Invencível Filme

Invencível

Se fosse possível descrever uma direção como clássica, seria exatamente o melhor adjetivo que Invencível, segundo trabalho de Angelina Jolie por trás das câmeras, ganharia. Por outro lado, nada de muito destaque, mas tudo tão no lugar e correto que é difícil não sair satisfeito da sessão de cinema.

Jolie e sua direção espaçosa e precisa contam então a história do italo-americano Louis Zamperini (o desconhecido Jack O´Donnel, que esteve no segundo 300, mas ninguém lembra), um jovem que descobre na corrida seu caminho, o que o leva até a disputar uma Olimpíada pela equipe dos Estados Unidos. Mas o que dá nome ao filme é, justamente, o que vem depois dessas glórias, com os anos em que o personagem passa pela Segunda Guerra Mundial.

É por lá que a verdadeira história acontece, já que depois de um acidente de avião ele sobreviver à deriva por 45 dias, só para ser resgatado por um navio japonês e passar mais algum tempo em um campo de detenção. E isso não chega a ser nenhum spoiler, já que Invencível nem por um segundo promete qualquer surpresa ou reviravolta, o que no final das contas só ajuda o filme a ser mais correto ainda.

Escrito por Richard LaGrevenese e William Nicholson, em parceria com os irmãos Coen, sem muita firula, Invencível conta somente essa história extremamente motivacional sobre como Zemperini fez das sobrevivência sua maior vingança contra seus inimigos de guerra. O que acaba sendo suficiente para a história funcionar perfeitamente, e até combina um pouco com a falta de expectativa ligada aos nomes de LaGrevenese e Nicholson nos créditos (o primeiro entre outros escreveu o adocicado demais Água para Elefantes, e o segundo até foi indicado ao Oscar por O Gladiador), mas passa longe do que se esperar da presença de Joel e Ethan Coen.

E talvez o principal sinal dessa sentida “ausência” seja tanto um protagonista pouquíssimo interessante como uma série de personagens a vontade demais dentro de um punhado de esteriótipos. Mesmo com o esforço físico de O´Donnel (ao emagrecer bastante em certo momento), seu Zamperini não ganha muita personalidade vinda do roteiro, sendo construído então apenas pelas ações na qual passa. Ruim para o personagem, mas mais que suficiente para o filme andar nos trilhos.

O que ainda é valorizado (e maquiado) por uma incrível recriação de época, coisa que, por sua vez ainda ganha pontos pelo tal modo “clássico” como Jolie trabalha. A diretora investe então em composições precisas e espaçosas, que além de ficarem bonitas e suaves na tela, mostram cada centavo de dólar gasto em efeitos visuais, figurino e em cada detalhe do mise-en-scene de Invencível.

Opções suficientes para garantir que esse segundo filme de Angelina Jolie seja muito bem lembrado quando daqui a alguns anos se analisar a provável carreira interessante da atriz na direção. E ainda que Invencível não seja o filme que venha a torná-la uma grande diretora, muito provavelmente é aquele que mostra a todos que ela, pelo menos, já sabe fazer seu trabalho como se fosse uma diretora clássica e impecável.


“Unbroken” (EUA, 2014), escrito por Joel e Ethan Coen, Richard LaGravenese e William Nicholson, à partir do livro de Laura Hillenbrand, dirigido por Angelina Jolie, com Jack O´Connell, Domhall Gleeson, Garrett Hedlund, Takamasa Ishihara, Finn Wittrock e Jai Courtney


Trailer – Invencível

Quer receber as melhores notícias do cinema?

Inscreva-se na newsletter do CinemAqui e receba um resumo semanal do que está acontecendo no mundo dos filmes.