Goosebumps Filme

Goosebumps: Monstros e Arrepios | Muitos monstros, poucos arrepios

O escritor R. L. Stine é conhecido como o “Stephen King da literatura infantil”. Se formos levar essa analogias para as telas, a comparação parece se tornar até mais óbvia. Enquanto os monstros criados por King encarnam o drama humano, em Goosebumps: Monstros e Arrepios vemos um louva-a-deus gigante e maluco tropeçando nos carros em seu caminho e um boneco de ventríloquo servindo como o vilão personificado de um mal que está mais para encarnação da travessura.

Dirigido por Rob Letterman e escrito por Darren Lemke (cada um responsável em sua área de expertise pelos simpáticos Montros vs Alienígenas e Turbo), a história e o seu desenrolar em Gooosegumps está recheada de lugares-comuns de filmes do gênero: família que se muda de cidade por conta da morte do pai/marido, vizinho estranho nada simpático, filha do vizinho desobedecendo o pai, escritor excêntrico cuja criação foge ao seu controle e, é claro, o bobo da corte. Todos esses ingredientes, no entanto, se reúnem para entregar uma experiência OK e alguns efeitos bem impressionantes. E seriam ainda mais, se não fossem quase totalmente realizados por computação gráfica, jogando na nossa cara – ainda mais em sua versão descartável em 3D – que todos aqueles seres nunca existiriam em “carne e osso”.

A presença de Jack Black como o escritor traumatizado na infância R. L. Stine e o próprio boneco Slappy (além de uma ponta como garoto invisível) é certeira em não exagerar demais na atuação, ainda que eu preferisse que Black saísse mais uma vez dos eixos, como no ótimo Escola do Rock, ou até no péssimo Nacho Libre. Embora papéis em que o que vemos em tela sejam as caretas e movimentos de sobrancelhas do ator, esse é mais um filme que se beneficiaria do seu overacting de costume. Por outro lado, o par romântico interpretado por Dylan Minnette e Odeya Rush conseguiria seus personagens à quarta potência da loucura e ainda passariam despercebidos, como se os arquétipos do que representam (o mocinho que é a visão mais jovem do escritor, a donzela que possui um segredo por sinal surpreendente) fosse o suficiente para detectá-los e nada mais fosse acrescentado aos seus personagens. O quatro elemento do grupo, Champ, o nerd que tenta alavancar sua popularidade sozinho, ganha no ator Ryan Lee um personagem simpático que até lembra Anthony Michael Hall nos filmes dos anos 80 de John Hughes (Clube dos Cinco, Mulher Nota Mil e, claro, Gatinhas e Gatões), e cujas piadas são enunciadas sempre de uma maneira que o espectador pelo menos esboce um pequeno sorriso.

Goosebumps Crítica

E o problema principal em Goosebumps parece ser exatamente esse: nada consegue elevar a experiência além de pequenos sorrisos em piadas pontuais, ou um olhar de curiosidade em torno das figura computadorizadas. Depois do Abominável Homem das Neves, que surge de uma maneira espantosa através de uma ótima transição prometendo uma perseguição de arrancar o fôlego, ainda mais quando é seguido de um ataque de anões de jardim, logo depois dá lugar a criaturas mais burocráticas e que nunca parecem oferecer tanto perigo quanto no início, servindo apenas para manter o filme em movimento. Depois disso, até o mais distraído e entendiado na sala conseguiria prever as duas ou três reviravoltas e suas conclusões, incluindo uma despedida final que é boba por apresentar a solução no seu próprio problema.

Por fim, Goosebumps: Monstros e Arrepios acaba entregando apenas a primeira parte do subtítulo nacional, se focando demais em mostrar os monstros digitais de todos os ângulos, e se esquecendo da lei número 1 de todo filme de terror (nunca mostrar demais), gerando como consequência não arrepios, mas bocejos eventuais.


“Goosebumps” (EUA, 2014), escrito por Darren Lemke, dirigido por Rob Letterman, com Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush, Ryan Lee, Amy Ryan


Trailer – Goosebumps: Monstros e Arrepios