Especial Oscar 2013 – Atores/ Atrizes

Talvez uma das categorias mais fáceis de serem entendidas pelo público geral seja mesma àquelas ligadas aos atores. Com pouco ou quase nenhuma tecnicidade, qualquer amante de cinema consegue separar uma boa atuação de uma ruim. Um discernimento que, por incrível que pareça, nem sempre é um dádiva dos votantes da Academia.

Atores são o combustível dessa indústria (ou “gado”, como nosso querido Hitchcock gostava de lembrar) e “estar bem” com eles é uma mão na roda para cada produtor e diretor de Hollywood, do mesmo jeito que muitos atores parecem impregnados por um ranço que os afasta da noite de gala no Kodak Theatre. Então, logo de cara, não é surpresa descobrir Leonardo DiCaprio mais uma vez ignorado pelo Oscar.Leonanardo DiCaprio

Com 11 indicações ao Oscar Titanic parece ter funcionado em todos os setores, menos na pele do galã, já que DiCaprio ficou de fora, isso mesmo com seu sensacional trabalho em Gilbert Grape anos antes, que lhe valeu uma indicação, mas não uma vitória no Oscar. Ano que foi, ironicamente, do inexplicável Tommy Lee Jones por seu papel burocrático em O Fugitivo. Justamente (e voltando ao presente), por que em 2012, o Calvin Candle de Django Livre ficou de fora, e se DiCaprio for à cerimônia, vai ver o mesmo Lee Jones levar para casa mais uma estatueta dourada.

Não que o “risonho” astro de Lincoln não merecesse o prêmio, mas sim a estranheza seja a ausência, mais uma vez, de DiCaprio, principalmente diante da presença de seu companheiro de cena Christoph Waltz, que esse ano já levou o Globo de Ouro e o Bafta, mas deve ficar mesmo só nesses, já que a Academia adora Tommy Lee Jones (além dele esse ano ter ganhado já o SAG). DiCaprio facilmente se encaixaria até no lugar do próprio Waltz ou senão na presença de outro “amigo” da Academia, Robert De Niro, que não faz nada mais que o necessário como coadjuvante em O Lado Bom da Vida.

Tommy Lee-Jones

E nesse caso, longe de De Niro sequer ter tido uma indicação que esbarrasse em qualquer dúvida (e nas vezes que não levou acabou sempre sendo por mérito de outro ator, como quando foi indicado por Cabo do Medo, mas perdeu para o Hannibal Lecter de Anthony Hopkins). Mas é impossível negar que a própria Academia ficou tão feliz em vê-lo em um filme que prestasse (coisa que não acontece há anos) que não perdeu a oportunidade de homenageá-lo mais uma vez. Coisa que aconteceu com a fraquinha Sally Field.

Em um ano apagado para as atrizes, Field (ganhadora de dois Oscars, em 1980 e 1985) volta a frequentar a cerimônia depois de quase duas décadas sem passar pelo tapete vermelho (deve ter ido torcer por Forrest Gump em 1994), mas sem, em momento algum parecer ter o vigor suficiente para levar a estatueta. E não só por Anne Hathway (que já ganhou o SAG, o Globo de Ouro e o Bafta) levar o prêmio por seu número “I Dreamed a Dream” em Os Miseráveis, mas sim por Field ser quase um adereço de Lincoln, uma tentativa de drama familiar que quase sai de foco e prejudica o filme de Spielberg, muito mais do que ajuda.

E falando em adereço, é difícil engolir a presença completamente errônea e equivocada da ótima Jacki Weaver (que já levou um Oscar mais que merecido pelo sensacional “Reino Animal”), que surge entre as indicadas a Melhor Atriz Coadjuvante agora por seu trabalho descartável e “O Lado Bom da Vida”. Uma verdadeira injustiça com a sensível e divertida participação de Maggie Smith em O Exótico Hotel Marigold, muito mais merecedora de um lugar na noite de gala mais famosa do cinema.

Jennifer Lawrence

Falando no simpático filme de David O. Russel, que conquistou mesmo todos em Hollywood, ele deve mesmo sair da cerimônia com poucas estatuetas, mas ainda assim uma entre as categorias mais importantes, já que Jennifer Lawrence deve mesmo agora ter a oportunidade de fazer aquele discurso que nem deve ter se dado o trabalho de ensaiar em 2011 quando concorreu por seu trabalho no ótimo O Inverno da Alma (e Natalie Portman levou por O Cisne Negro). Lawrence é simpática e, principalmente, não deixa de fazer um trabalho interessante em O Lado Bom da Vida, já levou o SAG, o Globo de Ouro e deve sair da cerimônia segurando seu careca dourado.

O curioso é que, tirando a outra possibilidade de vitória na categoria, a prolífica Jessica Chastain (que em dois anos apareceu em sete filmes, fora sua voz em Madagascar, foi indicada ao Oscar por sua participação em Histórias Cruzadas, e agora por A Hora Mais Escura e ainda por cima, injustamente, esquecida por seu trabalho sensível em Árvore da Vida), a categoria de Melhor Atriz do Oscar 2013 será lembrada apenas pelas presenças de dois marcos da premiação.

Anne-Hathaway

De um lado, Quvezenzhané Wallis, mais nova atriz a ser indicada ao prêmio (tinha apenas seis anos quando estreou Indomável Sonhadora), do outro, a francesa Emmanuelle Riva, com 86 anos e mais velha indicada da categoria. O curioso é que a segunda acaba tendo grandes chances de fazer Lawrence guardar seu discurso para uma terceira indicação, já que a estrela de Amor acabou de ser reconhecida pelo Bafta, mas foi esquecida pelo SAG (não tenho certeza se foi ignorada pelo Sindicato dos Atores ou se nem era elegível). A verdade é que, se o Oscar fosse justo, nenhuma das quatro indicadas nem apareceria na cerimônia diante do impressionante e comovente trabalho de Riva. Mas justiça e Oscar nem sempre andam juntos.

Mas de todos os atores indicados ao Oscar 2013, ninguém tem mais azar que Hugh Jackman e Joaquim Phoenix, já que ambos conseguiram fazer, talvez, os melhores trabalhos de suas carreiras, justamente, no ano que Daniel Day-Lewis resolveu sumir e dar lugar ao 16° Presidente dos Estados Unidos, o que já lhe rendeu um SAG, um Bafta e o Globo de Ouro. Além de lhe garantir mais um Oscar.

E falando em Joaquim Phoenix, é igualmente curioso perceber tanto seu nome, quanto de Phillip Seymour Hoffman e Amy Adams entre os indicados ao Oscar, mas ao mesmo tempo não ver mais o nome do sensacional O Mestre em mais nenhuma categoria da premiação, o que soa bem misterioso diante do genial, cuidadoso e dinâmico trabalho do diretor e roteirista Paul Thomas Anderson (sem falar em uma fotografia, direção de arte e montagem que também mereceriam uma lembrança).

Daniel Day-Lewis

Um reflexo de uma nova Academia que parece pronta para conviver com a polêmica de não indicar a Melhor Diretor o responsável pelo provável ganhador do Oscar (Argo), mas que, como sempre acaba não surpreendendo ninguém.

Então podem apostar em seus bolões:

Melhor Ator – Daniel Day-Lewis porLincoln
Melhor Ator CoadjuvanteTommy Lee Jones por Lincoln
Melhor AtrizJennifer Lawrence por O Lado Bom da Vida (em um mundo perfeito a Emmanuelle Riva…)
Melhor Atriz Coadjuvante Anne Hathaway por Os Miseráveis


Confira também a primeira parte do Especial Oscar com uma análise da categoria de Melhor Diretor


Confira também a segunda parte do Especial Oscar com uma análise da categoria de Melhor Curta Metragem em Animação


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