Eu Sou o Número Quatro

Eu Sou o Número Quatro

Seria muito difícil, surpreendente até, ao término de Eu Sou o Número Quatro escutar aquele burburinho que procede a empolgação de um belo filme em uma platéia sedenta por compartilhar sua experiênciaEu Sou O Número Quatro Poster. Simplesmente por que o novo filme de D.J. Caruso (de Controle Absoluto) parece não terminar, ao mesmo tempo em que termina. Meio complicado, mas…

Adaptação do primeiro livro de uma série de Best Sellers escrito por Pittacus Lore (em sua descrição, ele próprio um ancião alien que chegou à Terra. Na verdade, o pseudônimo de dois escritores, mas fiquemos com a primeira explicação que é muito mais bacana), que nesse início apresenta, justamente, esse Número Quatro, um alienígena do planeta Lorien, que foi mandado para cá, ainda criança, para desenvolver seus poderes e, um dia, voltar para lá e derrotar os Mogadorianos.

Na verdade, ele é o Quatro, por que foram nove os enviados, todos com respectivos tutores/guerreiros que protegeriam eles de qualquer perigo. Tudo só começa a dar errado quando os tais Mogadorianos resolvem exterminar esses nove jovens, e para isso precisam fazer tudo em ordem. O filme tem início com eles dando conta do Número Três, com isso, colocando o herói do filme como próximo da fila.

O problema é que, na esperança de um sucesso de bilheterias (o que não aconteceu) ou até com o receio de sair muito das origens literárias, Eu Sou o Número Quatro é apenas esses dois parágrafos acima: um pontapé inicial para uma aventura muito maior, resultando em algo capenga e sem objetivo, que pega todos atalhos narrativos que poderia percorrer e não surpreende em momento algum.

Primeiro o espectador é apresentado a esse cara boa pinta (Alex Petyffer, aquele mesmo de Alex Rider Contra o Tempo) que fica dando piruetas com seu Jet-ski, depois a sua figura paterna (vulgo o tal tutor, Tymothy Olyphant, de A Epidemia e A Trilha), que mais parece dono de loja de aluguel de equipamento de mergulho (depois ele corta o cabelo e fica só com cara de hippie mesmo), e os dois acabam tendo que fugir para uma cidadezinha do interior (onde o tutor tem assuntos a resolver) para se esconderem.

Eu Sou o Número Quatro

É nesse ponto que Eu Sou o Número Quatro ganha seu lado teen, com dinâmica de corredor de high school, valentões, uma mocinha para se apaixonar e um amigo nerd para proteger. Tudo isso enquanto ele começa a descobrir seus poderes (não hormônios) e é obrigado a mantê-los escondidos (os poderes, não os hormônios). Pior ainda, na falta de um conflito, já que sua estrutura consiste em apenas mostrar essa nova vida dele, enquanto os Mogadorianos rastreiam seu caminho (há ainda uma moça misteriosa que também o persegue, mas está alguns passos a frente dos bandidos) o filme é refém apenas dessa trama sem ritmo. Resumindo: uma linha narrativa cansativa e sem novidades que irrita, telegrafa as reviravoltas e parece só preocupada com uma grande sequência de ação no final.

Eu Sou o Número Quatro é ainda pretensioso o bastante de acreditar que não precisa de muito mais que isso para fazer seu espectador esperar a tal sequência final (durante o resto do tempo, apela para uma briga com um quarteto de valentões e uma explosão em câmera lenta e só). Quem vai esperando um filme de ação fica entediado e quem vai atrás desse amor adolescente é obrigado a engolir um romantismo raso e sem graça, que esbarra em maquinas de fotografar analógicas e a descoberta que “nós Lorianos, não somos como os humanos, nosso amor é eterno e único”, além de ter que aguentar o protagonista gritando “você não é meu pai!” para seu tutor, em  um arroubo adolescente.

Eu Sou o Número Quatro acaba então sendo uma pseudo ficção científica teen, jovenzinha demais e sem saber direito aonde chegar, só conseguindo então ser um show de pontas soltas que não dão a mínima vontade de serem atadas.

confira aqui o trailer do filme Eu Sou o Número Quatro


I Am Number Four (EUA, 2011), escrito por Alfred Gough, Mile Millar e Marti Noxon, a partir do livro escrito por Pittacus Lore, dirigido por D.J. Caruso, com Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Dianne Agron, Callan McAuliffe e Kevin Durand.