Invasão Zumbi 2: Península | Era melhor ficar em Busan


De continuação, Invasão Zumbi 2: Península, só tem o nome. Está muito mais perto de ser uma espécie de spin-off, portanto, melhor não ter muita esperança de encontrar nesse segundo filme qualquer coisa que tenha encontrado no primeiro e feito dele um dos grandes filmes a serem lembrados dentro do gênero por alguns anos.

Península não será lembrado. Logo depois que aquele monte de zumbis sair da tela, eles, com certeza serão esquecidos. Os personagens também. Assim como a trama e até a ideia de que ele pudesse ser uma continuação do ótimo primeiro filme.

O mais curioso disso tudo é, justamente, o filme sair da mesma mente que entregou o primeiro ao mundo, o diretor Sang-ho Yeon. “Curioso”, pois o objetivo parece ser tão afastado da ideia que fica difícil não sentir o cheiro de desastre logo de cara. Na verdade é preciso ser justo com o filme e apontar o quanto ele começa bem e tem um fiapo de vontade de seguir o clima do original. Mas logo tudo decide ir por um caminho bem diferente.

Jung Seok (Dong-won Gang) começa o filme sob a farda do exército tentando salvar a irmão e família dela diante da explosão daquela mesma epidemia zumbi que atrapalhou os passageiros de um certo trem que ia para Busan. Mas tudo dá meio errado, o tempo passa e Jung agora é apenas um qualquer sobrevivendo no submundo cheio de crime de Hong Kong.

A oportunidade de dar a volta por cima chega junto com uma missão meio suicida de voltar para a Coréia e trazer de volta um caminhão lotado de dólares que foi abandonado diante da invasão dos mortos-vivos. Pouco tempo depois disso, Península assume sua única vontade: deixar o terror de lado e virar um filme de ação.

Pior ainda, na falta de um meio de transporte melhor que o trem, Península mergulha em uma espécie de Velozes e Furiosos e sai por aí atropelando zumbis em cenas de ação com o pé fundo no acelerador. Ainda há uma sensação de Fuga de Nova York com esse destacamento de ex-soldados que criaram uma espécie de sociedade organizada e um “joguinho” com zumbis. Nada de muito criativo ou interessante.

O protagonista ainda encontra uma família de sobreviventes e parte com eles para uma missão que envolve capturar o tal caminhão cheio de dinheiro, usar o telefone via satélite, fugir do país e torcer para que não tentem mais fazer um terceiro filme.

Entretanto, se você deixar escondido em sua lembrança aquele carinho e admiração pelo primeiro filme, poderá se divertir com um filme de ação competente. Não tem clima nem tensão, mas sobra slow motion, tiros, zumbis, mais slow motion e um monte de personagens caricatos e com cara de pós-apocalipse.

A quantidade de zumbis é realmente muito maior, bandos e mais bandos, mas tudo surge meio desembestado e sem objetivo. Não estão mais lá como perigo para os personagens, mas sim como peças para serem atropeladas pelos carros super velozes. Os zumbis deixam de ser uma ideia e passam a ser uma desculpa estética, um inimigo anônimo que valeria pouco ponto em qualquer jogo de videogame genérico.

Mas as cenas de ação são longas e cheias de carros cantando o pneu, então ninguém vai ficar por aí pensando no significado alegórico dos zumbis, o que é uma pena. Mas diverte e até vai bem até o roteiro lembrar que precisa colocar os protagonistas em perigo e em situações de sacrifício heroico. O que vem depois disso é desastroso. Nenhuma morte se dá esse peso e pior, nem têm zumbis envolvidos, o que é uma chatice para quem deu o play esperando por eles.

E é impossível não imaginar as enormes decepções dos fãs do primeiro, que voltaram correndo para a ideia do primeiro filme e deram de cara com uma experiência completamente diferente. Talvez diferente demais, um sabor distante demais e que vai deixar um amargo em alguns que foram até Península em busca das boas lembranças de um dos mais interessantes filmes de sua geração, mas que culminou em uma continuação… ou melhor spin off, sem nenhum tipo de interesse em manter esse legado vivo.


“Train to Busan 2” / “Peninsula” (Cor, 2020); escrito por Sang-ho Yeon e Ryu Yong-jae; dirigido por Sang-ho Yeon; com Dong-won Gang, Lee Jung-hyun, Re Lee, Min-Jae Kim, Kyo-hwan Koo, Do-yoon Kim e Ye-Won Lee