Legado Explosivo | Para os fãs do Liam Neeson… e só


Ainda que realmente tenha uma explosão em certo momento do filme, Legado Explosivo não é sobre explosões. Já no original “The Honest Thief” talvez chegue mais perto do seu clima, não pelo “ladrão”, mas sim pelo “honesto”.

O filme é o primeiro trabalho na direção de Mark Williams depois de estar nos últimos quatro anos envolvidos com a série Ozark. Mas as qualidades da série da Netflix não estão nem perto de seu Legado Explosivo, que é um filminho de ação genérico e que vai sumir no meio do currículo do Liam Neeson, que protagoniza uns dois ou três desse tipo por ano.

No filme Neeson é Tom Dolan, um ex-ladrão de bancos que decide se aposentar depois de conhecer Annie (Kate Walsh), mas diante da vontade de devolver para o FBI os nove milhões que “retirou” dos bancos em sua carreira, acaba caindo na armadilha de um agente corrupto (Jai Courtney) e passa a ser perseguido acusado de assassinar um outro agente.

O texto escrito pelo próprio Williams em parceria com Steve Allrich até consegue manter o começo do filme preso a um certo mistério envolvendo para onde a trama realmente vai, mas isso também faz com que a decisão do agente de roubar todo dinheiro soe como algo saído do mais absoluto lugar nenhum. A impressão é de um jeito desleixado de empurrar a trama, mas isso é tão jogado dentro da história que quase não atrapalha.

A falta de incômodo vem com essa impressão de que qualquer um que começar a ver o filme só quer mesmo é ver o Neeson sendo um herói de filme de ação. Tom Dolan se torna um fugitivo ao mesmo tempo que enfrente o personagem de Courtney em uma dinâmica de gato e rato onde o rato “fala muito mais grosso”. Todo mundo sabe o que acontece quando o Neeson fica irritado com algum bandido, então nada de surpresas.

Com isso em mente, Legado Explosivo faz só aquilo que se propõe, duas ou três perseguições, alguns tiros, Neeson ameaçando alguém pelo telefone e, lógico, ele descendo porrada em alguém (ou “alguéns”). Para os fãs de Nesson, mais que o necessário para embarcar em mais essa história sem muita dor de cabeça.

Infelizmente talvez Neeson comece a dar sinais de que está ficando “velho demais para esse trabalho”, com quase 70 anos, o cabelo pintado e muito longe daquela postura amedrontadora de alguém que irá acabar com uma sala inteira de capangas, o ator irlandês parece muito mais contido em absolutamente qualquer cena de ação que participa. A direção de Williams percebe isso claramente e permite que seu personagem passe grande parte do filme sentado em um carro.

Com isso em mente e também sem muito mais o que fazer na trama, o diretor segue um caminho burocrático em absolutamente todos os sentidos possíveis do filme. As cenas de ação funcionam, mas não empolgam, assim como os diálogos, que ficam em algum tempo entre o óbvio e o necessário para que aquela história faça sentido, mas sem muitas surpresas ou grandes momentos.

Um filme estrelado pelo Liam Neeson sem nada de muito destaque, mas tem o astro enfrentando uns bandidos, promete isso para os fãs e entrega, o que é, no mínimo, honesto e será suficiente para os fãs desse tipo de filme, esses com o Liam Neeson herói de ação, que aparecem duas ou três vezes todo ano nos cinemas, ficarem satisfeitos.


“Honest Thief” (EUA, 2020); escrito por Mark Williams e Steve Allrich; dirigido por Mark Williams; com Liam Neeson, Kate Walsh, Jai Courtney, Jeffrey Donovan, Anthony Ramos e Robert Patrick


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