Idas e Vindas do Amor Filme

Idas e Vindas do Amor

Garry Marshall é um diretor mais que experiente, principalmente quando o assunto é comédia romântica, daqueles que não parecem preocupados com a enormidade de seus resultados, mas que dominam o gênero de forma conclusiva e sem hesitações, resumidamente: seus filmes não são clássicos da sétima arte, mas funcionam perfeitamente dentro de seus limites.

Idas e Vindas do Amor, seu novo filme (que chega agora às locadoras) faz exatamente isso, assim como seu maior sucesso, Uma Linda Mulher, fez. Ambos escancaram um gênero e uma estrutura sem a mínima criatividade, mas de um modo simpático e corretinho o bastante para funcionarem para o grande público. É claro que esse novo filme não vai alcançar a fama do outro, mas pelo menos não poderá ser acusado de ruim.

Nele, Marshall, a partir do roteiro de Katherine Fugate, Abby Kohn e Marc Silverstein costura uma colcha de retalhos de personagens durante o Valentine´s Day (uma espécie de dia dos namorados dos EUA), o filme começa na manhã do dia, termina a sua meia noite e durante esse período vai atrás dos amores, das decepções e das crises desse monte de gente bonita de Los Angeles.

E é essa “gente bonita” que mais prejudica o filme, já que, absolutamente ninguém no filme passa nem perto de ter um visual normal, não feio (já que ninguém quer um bando de gente feia no cinema), mas simplesmente menos estereotipados em suas belezas, em suas roupas e em suas ações, quase desumanizando todos, afastando-os do espectador médio.

Pelo menos, é preciso concordar que Marshall não é Altman, e ele sabe disso ao costurar toda suas múltiplas tramas de um jeito até pueril, mas que se mostra objetivo e possibilita algumas poucas, entre elas, se sobressaírem e valerem a pena. A linha onde os personagens de Julia Roberts e Bradley Cooper só funciona perfeitamente, pois durante todo tempo você acompanhou todo o resto, mesmo que desperdiçado em ligações pouco sutis (que fazem Los Angeles parecer uma cidadezinha do interior) e finais totalmente óbvios.

Uma previsibilidade que faz parte do gênero e é dificílima de ser contornada, já que é essa espécie de status quo emocional que a grande maioria dos espectador que entram no cinema para ver uma comédia romântica procura. Um filme de personagens e tramas fáceis de serem digeridos, que se aproveita do clichê para manter um imediatismo entre todas tramas e não precisar ousar muito na relação entre elas (terreno que, justamente Robert Altman, assim como seu “púpilo” Paul Thomas Anderson, se especializaram em andar, ou melhor se embrenhar, já que seus personagens não precisam se esbarrar para compartilharem da mesma história.). Marshall opta por uma estrutura preguiçosa, mas que no fim das contas se mostra completamente funcional.

Idas e Vindas do Amor entre um elenco estelar, porém de atuações pouco interessantes, se preocupa mais em ser um filme mediano (descartável) do que ganhar o mundo, por isso mesmo só vai até onde sabe que não vai “ferir” sua trama, com seus pequenos romances “bonitinhos” que acabam o dia dos namorados selados por beijos e abraços.


Valentine´s Day (EUA, 2009) escrito por Katherine Fugate, dirigido por Garry Marshall, com Jessica Alba, Jessica Biel, Bradley Cooper, Eric Dane, Patrick Dempsey, Hector Elizondo, Jamie Foxx, Jannifer Garner, Topher Grace, Anne Hathaway, Ashton Kutcher, Taylor Lautner, Shirley MacLaine e Julia Roberts.


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