Meu Passado Me Condena 2 Filme

Meu Passado Me Condena 2

Não bastasse uma produção sem graça ou originalidade, a sequência Meu Passado Me Condena 2 muda o cenário mas não melhora em nada suas fraquezas, investindo nos mesmos elementos Meu Passado Me Condena 2 Postere recursos do filme original ao longo de suas entediantes duas horas de duração.

Depois do casamento apressado e da lua-de-mel desastrosa que acompanhamos no primeiro filme, Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) estão juntos há três anos – mas o relacionamento encontra-se nos últimos suspiros. As diferenças entre os dois, descobertas após a paixão avassaladora durante o cruzeiro que acompanhamos anteriormente, continuam atrapalhando a rotina do casal que briga cada vez mais constantemente. Miá anuncia que deseja o divórcio apenas para, em seguida, ver-se responsável por consolar o futuro-ex-marido quando Fábio descobre que a esposa de seu avô faleceu. Os dois, então, partem para a quinta do avô, em uma pequena cidade de Portugal, e decidem aproveitar a oportunidade para dar uma última chance ao casamento.

As personalidades e características conflitantes de Miá e Fábio já foram abordadas no filme de 2013 – e a nova produção se limita a explorar o mesmo assunto. Como se não bastasse, as tais diferenças entre os dois são os mais batidos estereótipos de cada gênero: ele esquece de tudo em favor do futebol com os amigos, deixa a toalha molhada em cima da cama e comida fora da geladeira; ela é “sem graça”, certinha demais, tem vergonha da profissão pouco respeitosa de Fábio, coloca a culpa de tudo nele. Porchat e Mello quase conseguem transformar seus personagens em pessoas complexas e reais, mas o roteiro freia a performance dos dois.

E nem o romance salva — a química entre os protagonistas, nos raros momentos de ternura entre o casal, está melhor em relação ao nível anterior mas, novamente, o roteiro estraga tudo. O fato é que jamais acompanhamos o amor dois dois: não conhecemos a paixão avassaladora que os levou a se casar com um mês de namoro, ou os supostos meses de felicidade que eles tiveram antes de se esgotarem um do outro. Vemos Fábio e Miá apenas em momentos de crise e, portanto, não sabemos qual é a relação que eles estão salvando. Além disso, é claro, a repetição dos elementos narrativos também é um obstáculo, já que vimos, no primeiro filme, o casal aprendendo a lidar com as diferenças – obviamente, o assunto não é algo a ser resolvido definitivamente no tempo do cruzeiro, mas vê-los passando pelo mesmo problema, mais uma vez – repetindo, sem realmente conhecermos o “lado bom” do casamento -, torna difícil para o espectador se conectar com a batalha dos dois para salvar o relacionamento.

Meu Passado me Condena 2 Crítica

Afinal, até quando irá durar aquela tranquilidade? Quantas toalhas molhadas em cima da cama serão necessárias para Miá voltar a querer o divórcio? Quantas outras reclamações quanto a seu trabalho Fábio aguentará? O fato de que o casal irá se acertar é óbvio desde o começo, mas não temos garantia nenhuma de que a felicidade durará por muito tempo após o final romântico (que, como se não bastasse, inclui lixo sendo jogado no chão de uma estação de trem em uma bela paisagem portuguesa).

Pouco se preocupando em encontrar uma explicação plausível para a presença de Inez Viana e Marcelo Valle, o filme reconhece que precisa dos dois, mesmo que os personagens pareçam mais engraçados do que realmente são apenas por estarem cercados por tamanha mediocridade. Menos bem-vinda é o retorno de Cabeça (Rafael Queiroga), que continua tão irritante quanto no filme anterior.

Cenário internacional, mesmos personagens secundários, antigas paixões, rivais de infância, diferenças entre o casal: a sequência segue exatamente a mesma fórmula do primeiro e, assim como a produção anterior, falha em todas as suas ambições – principalmente naquela que poderia conseguir salvar o longa: o envolvimento (inexistente) do espectador com o casal Fábio e Miá. Assim, o inevitável terceiro filme já cansa antes mesmo de existir.


“Meu Passado Me Condena 2” (Bra, 2015), dirigido por Julia Rezende, com Ricardo Pereira, Fábio Porchat, Miá Mello, Mafalda Pinto, Inez Viana, Marcelo Valle e Antonio Pedro.


Trailer – Meu Passado Me Condena 2