Máquinas Mortais | Vapor, engrenagens, sujeira e (muitos!) clichês


Em um futuro não muito próximo, uma guerra que durou 60 minutos destruiu algumas das maiores cidades do mundo graças a uma arma que emite um raio roxo. O resultado disso, pelo menos na Europa, é um tal de “darwinismo municipal”, o que quer que isso queira significar, mas que é o mote central de Máquinas Mortais.

Sendo um pouco mais explícito, grandes cidades se tornaram maquinas gigantescas que perambulam por esse mundo devastado em um misto de vapor, engrenagens, sujeira e clichês. Pequenas cidades então sobre pequenas máquinas menos mortais, mas que também fingem estar dentro desse mundo meio steampunk, mas muito preguiçoso.

Máquinas Mortais é dirigido por Christian Rivers, e é adaptação de uma quadrilogia “Young adult” escrita por Phillip Reeve. O filme (e consequentemente o livro) acompanha Londres, mais precisamente essa moça, Hester Shaw (Hera Hilmar), que pretende se vingar do historiador Valentine (Hugo Heaving), que tem algum tipo de cargo poderoso em Londres e que, obviamente, pretende tomar o poder e tudo mais que um vilão óbvio precisa fazer.

Hester Shaw então “ganha” a companhia de Tom (Robert Sheehan) um jovem historiador que estava no lugar errado e na hora errada, mas que aos poucos se torna o grande amor dela e tudo mais que um mocinho óbvio precisa fazer.

Parece repetitivo, e tanto meu texto, quanto Máquinas Mortais, são. Até porque, não há nada de novo a ser visto. Nem um segundo vilão que surge no meio da trama da trama presta. Muito pelo contrário até, ele uma espécie de zumbi robô, e não é uma novidade, já que fica repetindo “Hester Shaw”, assim como um primo distante dele iria ficar falando “Sarah Connors”. A diferença entre eles é que aqui, o vínculo entre os dois tem um tantinho de incesto e um tantão de um relacionamento abusivo que acaba com uma morte causada por ciúmes.

O responsável por toda essa sutileza pode até ser Reeve em seu material original, mas é bom colocar boa parte do desastre na conta do trio de roteiristas responsáveis pela “Trilogia do Anel”, Philipa Boyens e o casal Fran Walsh e Peter Jackson. Esse último, anunciando em tudo quanto é canto de publicidade do filme, com o óbvio intuito de fazer mais gente se interessar por esse épico de desinteresse.

Essa grandeza, pelo menos, não pode ser tirada de Máquinas Mortais. Londres é enorme, assim como todas outras máquinas menos mortais, a cidade nos céus é igualmente gigante, assim como o muro que separa os ingleses de sua expansão territorial, o que só não é uma metáfora sobre era de “conquistas” britânicas na África porque é mais óbvio do que uma cidade sobre rodas. Mas não se preocupe, esse “novo filme de Peter Jackson” (entre aspas porque não é dele!) não tem nada de política, apenas um monte de gente seguindo em frente sem muita explicação.

Um monte de motivações que não parecem nem ao menos fazerem sentido. Ninguém ali parece ter um plano que fique em pé, nem as soluções para nenhum problema parece que realmente funcionará. Hester Shaw, heroína da vez, por exemplo, simplesmente não age e nem consegue fazer nada que não seja mandado por alguém, além de, obviamente, ser salva por todo mundo em praticamente todas “confusões” que se mete.

Hester só é a heroína na falta de alguém que se encaixa melhor no perfil, e também porque tem o flashback mais longo e o “elixir” que irá salvar o mundo, mesmo que isso aconteça em uma vexatória contagem regressiva daquelas que ninguém mais aguenta.

O curioso disso tudo é que, logo no logotipo da Universal enquanto o nome do estúdio rodeia um Globo Terrestre, pequenas explosões pipocam e representam a tal guerras do 60 minutos que resulta em terra envenenada e uma busca por comida e combustível, o que dá início à Era das Grandes Cidades Predadoras. A ideia não deixa de ser boa, o problema é ter um filme muito menos interessante do que esse pequeno começo, talvez até porque dure muito mais do que os 60 minutos que foram necessários para mudar o Planeta, e isso é chato demais.


“Mortal Engines” (NZ/EUA, 2018), escrito por Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, à partir do livro de Philip Reeve, dirigido por Christian Rivers, com Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving, Jihae, Ronan Raftery, Leila George e Stephen Lang


Trailer do Filme – Máquinas Mortais