A Gangue dos Jotas Filme

A Gangue dos Jotas

É extremamente divertido chegar ao final de A Gangue dos Jotas e perceber que não faz a mínima ideia de como aquilo realmente teve início. Não como uma falha do roteiro, mas sim diante de um despojo narrativo tão firme que faz ser impossível não se identificar com o filmeA Gangue dos Jotas Poster e dar algumas boas risadas.

Nele, uma mulher misteriosa, e sem nome (vivida pela própria diretora Marjane Satrapi, nome que você deve lembrar-se da animação Persepolis), acaba trocando de mala com uma dupla de jogadores de badminton no aeroporto. O problema é que, diante de uma história completamente maluca sobre sua irmã assassinada e uma máfia espanhola, os dois caras acabam se metendo em um caminho que os transforma em assassinos profissionais.

E se isso não parece fazer muito sentido, tudo bem, ai está uma das características mais interessante de A Gangue dos Jotas, essa estrutura que beira o non-sense e permite que em poucos minutos ela e a dupla estejam no encalço do tal grupo do título. Um grupo no mínimo interessantemente divertido, já que todos tem a mesma cara (vividos por Ali Mafakheri) e, ao entrarem da tal organização passam a usar nomes com “J”. Juan, Jose, Javier e até um Jesus, que talvez seja uma dica para uma brincadeira do roteiro.

Portanto, nesse momento não só o texto ganha spoilers como uma vontade enorme de entrar no mesmo jogo do filme, não se preocupando em fazer muito sentido. Isso por que do mesmo jeito que a diretora faz questão de mostrar o celular com capinha de chifrinhos e um anel com a palavra perigo, a protagonista ainda faz de tudo para matar Jesus quase no mesmo dia de seu nascimento. Mais ainda, fazendo com esses dois jogadores de badminton se tornem assassinos frios e hipnotizados pelo “charme” meio doido dela, como se não conseguissem fazer nada a não ser o que ela manda. Mesmo diante da descoberta do embuste inicial.

A Gangue dos Jotas Filme

Sim, talvez essa personagem sem nome, que ainda tenta hipnotizar todos no cinema com uma dancinha vexatória em um posto de gasolina (e consegue!), que aparentemente sabe o nome de todo mundo (e faz a ótima piada com um dos personagens logo no começo), fala diversas línguas, não diz de onde veio (e na verdade nem a melhor amiga desvenda, tendo-a conhecido só na infância) e sabe até quantas pessoas se suicidam por dia em um lugar qualquer da Espanha, seja mesmo o “coisa ruim”. E isso mostraria mais ainda o quanto A Gangue dos Jotas é feito apenas para divertir quem entrar nesse barco.

Por outro lado, a direção de Marjane Satrapi, mesmo enquanto ruma para essa história deliciosamente absurda, esbarra em uma simplicidade que não ajuda o resultado final e uma contemplação das paisagens e cenário que não convém ao resto do ritmo. Principalmente, pois as divertidas conversas entre os três no interior do carro poderiam muito bem tomar esse lugar e teriam um efeito muito melhor.

Mas talvez esse seja apenas um modo de “encher linguiça” do filme, do mesmo jeito que se pode usar o parágrafo anterior a ele para tentar explicar o inexplicável para e assim ganhar um texto um pouco mais robusto (e não escrito por um “cineasta frustrado, que só vendeu 18 ingressos, se tornou crítico, e agora vaga por um hotel arrumando coisas”), isso enquanto se esforça para explicar a afirmação de que A Gangue dos Jotas é uma grande piada, e exatamente por isso, não pode ser levado a sério.


“La Bande des Jotas” (Fra/Bel, 2012), escrito e dirigido por Marjane Strapi, com Marjane Satrapi, Mattias Ripa, Stéphane Roche, Ali Mafakheri e Maria de Medeiros.


Essa crítica é parte da cobertura da Itinerância da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Trailer A Gangue dos Jotas

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