Gamer Filme

Gamer

Se você sobreviver aos primeiros cinco minutos de Gamer, não se preocupe, ainda existirão uma bela quantidade de provações contra sua paciência até o resto do filme. Agora, se você passar por todas elas, e ainda chegar ao seu fim celebrando o que acabou de ver, parabéns(!), você provavelmante deve ter entendido ou encontrado alguma coisa nele que eu não consegui.

Gamer é uma experiência histérica e desnecessária, que tenta correr para todos os lados sem chegar a lugar nenhum. Que tenta ser uma crítica, mas acaba sendo apenas um arremedo patético e pseudo-sociológico de uma visão futurística sem sentido e idiotizada. Que vai de video-games humanos a um plano de dominação global sem a mínima vergonha na cara.

Mau dirigido pela dupla Mark Neveldine e Brian Taylor, o filme começa mostrando um futuro a alguns anos desse nosso presente (coisa que já está virando clichê para fingir criar a tal crítica) onde um programa de TV/video-game mostra condenados no corredor da morte participando de batalhas campais, controlados por jogadores do conforto de suas casas. Nesse meio, perto de conseguir a liberdade depois de trinta “sessões”, Kable, vivido por Gerard Buter, precisa escapar disso e ainda resgatar sua mulher (Amber Valetta), que serve de “avatar” em uma espécie de Second Life real.

É lógico que ele é inocente de seus crimes e que esconde um segredo que fará com que o dono do jogo (e aparentemente pessoa mais poderosa da terra), vivido (e desperdiçado) pelo ótimo Michael C. Hall (de Dexter), faça de tudo para que ele não consiga chegar nessa trigésima vitória. Isso tudo ainda faz que a dupla de diretores, que também escreveu o roteiro, acabem achando que juntando tudo e mais uma camera irritantemente mexida numa montagem narrativamente sem objetivo, teriam como resultado um filme, mas só conseguindo ter em mãos, um erro em proporções estratosféricas.

A grande verdade é que a dupla tenta fazer o mesmo que fizeram no divertidíssimo Adrenalina, só que nele sem levar nada a sério e acertando em cheio. Gamer te pede para acreditar em um modo estapafúrdio de controlar os cérebros das pessoas e ainda por cima, te obriga a aceitar que no fim, o vilão poderia estar em um filme qualquer de James Bond “querendo dominar o mundo”, coisa que não cola aqui diante de todo o resto do filme. Gamer ainda desfila uma enorme quantidade de besteiras que irritará até o maior amante de filmes de ação acéfalos.

E quando o assunto é ação, os dois fazem um trabalho pior ainda já que não conseguem criar nem ao menos um inimigo decente para o herói atingir na primeira hora do filme, e quando criam, na presença do brutamontes (ex-jogador de futebol americano e bem conhecido por suas comédias) Terry Crews, acabam apenas apresentando um saco de pancadas que se resume a vociferar ameaças, urros, e que sai de cena, sem a menor importância.

Mas não se assuste se, da metade do filme em diante, tudo parecer tomar um calmante e deslizar pela tela do cinema com calma e objetividade, coisa que se tornaria um acerto, se o cinema inteiro já não estivesse irritado com tudo pulando na mesma tela. É engraçado ainda perceber que essa calmaria toda resulta em um filme muito mais bacana que aquele que começou, dando mais chance para o vilão desenvolver uma caricatura bem-vinda e divertida, com direito até a uma dancinha, que se levada no escárnio, seria um dos pontos altos do filme.

Gamer então se encara com seriedade demais e acaba não percebendo o quanto poderia se tornar um daqueles filmes que ninguém acha bom, mas que adora ver repetidas vezes. Descartável e que passaria correndo diante de seus olhos, parecendo durar um minuto. Coisa que não acontece.


Gamer (EUA, 2009) direção: Mark Neveldine e Brian Taylor, com: Gerard Butler, Michael C. Hall, Amber Valetta, Ludacris