Invasão a Casa Branca

Se existe uma coisa que Hollywood produz de um jeito que só ela consegue, não são efeitos especiais nem mocinhas sexys, mas sim vilões azarados. E desde que Hans Gruber deu de cara com um policial chato e “imortal” enquanto tentava fazer um prédio inteiro de refém, não adianta, é só um bandido ter um plano infalível que alguém (que não devia estar lá) vai acabar com sua festa. E Invasão a Casa Branca nem se esforça para ser diferente.

No caso, de modo autoexplicativo, o alvo é a sede do governo americano, o vilão (Rick Yune) é um terrorista norte-coreano (o que acaba casando bem com o cenário atual) e quem precisa salvar o presidente (Aaron Eckhart) é um ex-agente do Serviço Secreto (Gerard Butler), que foi afastado depois da morte da primeira dama, mas resolve sair detrás de sua mesa (“desk job”) e bancar o John McLane quando percebe que Washington está sendo atacada.

E é lógico que seguir uma linha dessas é o mesmo que prever grande parte de absolutamente tudo que irá acontecer, do exercito de bandidos que tombarão diante do herói até uma contagem regressiva (essa, procurando um suspense completamente desnecessário) que pode acabar com o mundo, mas acaba sendo cancelada a alguns poucos segundos do fim.

Isso e um momento inicial descontrolado que vomita patriotismo e não parece entender que não seria necessário qualquer tipo de motivação que não seja salvar o presidente para mover o protagonista. O que se resume então um prólogo sobre a morte da primeira-dama que nem sequer é usado na relação entre os dois personagens (o de Butler e de Eckhart) e só serve para ser lembrada em um momento de tensão. Como se tivesse o receio de desenhar um personagem um pouco mais profundo do que ele acaba se mostrando, coisa que até não atrapalha, mas também não acrescenta.

O interessante disso, é que quem conseguir sobreviver às bandeiras tremulantes, os codinomes (“Mustang”, “Big Lop” e até o “Olympus Has Fallen” que serve de título original) e a uma carga enorme de clichês, acaba dando de cara com um filme de ação que não decepciona dentro daquilo que se propõe. Principalmente nas mãos de um Antoine Fuqua bem à vontade.

Sem o peso épico que o afundou em Rei Arthur e tampouco a responsabilidade de voltar ao cenário de sua obra prima Dia de Treinamento (como fez em Atraídos pelo Crime), sobra ao diretor repetir o “esquemão” que deu resultado tanto em Lagrimas ao Sol quanto em O Atirador: um filme de ação, pura e simplesmente. É lógico que com isso em mente, mais até que nesses dois outros, Invasão a Casa Branca pode se divertir com todas suas possibilidades, explosões e pontos turísticos sendo destruídos, já que ele logo percebe que muito mais empolgante que ver algum deles completamente dizimados é vê-los meio destruídos. Um caos que reforça a ideia de uma invasão.

E é, justamente, esse “novo playground” para os tiroteios que acaba sendo o ponto mais bacana, já que, além de um pequeno tour pela Casa Branca, os amantes de ação irão adorar, tanto a invasão em si, quanto os corredores lotados de corpos e com cara de campo de batalha.

Um esquema que, nos tempos atuais, faz ser impossível não pensar em um videogame (com direito até a um momento onde o personagem ganha seu próximo objetivo e serviria facilmente de cutscene em algum jogo de tiro em primeira pessoa), mas também mantém o ritmo e o interesse de um público que entrou no cinema para ver só isso mesmo: um herói marrento (coisa que Butler tira de letra) colocando fim nos planos de um vilão azarado que, que toma a Casa Branca em 13 minutos, mas não consegue dar conta de um ex-agente do Serviço Secreto. Osso do ofício.


Olympus Has Fallen, escrito por Creighton Rothemberger e Katrin Benedikt , dirigido por Antoine Fuqua , com Aaron Eckhart, Gerard Butler, Dylan McDermott, Rick Yune, Morgan Freeman, Angela Basset, Melissa Leo e Radha Mitchell


Trailer