Mente Criminosa | Um filme de ação que pensa

Mente Criminosa

Mente Criminosa consegue ser um filme de ação e com temas pensantes. Discute política, moral e até filosofia. Até usa um pouco de ficção científica na receita, o suficiente para explorar esses temas.

E tem Kevin Costner como um dos poucos atores capazes de fazer um personagem como esse “acreditável”. Ele é Jerico, um criminoso que sofreu um trauma em seu cérebro causado pelo pai na infância, possibilitando que ele fosse escolhido como cobaia para um experimento nada convencional. Apesar de vítima das circunstâncias, ele parece ter a violência em seu DNA, e o filme reflete toda essa violência. Ainda assim, ao ser “infectado” com uma dose de moral e sentimentos de um ex-agente da CIA, começa gradualmente a questionar suas ações.

O filme conta também com dois outros monstros da atuação, que precisam de relativamente pouco tempo de tela para provar seus pontos. De um lado, Gary Oldman, como Quaker Wells, um agente da CIA veterano que não está interessado em julgar as medidas que ele toma em nome do governo para manter códigos de lançamento de mísseis a salvo de um anarquista radical. Já Tommy Lee Jones, na outra ponta, é Dr. Franks, e representa a ciência, embora igualmente sem moral, pois se preocupa mais com o resultado dos seus dezoito anos de estudo, que o tornaram capaz de realizar uma cirurgia de transferência de memórias entre seres humanos, do que as consequências éticas de seus atos.

E se até agora estou narrando os personagens e as ideias por trás do filme, é porque isso é o mais relevante no roteiro. Usando isso como pano de fundo para sequências tão engenhosas quanto realistas, e apesar do tom burocrático da história, que insiste em explicar de forma didática quem, o quê e onde, Mente Criminosa atinge bons momentos ao explorar esse conto político que acertadamente utiliza como protagonista um ser que é um “esquizofrênico induzido”, tendo em sua personalidade tanto um lado mais humano quanto criminoso. O fato do vilão ser alguém radicalmente contra a existência de outro ser esquizofrênico – os governos e suas redes de intrigas, que frequentemente envolve ações descritas no mesmo filme como inaceitáveis – não é uma simples coincidência.

Mente criminosa Crítica

Porém, ao mesmo tempo, o longa se beneficia imensamente ao arriscar discutir a questão do eu, do indivíduo, em torno de uma pessoa que vive com a memória de duas pessoas. O marido/pai que foi implantado em seu lesado cérebro se encontra em parte no personagem de Costner, e o fato de sua filha, de alguma forma, o reconhecer, é algo que evoca grandes questões da humanidade (e isso em um filme de ação): o que delimita o eu, e como fica o conceito de livre arbítrio quando se é e se age como outra pessoa infiltrada em sua mente? Quais os limites da experiência humana quando a própria mente transcende o corpo?

No entanto, tantas ideias ambiciosas não é motivo para afastar fãs da boa e velha ação descerebrada, já que há também ótimas sequências de ação, que usam a história sempre ao seu favor. A escolha do diretor Ariel Vromen por uma lente com pouca profundidade de campo e tremida nos remete à série Bourne e seu imediatismo, mas sem escapar das consequências da realidade, o que a torna ainda mais impressionante.

Apenas com uma conclusão meramente conveniente, Mente Perigosa se torna um dos bons filmes de ação do ano por conseguir assimilar realismo, ideias e explosões no mesmo contexto. E se lembrarmos de tantos trabalhos anteriores que pecam por utilizar apenas as explosões como protagonista, veremos que esse é um feito e tanto.


“Criminal” (UK/EUA, 2016), escrito por Douglas Cook, David Weisberg, dirigido por Ariel Vromen, com Gal Gadot, Ryan Reynolds, Alice Eve, Kevin Costner, Antje Traue, Gary Oldman e Tommy Lee Jones


Trailer – Mente Criminosa

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