Enrolados

Crítica do Filme Enrolados

Por mais incrível que possa parecer para essa nova geração, até meados da última década do século passado, os computadores não eram algo tão popular assim, pior ainda, todas animações eram feita à mão, com objetos como lápis, pincéis e folhas de papel. Nesse período, quem reinava absoluta era a Walt Disney (e ainda o faz depois de ter comprado a Pixar, mas isso é outro assunto) que, em 1937, lançou sua primeira animação (Branca de Neve…) e ainda coroou isso tudo em 1991 com uma indicação ao Oscar (e levando o Globo de Ouro) por A Bela e a Fera. Toda essa explicação, apenas para falar que é impossível não ver Enrolados, nova animação da casa do Mickey, e não pensar nessa época. Não que essa nova versão do clássico Rapunzel seja diferente do que as animações atuais se tornaram, ela continua sendo um amontoado de Pixels, ainda mais em 3D, com quase nenhuma presença de papel e muitos cliques no mouse, mas no fundo, nem tão longe assim, fica fácil perceber sua vontade de fazer parte dessa época áurea da animação.

A começar por se tratar de uma história clássica, da moça que é criada por uma bruxa no alto de uma torre, até a chegada de um príncipe. Aqui, Rapunzel ganha status de uma princesa sequestrada pela própria Bruxa, já que os longos cabelos mágicos da criança são o único modo de mantê-la jovem para sempre. Ainda com o intuito claro de modernizar um pouco toda ideia, o “príncipe encantado” agora é um charmoso ladrão, procurado por todo reino, que acaba se refugiando na torre sem saber da presença da moça e seus cabelos.

Mas o importante disso, é que a dupla de diretores Nathan Greno e Byron Howard (ambos velhos conhecidos da Disney em seus departamentos técnicos e o segundo ainda tendo dirigido Bolt – O Supercão) acaba se mostrando reticente, por sorte, em deixar Enrolados ser algo a não ser um belo filme da Disney sobre uma princesa, um príncipe, uma bruxa e algumas canções (além de um coadjuvante engraçadinho, nesse caso dois, um camaleão e um cavalo, ambos sem falas mas cheios de personalidade). Um conto de fadas com felizes para sempre no final e tudo mais.

O lado moderno da produção acaba ficando à cargo de um humor mais cínico (coisa que acaba se mostrando mais e mais obrigatório nas produções atuais para conseguir atingir também um público mais adulto) já que, mesmo dentro desse clichê meio irmãos Grimm meio Disney, ninguém ali parece preparado para fazer seu papel. Do mesmo jeito que o príncipe se transforma agora em um ladrão mais que canastrão, Rapunzel mais do que nunca é uma garotinha que faz 18 anos e só quer sair de casa, já que a mãe superprotetora se mostra contra tal coisa. A Bruxa, por sua vez, em mais de um momento parece “descobrir” que na verdade é a vilã da história, como se, exatamente, não conseguisse perceber isso por tudo que já tenho feito (como encarcerar uma garotinha e explorar seus dotes).

Mas é lógico que todo esse apelo dramático e extremamente bem desenvolvido e, em nenhum momento, se mostra mais importante que Enrolados em si, seu ritmo e seus personagens. Em um bela e engraçadíssima montagem, Rapunzel se alterna em uma bipolaridade que a faz querer aproveitar cada momento daquela fuga para o mundo ao mesmo tempo que se retorce em remorso por ter feito o contrário do que sua “mãe” lhe permitia. Em outro, um grupo de bárbaros selvagens se deixam levar por um número musical à la Broadway, mostrando que, na verdade, cada um gostaria mesmo é de ser pianista, mímico e mais um monte de outras loucuras. Dois momentos, entre outro, que, com certeza, mostram o quanto é possível fazer um filme sobre uma princesa, muito mais apontado para o público infantil, mas que ainda assim, faz isso funcionar para os adultos, já que esses acabam se divertindo com o bom desenvolvimento dos personagens.

Por outro lado, ao chegar no Brasil sem nem ao menos uma copia legendada, esse mesmo público mais velho vai ser afastado automaticamente, já que fica claro uma enorme perda de identidade na versão nacional. Ainda que as versões das canções não prejudiquem tanto, já que pouco perdem em seu lado narrativo, é difícil não olhar para as originais e perceber o quanto suas vozes acabam muito mais à vontade e fortes nesses momentos, nada que prejudique muito, mas ainda assim algo para se pensar, já que, até onde uma aposta no original não fosse então carregar para o cinema um público que cresceu com esse tipo de história e adoraria ter um novo encontro desse tipo hoje?Crítica do Filme Enrolados

Mas ainda nesse assunto, o que fica difícil de entender, é a horrorosa mania nacional de escalar não profissionais para fazer o papeis que deveriam ser dados à dubladores profissionais. Desta vez, talvez só para constar no cartaz, Luciano Huck acaba ficando com o papel de Flynn Rider (o príncipe/ladrão), completamente fora de ritmo e sem parecer entender o significado da expressão “interpretação”, ainda que só pela voz. Tudo fica mais esquisito ainda quando o mesmo é substituído durante as canções, deixando difícil entender por que essa mesma voz não fez às vezes no resto do tempo. O que, provavelmente, teria sido um acerto muito mais garantido.

O bom disso, é que o visual bem cuidado não deixa que esses problemas atrapalhem tanto assim, principalmente para os menores que se divertirão do mesmo jeito com esse conto de fadas cheio de aventura e um visual 3D caprichado que não deixará ninguém sair do cinema decepcionado.

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Tangled (EUA, 2010), escrito Dan Fogelman, (a partir do conto de Fadas dos irmãos Grimm), dirigido por Nathan Greno e Byron Howard, com vozes (no original) de Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy e Ron Pearlman

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Trailer de Enrolados

8 Comments

  1. Sabrina de paula bueno esse filme é de mais é muito legual mesmo é super.

    bianca torquato bueno ossa eu gostie muito desse filme ossa é muito legual.

    o produtor desse filme esta de parabens!! o produtor ossa ficol tam legual eu gosta da parte da musica ja passou o nevueiro

  2. adorei o filme,e uma verssao moderna e divertida de rapunzel,mas com as animacoes em 3d ficaram ainda melhores.a bruxa ganha status sendo a rapitora ,ao mesmo tempo q precisa dos longos cabelos para ter juventude eterna.o ladrao tornasse principe remonta a fantasia de q oamor refaz as personalidades.

  3. adorei o filme mas não gostei quando o joão cortou o cabelo da rapunzeu deveria deixar o cabelo meio grande

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