cotonete laser”, ou algo do tipo, o que importa é ser diferente e impensado) para desviar a atenção de um roteiro sem esperanças.

Talvez com uma meia dúzia de “cotonetes lasers” (gostei realmente deles) ninguém ficaria enfadado com as poucas, e esquecíveis, sequencias de ação, que, em um filme como esse, seria a única coisa que realmente poderia salvá-lo, mas que não acontece. Além disso, ainda consegue seguir um ritmo quase que igual entre elas, ousaria dizer até que entre sí teriam até mais ou menos a mesma duração, coisa que deixa mais ainda o espectador com sono.

Se não bastasse isso, elas inda são “estrategicamente” colocadas em momentos “chaves” da trama (se é que ela chega a existir realmente), coincidentemente sempre que o mercenário chega em uma ambiente novo. Uma panorâmica mostra onde eles estão, algumas linhas de diálogos, uma cena de ação, uma outra com uma explicação chata sobre algum assunto e tudo finaliza com uma outra panorâmica e assim por diante. Uma novo sentido à expressão “cenas de ação que pontuam o filme”.

O pior de tudo isso é que essas sequencias acabam não tendo a função que os “cotonetes lasers” tem para elas, algo que vem se popularizando no cinema atual: cobrir uma trama capenga. O roteiro de Kassowitz, em parceria com Eric Besnard, consegue ser mais desinteressante ainda, parecendo não chegar a lugar nenhum, explicando muito pouco e quase se esquecendo de que, pelo menos um vilão decente, com objetivos mais claro já daria um ritmo melhor a todo tédio.

Visualmente, ainda, o diretor (essa não pode ter sido culpa do estúdio) parece não conseguir impor um estilo mais bacana em nada. Repleto de enquadramentos caretas que pouco combinam com o que o filme perece pedir e recheado de slow-motions para todo lados, que só pioram mais ainda a atuação do astro de ação, já que assim acabam ficando mais tempo na tela com todos seus “olhares profundos” de anti-herói bacanudo, que reza antes de comer, mantém a calma, fala manso e mata rápido. Pena que não mata o pobre espectador que acaba tendo que ver esse desastre até o final.


Babylon A.D. (EUA/Fra, 2008) escrito por Mathieu Kassowitz e Eric bersnard, dirigido por Mathieu Kassowitz, com Vin Diesel, Michelle Yeoh, Gérard Depardieu e Méllanie Thierry