Los Lobos | Cara de festival de cinema


O mexicana Los Lobos não foge dess padrão de preencher a cartilha dos filmes independentes que vemos por aí: imigrantes, periferia, trabalho e pobreza. O chamariz perfeito para entrar nos festivais mundo afora e praticamente obrigatório.

Com isso em mente, Los Lobos é uma pequena ode aos novos tempos, onde histórias de imigração são recontadas. Não as antigas dos fugitivos de guerra, mas as novas, sobre a pobreza dos países vizinhos e a desgraça dos vícios.

Em seu núcleo abre-se uma janela de observação desses dois meninos presos em um apartamento em um bairro humilde de Albuquerque, nos Estados Unidos. Eles e sua mãe acabaram de chegar do México e estão reconstruindo sua vida após seu pai terminar a dele. Não se sabe exatamente a razão de precisaram sair de onde moravam, então podemos preencher com nossos preconceitos. Há uma revelação próximo do final, uma cena única, poderosa, onde “o mistério da lâmpada” do filme se revela ao espectador. Tudo isso com uma trilha sonora bacana.

Los Lobos não tem muitos diálogos e seu ritmo é lento. Ele deve implorar pela paciência do espectador, principalmente, por não mostrar nada de novo. O seu fiapo de história será desvendado depois que nos acostumarmos com seus personagens, uma técnica muito útil em séries de TV que pode ser usado em filmes após a primeira hora: faça-nos acostumar com seus simpáticos heróis e depois tanto faz o que eles estiverem fazendo, vamos acompanhar.

Gostaria até de dizer algo bacana sobre essas crianças, mas só consigo pensar em seus intérpretes. Irmãos na vida real, Maximiliano e Leonardo Nájar Márquez são figuras infantis naturais em qualquer cotidiano. Eles funcionam e o diretor Samuel Kishi precisa apenas ligar a câmera.

O mesmo acontece com o casal de senhorios da família, o simpático casal Cici e Johnson T. Lau. Enquanto Cici emerge timidamente um pouco de humanidade prática no dia-a-dia dos meninos o Sr. Lau protagoniza a cena mais profunda do longa, quando está desenhando sua árvore genealógica na parede e explica o porquê de um dos galhos estar com a foto arrancada: “não aceitamos cholo na família”. Se você não sabe o que quer dizer “cholo” precisa cavar mais fundo na realidade dos mais pobres de espírito ou entender a riqueza das tradições.

A interpretação de Martha Reyes Arias como a mãe é a mais sóbria possível. Incomoda seu equilíbrio, mas admiramos sua dignidade. Ela é uma mulher linda escondida nos trapos que trouxe consigo e na simplicidade de suas ações. Sua força em criar seus filhos sozinha está igualmente escondida, e apenas um olhar mais atento ou com mais experiência sentirá sua dor.


Los lobos” (Mex, 2019), escrito por Samuel Kishi, Luis Briones e Sofía Gómez-Córdova, dirigido por Samuel Kishi, com Martha Reyes Arias, Maximiliano Nájar Márquez e Leonardo Nájar Márquez.


Trailer do Filme – Los Lobos

Quer receber as melhores notícias do cinema?

Inscreva-se na newsletter do CinemAqui e receba um resumo semanal do que está acontecendo no mundo dos filmes.