Ida Filme

Ida

Anna é uma noviça às porta de fazer seus votos, mas antes disso precisa deixar o convento e ir em busca de respostas sobre seu passado. Isso durante a polônia dos anos 60, o que a leva a um segredoIda Poster ligado ao final da Segunda Guerra Mundial. Com esse ponto de partida, Ida é simples, mas o que o diretor Pawel Pawelikowski faz com esse material é digno de palmas demoradas ao final da sessão.

Ida então é praticamente minimalista, feito em um preto e branco que trabalha perfeitamente a dicotomia dessa situação. Estar sob o peso dessa religião e renegar o mundo ao seu redor, ou aceitar que há muito mais coisas a serem descobertas? E o que fazer quando se encontra essas respostas?

No caso de Anna, elas vem junto com uma tia, aparentemente livre das amarras da sociedade, mas secretamente tomada pela culpa e pelo arrependimento que a colocou nesse caminho. Anna na verdade se descobre Ida, judia e filha de uma família desaparecida durante a invasão alemã. É esse passado que ambas vão em busca. E é essa passado que liberta as duas.

Pawelikowski e seus diretores de fotografia, Ryszard Lenczewski e Lukasz Zal, então trabalham esses três momentos como pintores tratam uma tela em branco. Como se soubessem o poder de uma composição. De seus significados. Sabem que podem contar histórias inteiras com um plano estático. E é isso que fazem.

A noviça Ida é esmagada e relegada a um canto do plano como se por pouco não estivesse prestes a ser jogada para fora dele. Como se aquele mundo dentro das paredes daquele convento não a permitissem ser quem realmente é. Um mundo que dá lugar a respostas assim que ela caminha para fora do lugar e não só vai chegando perto da verdade, como do centro da tela.

Ida Crítica

A cada passo que Anna dá em direção à Ida é sua figura que mais chega perto foco de Pawelikowski. E isso fica mais claro ainda quando ela se permite voltar à sua vida antiga, e novamente se ver esmagada por esse mundo, ainda que dessa vez fuja da parte de baixo enquanto encontra o desejo e percebe o incômodo. Talvez então ele não estivesse na falta de respostas, mas sim na falta de perguntas. Enfim, já Ida (não mais Anna) não só experimenta uma outra vida como toma a tela inteira com sua imagem e interage até com parte de cima da composição, algo impensável nos primeiros momentos de filme.

E Ida é exatamente isso: um exercício estético a cada plano. Um filme simples, mas com uma sensibilidade à flor da pele. Que olha para seus personagens com um carinho tão grande e uma vontade tão clara de mergulhar dentro deles que é difícil não sair do cinema sem ter a impressão que ter dado de frente com uma obra de arte.

Uma obra sobre descobrir o que pode ter em mãos antes de abdicar, e sobre o que fazer com o vazio das respostas. Sobre viver uma vida diferente antes de viver sua própria vida. Uma experiência silenciosa e pensativa, que passa rápido demais enquanto deixa para trás todo o caminho que percorreu. Não com arrependimento, mas como ensinamento.


Ficha técnica
“Ida” (Pol/Den/Fra/RU, 2013), escrito por Pawel Pawlikowski e Rebecca Lenkiewicz, dirigido por Pawel Pawlikowski, com Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska, Dawd Ogrodnik, Halina Skyszkowski e Joanna Kulig


Trailer – Ida