Espinhos

Espinhos filme

Diferente dos outros gêneros, que quase sempre parecem muito mais cobrados, o terror precisa de muito pouco para funcionar. É verdade que para tornar-se um clássico o esforço é bem maior, mas para simplesmente não frustrar os amantes do gênero basta uma idéia interessante.

“Mas então por que todo filme de terror é igual” perguntaria o incauto leitor sobre toda estrutura carona /pneu furado/sarro no caipira errado/atalho que sempre serve de ponto inicial para qualquer filme do gênero, simples: por que esse é o jeito mais fácil de levá-los a algum lugar onde serão dizimados por algum monstro/caipira/assassino serial/seita. É exatamente aí que reside a beleza do gênero, na facilidade com que um filme de terror pode ser criado, bastando um vilão bacana e alguns jeitos interessantes de se matar alguns personagens, o resto, são vísceras, sangue e, no máximo, uma dupla de sobreviventes (nunca mais que isso), e Espinhos segue essa cartilha à risca.

Logo de cara, um frentista de um posto de beira de estrada no meio do nada, é atacado por algo que parece ser um cadaverzinho de alguma raposa, na sequencia, o casal protagonista passa por uma plaquinha na estrada anunciando algum tipo de risco biológico na área. Pronto, agora é só levá-los para aquele posto e começar o filme, para isso contam com um casal de fugitivos, uma carona errada, um pneu furado (esse já fazendo parte da trama propriamente dita, com os tais espinhos do título presentes), um radiador queimado e logo estará o quarteto no mesmo posto, só que agora já com a companhia do frentista transformado em um defunto meio vivo.

Espinhos sai na frente entre milhões de filmes de terror que são lançados nos cinemas todo ano (e que aqui vão direto paras as locadoras como o próprio), por saber onde está pisando. Coloca seus personagens dentro da loja de conveniência e daí por diante deixa seu filme andar sozinho, eles tentam sair, o monstro impede, e isso se repete até o final heróico, igual a todos outros mas com uma pontinha de novidade, talvez ao apresentar um inimigo instintivo, que apenas anda em linha reta e mata, na verdade uma espécie de fungo que toma conta do corpo morto e o usa de marionete (os espinhos do título são um espécie de… espinhos que saem do cadáver), ou talvez por simplesmente não tentar inventar.

O diretor Toby Wilkins ababa mostrando não só essa segurança narrativa como ainda uma visual ao mostrar de frente tudo aquilo que os fãs do gênero querem ver, não poupando o espectador de sangue, closes no próprio monstro e nojeiras em geral. Ainda promove a decepação de um braço com um estilete (mesmo sendo obvio que a pequena lâmina não conseguiria serrar o osso… mas para isso ele usa um tijolo) em um plano detalhe que é sempre interessante nesse tipo de situação e clima.

É obviamente que quem não gosta do gênero irá apontar todos esses mesmo aspectos como defeitos gigantescos, muitas vezes sem saber que é isso que faz do terror o que ele é, do mesmo jeito que o noir se alimenta de suas femme fatales, o músical de seus bailarinos, o suspense de seus assassinatos, a aventura de seus vilões maquiavélicos e o drama de seus sacrifícios. O terror, por sua vez, se dá o bel prazer de poder usar tudo isso, contanto que coberto de sangue.


 Splinter (EUA, 2008) escrito por Ian Shorr e Kai Barry dirigido por Toby Wilkins com Jill Wagner, Paolo Constanzo, Shea Winghan e Rachel Kerbs


1 Comment

  1. Um filme bom,uma história bem bolada e inteligente quem gosta de filmes de ficção cientifica,monstros vai adora esse,a única de coisa de ruim é que a camera n foca
    no monstro e quando mostra o bixo fica balançando mas o resto fica de boa .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.