Lost Holiday | Perdidos em Washington


Lost Holiday engana a princípio, pois lembra aqueles filmes de conclusão de curso ou independentes americanos que usam como muleta a estranheza de personagens para levar uma história nem tão inspirada adiante. Porém, a estreia dos irmãos Matthews na direção (e no roteiro) aos poucos se desdobra em uma trama inteligente, justamente por não se colocar em evidência.

É na estranheza de seus personagens, ou em sua banalidade, que se esconde a alma de um filme que soa inseguro o tempo todo, mas que tem todas suas amarras sob controle.

Tudo começa quando Margaret, interpretada por Kate Lyn Sheil como uma versão exagerada dela mesma, visita no feriado de Natal e Ano Novo sua cidade natal, Washington (que é a cidade natal dos diretores), e, diante de suas memórias escolares, arruma qualquer coisa para se divertir. Esse qualquer coisa acaba envolvendo Henry, interpretado por um dos diretores que também é ator, Thomas Matthews (do filme Trapaça), como uma versão exagerada de qualquer amigo chato que você já teve, que também está de volta, e é o único solteiro divertido afim de se divertir. Os dois passam a investigar um sequestro noticiado na cidade, e assim nós temos uma noção mais palpável de qual é a definição de diversão dessa dupla.

Vendido como road movie, mas apenas porque na maioria do tempo a dupla está andando de carro por Washington DC, testemunhamos as reviravoltas que vão surgindo durante esse feriado muito louco como se estivéssemos fazendo esses rolês com eles, pois esses são personagens baseados em pessoas que todos nós conhecemos na vida real. Barulhentas, cheias de piadas ruins e de se achar, é horrível conviver com extrovertidos como Henry e Margaret, mas os vendo através de uma telona é menos insuportável. E temos a chance de assistir a uma confusão que a maioria de nós nunca se colocaria.

Lost Holiday não é nada do que parece à primeira vista, e termina de um jeito que não é possível antever antes dos últimos minutos. Farejamos a novidade conforme ela vai acontecendo, e a trama se desdobra de maneira complexa demais para dar tempo de bolarmos a nossa própria teoria a respeito de um caso policial. Tudo isso acrescenta uma névoa muito bem-vinda em filmes que geralmente já têm tudo sob controle. O “Lost” do título (perdido) está aí realmente querendo dizer algo.


“Lost Holiday” (EUA, 2019); escrito e dirigido por Michael Kerry Matthews e Thomas Matthews; com Kate Lyn Sheil, Thomas Matthews e Keith Poulson.


 

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