Melhores Filmes de 2020 (Top 12 + alguns)


O ano de 2020 foi único. Não será esquecido, lembrado pela tristeza das famílias vazias e a homenagem aos que se foram. Nunca saído da memória pelos cinemas fechados e grandes telas apagadas. Que 2020 nunca se repita, por mais que, para o cinema, talvez tenha se tornando um divisor de águas. Consequentemente, as listas de melhores filmes do ano seguem esse mesmo ritmo esquisito.

Talvez os dogmas tenham sido quebrados e o cinema em casa tenha finalmente se tornando uma realidade. Longe de ditar o fim das salas, mas com certeza uma transformação de cenário. Um ano que só teve três meses e parece que só irá acabar em 2021, quando todas estreias de 2020, finalmente, chegarem aos cinemas. Mas isso não quer dizer que foi um ano jogado fora, muito pelo contrário.

Sem as grandes apostas dos estúdios lotando as salas de cinema, se abriu um espaço para produções menores se tornarem os merecidos destaques entre as estreias que foram parar nos serviços de streaming e on demand.

Um ano que ainda será lembrado pela teimosia e irresponsabilidade de alguns lançamentos no segundo semestre que não conseguiram dinheiro nenhum nas bilheterias e que expuseram suas qualidades baixas diante da falta de hype.

Portanto, deixemos de lado o monte de dinheiro enganando o nosso olhar e foquemos nas boas e sensíveis histórias. Que seja ainda uma possibilidade de encontrar escondido nos catálogos de streamings um punhado de filmes imperdíveis que que fizeram de 2020 um ano mais suportável.

Confira então os 12 Melhores Filmes de 2020, junto com um desejo de que 2020 fique apenas na lembrança e nas homenagens, mas que não se repita.

E lembrem-se, os filmes da lista foram lançados oficialmente no Brasil, tanto no circuito comercial das salas, quanto on demand ou pelos serviços de streamings, portanto, deixando de fora qualquer filme que só chegou por aqui através de festivais e é lógico, aqueles que deram as caras nos círculos de conversas através de alguns sites menos confiáveis.

Top 12 Filmes de 2020 (ordem alfabética)

As Mortes de Dick Johnson | “Dick Johnson Is Dead” | dir. Kristen Johnson
Netflix

Enquanto a ideia do documentário já chama a atenção e daria por si só um filme divertido, a sensibilidade da diretora diante do desenrolar dos acontecimentos torna tudo uma experiência emocionante, próxima, apaixonante e com um bom humor impressionantemente poderoso e acertado. É impossível não se apaixonar pelo próprio Dick Johnson, assim como é mais difícil ainda sair de “seu filme” sem muitas lágrimas e risos.


A Vastidão da Noite | “The Vast of Night” | dir. Andrew Patterson
Prime Video | Crítica

Um pequeno filme de ETs, mas com a personalidade e a capacidade técnica de um blockbuster gigante. Além do clima misterioso e dos longos planos sem cortes, o filme ainda demonstra uma maturidade do diretor que impressiona, cada plano está no lugar certo, cada corte é poderoso  e o ritmo é cativante, mesmo com pouco acontecendo e toda filme tendo essa impressão de ser uma experiência auditiva. Uma surpresa de 2020 para amantes do gênero e para quem deu de cara com ele meio sem imaginar o que esperar.


Crip Camp | “Crip Camp” | dir. James Lebrecht e Nicole Newnham
Netflix

Produzido pelo casal Obama em sua nova jornada de produtores, o documentário, além de extremamente sensível e cheio de esperança, é uma aula de como criar uma narrativa através de um ponto inicial e deixa-la evoluir e contar sua própria história. Por mais que pudesse se tornar um filme triste, deixa isso de lado e festeja a vida de modo único potente.


Destacamento Blood | “Das 5 Blood” | dir. Spike Lee
Netflix | Crítica

Como é de se esperar, Lee não faz só um filme. Expande a ideia da crítica social e de uma análise visceral e poderosa do racismo enquanto discute duas guerras que os americanos perderam, uma dentro de casa e outro lá no Vietnã. A trama central ainda funciona extremamente bem, é cheia de reviravoltas e personagens incríveis. Sem esquecer, é claro, o show de Delroy Lindo no maior papel de sua carreira. Um filme obrigatório para quem quer mais que apenas uma história.


Estou Pensando em Acabar Com Tudo | “I´m Thinking of End Things Tonight” | dir. Charlie Kauffman
Netflix | Crítica

O diretor Charlie Kauffman propõe o desafio de encarar essa experiência sensorial, um labirinto psicológico e cheio de símbolos e possibilidades. Encarar esse desafio é mergulhar na psique desse personagem enquanto discute passado, presente e futuro sem precisar ficar preso a um personagem, ou a uma ideia, ou a uma certeza. Interprete, pense a respeito, discuta e se deixe levar por esse filme.


Mank | “Mank” | dir. David Fincher
Netflix | Crítica

Uma carta de amor ao cinema, mais especificamente a esse cinema do meio do século 20 com seus grandes estúdios, cenários gigantescos e egos maiores ainda. Fincher parte de um antigo roteiro do pai, já falecido, e discute, tanto os filmes, quanto um dos maiores da história e ainda a pressão política e pessoal que era o cenário perfeito para a criação de uma geração de personagens incríveis e filmes mais incríveis ainda. Com tudo isso em mãos, além do espetáculo visual, surge ainda um prato cheio para mais uma atuação embasbacante de Gary Oldman.


Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre | “Never Rarely Sometimes Always” | dir. Eliza Hittman
On Demand | Crítica

O filme mais interessante de 2020 não vem de nenhum serviço de streaming e nem estreou nos cinemas, mas sim chegou no Brasil escondido em meio a um monte de novidades on demand que ninguém se importava. O filme é um drama humano, sensível, pertinente e sobre uma realidade que é muito mais próxima do que muita gente imagina. Uma daquelas oportunidades de mergulhar na alma dessas personagens e sentir o que elas estão sentindo. A cena que dá nome ao filme é, talvez, uma das melhores coisas do cinema em 2020.


O Homem Invisível | “The Invisible Man” | dir. Leigh Whannell
Telecine + On Demand | Crítica

Acredite, mesmo com os cinemas fechando diante da pandemia, ainda teve tempo para um dos melhores do ano estrear na tela grande. O terror é uma revisão do clássico e encaixa nele uma preocupação social que faz desabrochar uma experiência moderna e obrigatória que deixa de falar de um cara invisível e se deixa levar por uma discussão muito mais séria e obrigatória. Elizabeth Moss demonstra mais uma vez porque pode ser considerada uma das atrizes mais diversificadas de sua geração.


O Que Ficou Para Trás | “His House” | dir. Remi Weekes
Netflix | Crítica

Uma das melhores coisas do terror é o espaço que ele tem para coisas novas e inteligentes. Esse filme tem ambos a seu favor, aproveita uma mitologia pouca usada no gênero, se diverte com os sustos para discutir um assunto sério e importante e ainda lhe entrega aquela sempre boa sensação de uma surpresa no final que resignifica tudo aquilo que você tinha visto até aquele momento.


O Som do Silêncio | “Sound of Metal” | dir. Darius Marder
Prime Video | Crítica

De todos filmes sensoriais e emocionais de 2020 (que não foram poucos!), nenhum outro conseguiu juntar tão bem essas duas ideias enquanto discutia essa história que parece ser simples, mas é complicada e cheia de dificuldades reais e violentas. O filme te coloca, literalmente, dentro desse personagem enquanto ele precisa lidar com um novo mundo que lhe arranca completamente tudo que eles achava ser sua vida. Ele ganha mais força com um desenho de som impecável e uma atuação poderosa de Riz Ahmed, que já é uma das melhores do ano.


Soul | “Soul” | dir. Peter Docter
Disney+ | Crítica

Impecável no visual. Inteligente nas intenções. Profundo nos conceitos. Bonitinho e fofinho quando quer, maduro quando precisa. O novo filme da Pixar acabou indo direto para o serviço de streaming da Disney, mas com certeza é uma das melhores coisas que a “Casa do Mickey” em parceria com o “pessoal do abajur” já fizeram.


Tempo de Caça | “Sanyangeui Sigan” | dir. Sung-Hyun Yoon
Netflix | Crítica

Com certeza o menos conhecido da lista, esse filme coreano estreou na plataforma sem muito burburinho, junto de mais um punhado de produções não faladas em inglês, mas é um dos mais interessantes do ano. Principalmente, pela vontade de ser dois filmes em um. Tanto um filme de assalto eficiente, quanto um slasher tenso, visceral e desesperador. Embarque nessea experiência que parece ser meio esquisita, mas que é um filme de ação que sabe que tem espaço para mais que apenas alguns tiros e violões genéricos.

Menções honrosas

O Caminho de Volta / Retrato de uma Jovem em Chamas / O Farol / Vigiados / Time / City Hall (lançado apenas em festival) / Lost Girls / Host / Mosul / Borat: Fita de Cinema Seguinte