Editorial – Superbatman

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Prazer, Sentinela!

Tudo bem, eu tinha prometido comentar o resto do que aconteceu na Comic Con envolvendo os super-heróis dos quadrinhos que irão ganhar os cinemas nos próximos anos, mas aparentemente acho que um assunto ainda ligado a isso passou a ficar mais sob os holofotes: o Batman.

Mas só para não ficar sem falar no resto, aqui vai: o próximo Homem Aranha deve ser mais espetacular ainda e deve abrir a porta para um Sexteto Sinistro nos dois outros filmes (além de, é claro, a morta da Gwen Stacy), possibilidade que é ótima para os fãs; já do lado dos mutantes, mais um filme dos X-Men com Wolverine no foco central e o desperdício de manter aquilo que deu tão certo no Primeira Classe, mas pelo menos teremos finalmente os sentinelas (esse ai do lado direito!).

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E voltando ao Batman, bom, depois do anuncio de que o morcegão irá invadir a suposta continuação do Homem de Aço, Zack Snyder foi, publicamente, bater um papo com um cara chamado Frank Miller, o que deixou fãs e imprensa em polvorosos com o que isso pode querer dizer.

E o que isso quer dizer? Na humildade opinião desse que vos fala é que a Warner/DC está prestes a dar um tiro no pé. Primeiro por ir conversar com Miller, que, é verdade, escreveu e desenhou O Cavaleiro das Trevas, mas também o mesmo Miller que só chafurdou em sua própria lama quando concebeu a sequencia da minissérie, e mais recentemente se meteu a diretor e destruiu “The Spirit”, se tornando uma cópia imbecil dele mesmo (já que bebeu na mesma fonte que Robert Rodriguez em Sin City e o próprio Snyder em 300, vulgo ele).

Portanto, é realmente difícil achar que disso saia algo minimamente interessante senão apenas o uso do final de O Cavaleiro das Trevas, onde Batman dá uma verdadeira surra no Superman. O que os fãs, no afã do momento, podem não perceber é que nas páginas do gibi aquilo só funciona graças a todo contexto, a toda figura que se cria dos heróis, afastados pela ideologia de uma sociedade falida. O “azulão” como um instrumento comandado pelo governo e o Batman como o reflexo (fascista) de uma sociedade oprimida e que enxerga nele a esperança, um símbolo. E eu duvido que tudo isso possa ser minimamente arranhado em um próximo filme, ainda mais, pois colocar o próprio Homem de Aço como manipulado é algo impensável, já que o filme é dele.

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A famosa surra do final de O Cavaleiro das Trevas

Por fim, a notícia de que a DC já estaria em busca de um novo Batman, e que dessa vez estaria “na casa dos 30 ou 40” anos demonstra mais ainda que eles não fazem a mínima ideia de onde isso pode estar para chegar. Obviamente, não existe um roteiro escrito, muito menos um esboço, e isso pode significar que ele pode muito bem acabar sendo estruturado ao redor da escolha desse próximo Bruce Wayne, que pode acabar sendo alguém com cara de macho como o Josh Brolin ou John Mangalianno (ou ainda Max Martini) ou se tornar quase um galã teen, como Ryan Gosling ou Matthew Goode. Resumindo, opções que quase não fazem sentido dentro do que pode vir a acontecer.

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Josh Brolin, John Mangalianno, Ryan Goslin e Matthwe Goode

Os Vingadores com isso?

E o problema pode realmente ser a Marvel e seu grupo de heróis, já que até pouco tempo atrás (leia-se antes da Comic Con) na DC/Warner não existia plano oficial algum do futuro de seus personagens no cinema. Muitos rumores é verdade, mas nada que pudesse ser publicado sem medo de ser desmentido. Enquanto isso, do outro lado, Vingadores 2 chegará em 2015 e antes disso os cinemas ainda terão a presença de continuações de Capitão América, Thor e ainda o primeiro filme dos Guardiões da Galáxia.

Era óbvio que o Superman fosse ganhar uma continuação e que em um outro momento até isso se refletisse em um filme da Liga da Justiça, mas não havia nada programado, o que faria com que, enquanto a Marvel/Disney enchia o bolso de dinheiro nos próximos dois anos, a DC… bom a DC iria ao cinema ver os filmes de sua rival.

E isso, diante de um Homem de Aço que ficou bem aquém do esperado. Tendo estreado nos Estados Unidos há quase dois meses, “ganhou” nas bilheterias apenas pouco mais do dobro do que custou. “Apenas”, por que, para se ter uma ideia, o último filme do Batman, (aquele com o Tom Hardy balbuciando por trás da máscara do Bane), que custou quase a mesma coisa que o do “protetor” de Metrópolis , saiu de cartaz com mais de um bilhão no bolso (números mundiais).

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“azulão” e Batman na nova fase “coxinha” da DC

Isso sem esquecer que aquele segundo filme (com o Coringa de Heath Ledger) custou menos ainda e saiu com um pouco mais do que isso nos bolsos. E isso não quer dizer que Homem de Aço tenha sido um desastre, já que em termos de números só ficou atrás dos três Homens de Ferro, dos três primeiros Homens-Aranhas e, é claro, dos Vingadores (além dos dois últimos Batmans já lembrados), exemplos de fenômenos que, independente de suas qualidades, não teriam outro destino diante dos sucessos prévios de suas franquias.

O engraçado é que isso, muito provavelmente, acabasse acontecendo com o próprio Superman (assim como aconteceu com o Batman e com o próprio herói nos anos 80), já que o segundo filme talvez pudesse ser formatado para algo mais livre da pressão da estreia, onde Lex Luthor pudesse ser explorado e a mítica do personagem pudesse ser mais desenvolvida. Enquanto isso em Gotham City um vigilante com chifrinhos surgisse mais uma vez e assim por diante. Sem Pressa.

Batman vs. Superman (ou vice versa) será o resultado de pressa, de uma aparente obrigatoriedade de disputar o “filme do ano” com os Vingadores. Do peso de não ter conseguido estourar nas bilheterias com o primeiro de todos os super-heróis e agora tentar aproveitar a popularidade de seu parceiro soturno dos gibis para voltar a faturar no cinema.

A DC escorregou, e diante da obrigatoriedade do hype decidiu dar um passo muito maior do que sua perna e tem tudo para se esborrachar do alto do prédio mais alto de Metrópolis.

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