Maligno | Crítica do Filme | CinemAqui

Maligno | Uma extravagante homenagem ao Giallo


É curioso como James Wan transformou o gênero com um material tremendamente original, mas, cada vez que volta ao gênero, vem com a vontade de lembrar o quanto o terror não nasceu, nem com seu Jogos Mortais, nem no século 21. Maligno é então uma divertida e impressionante homenagem ao Giallo.

Para quem não ligou o nome à pessoa, Giallo é um estilo de cinema que transformou o gênero e vinha lá da Itália. A inspiração geral eram alguns livros de mistério e policiais que foram muito populares no país. O “giallo” na nossa língua é “amarelo”, mesma cor das capas das publicações. No cinema isso se tornou uma mania entre as décadas de 60 e 80, com assassinos misteriosos, suas luvas de couro preto, uma violência exposta e sempre um detetive buscando a verdade que só chega nos últimos minutos.

Muita gente aponta no Giallo o verdadeiro pai de gêneros como o Slasher e o Splatter (ou “torture porn”). A verdade é que Jogos Mortais já tinha um pouco disso tudo, mas de um jeito muito mais sutil. Agora Wan não esconde nada em Maligno.

Seria até fácil imaginar Maligno todo falado em italiano, mas americano não gosta mesmo de legendas, talvez também ignorem a referência, mas isso pouco importa, já que Wan faz absolutamente tudo que promete.

O roteiro de Wan em parceria com Ingrid Bisu e Akela Cooper esconde um monte de surpresas, ainda que já dê dicas bem claras logo de cara. Portanto, é interessante chegar no filme sem saber muito a respeito dele. Apenas que uma mulher, Madison (Annabelle Wallis), depois de ser agredida pelo marido e perder o filho ao ter um aborto, começa a ter visões esquisitas de um assassino em série que começa a matar pessoas (que talvez estejam ligadas a seu passado).

O trio de roteiristas faz absolutamente tudo direitinho para colocar o espectador dentro dessa homenagem aos filmes italianos. Portanto, durante boa parte do filme, haverá mais dúvidas do que respostas, e isso faz parte do jogo. Assim como sobrará violência e gore. Aos poucos, esse assassino misterioso vai sendo construído como uma figura repleta de personalidade e todos detalhes que os serial killers do cinema precisam para serem lembrados.

Wan ainda coloca nele um ar esquisito e bizarro, como se estivesse quebrado, a resposta para isso vem depois, mas mesmo antes disso, a construção já funciona bem na tela. Assim como todo o resto, já que o filme de Wan tem um visual empolgante e que mostra mais uma vez o extremo bom gosto do diretor quando o assunto é construir os mundos de seus filmes e o como se mover através dele.

Com isso, esqueça os “jump scares” de seu outro sucesso, Invocação do Mal. Alguns deles até estão lá, mas o objetivo de Wan agora é um filme muito mais dinâmico e com uma câmera que quer mostrar mais. O “plongee” pelo alto da casa, como se ela não tivesse teto é tremendamente divertido, mas quando você menos percebe, entende que a intenção era justamente essa: esconder o teto. Em um outro movimento de câmera, uma surpresa “corta a casa” de alto a baixo e é também o momento onde a história, junto com Wan, dispara o filme para um outro lado. Ainda mais bizarro. Ainda mais divertido. Ainda mais sangrento e violento.

Quanto mais Maligno se expõe, mais Wan se deixa levar por uma maluquice completamente mais divertida e cheia de invencionices. Seja na trama, seja em uma câmera que repete alguns momentos de lutas e coreografias que funcionam tão bem quanto nos melhores momentos do diretor no comando de Aquaman, mas com muito mais sangue e ossos para fora.

Maligno é extravagante e não tem medo de parecer ridículo, única coisa que realmente quer é divertir os fãs quem entrarem no clima. É antes de qualquer coisa também uma homenagem sincera ao Giallo e tudo isso convive extremamente bem dentro desse terror dirigido por um dos nomes mais relevantes do gênero em sua geração. Portanto, o melhor é se ajeitar no sofá e curtir um grande filme de terror como todos deveriam ser.


“Malignant” (EUA,2021); escrito por James Wan, Ingrid Bisu e Akela Cooper; dirigido por James Wan;  com Annabelle Wallis, Maddie Hasson, George Young, Michole Briana White, Jean Louisa Kelly, Susanna Thompson e Jake Abel


Trailer do Filme: Maligno

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