Editorial – Novidades da Comic Con (Parte 1)

Já houve um dia em que a famosa Comic Con de San Diego (Estados Unidos) era uma convenção repleta de nerds e artistas dos quadrinhos, assim como um monte de bugigangas para serem compradas pelos fãs e cosplays a dar com o pau. Mas os tempos são outros, e o “comic” só não sai do nome, pois os heróis dos quadrinhos invadiram o cinema, por que a cada ano que passa a coitada da nona arte fica mais e mais de lado.

Mas nem de longe isso é ruim, ainda mais, pois a cada ano Marvel e DC brigam por mais e mais espaço ainda durante a feira para celebrar seus grandes lançamentos no cinema. E não era exatamente isso que os fãs mais pediram a vida inteira: seus heróis preferidos nas telas? Então agora aguenta!

Por isso vamos ao que interessa, já que você pode até não ter pedido, mas aqui vão minhas impressões sobre esse começo de uma Comic Con movimentado para os cinemas.

Grandes Surpresas da Distinta Concorrência

De cara, Zack Snyder e a DC tentaram (e talvez tenham conseguido) quebrar a banca e surpreender a todos: não haverá Homem de Aço 2!

Mas calma, a surpresa que eles guardaram é, justamente, o teaser com a sobreposição do “S de esperança” com o famoso morceguinho do esquizofrênico preferido de Gotham City. Superman e Batman em um mesmo filme. Não sabem ainda se entrará no título um “vs” e nem o nome de quem deve vir primeiro, mas o importante é que os dois pilares da editora estarão nas telas juntos.

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De um lado, isso soa como a evolução natural, ao invés de inflar um próximo filme com a Liga da Justiça e tudo o mais (e assim dar tempo para o público esquecer um pouco o fiasco Lanterna Verde), por outro, parecendo, justamente, o medo de apostar em um novo cenário mais conciso (como a Marvel fez), o que obrigaria filmes solos de personagens como Flash e Aquaman, além de Mulher Maravilha (e quem sabe uma segunda chance para o Lanterna Verde), além, é claro, de um novo filme apresentando um novo “Cavaleiro das Trevas”, já encravado nesse novo mundo. Uma estratégia que faria com que o grande filme da Liga da Justiça ficasse engavetado por mais no mínimo meia dúzia de anos. Mais de meia década tomando porrada da Marvel e de seus Vingadores, cenário que não parece ser o mais interessante para a casa do Superman.

Snyder então já firmou que voltará para esse próximo filme, ao qual aposto que ninguém fosse reclamar se acabasse se chamando Melhores do Mundo (como o gibi original da dupla, Worlds Finnest) e que no final pudéssemos ver o “azulão” tomando uma sova de um Batman em uma armadura à lá O Cavaleiro das Trevas (de Frank Miller), mas infelizmente esperem muito mais da nova fase “coxinha” nos Novos 52. De certo, ainda é que David. S Goyer volta a escrever o roteiro, Christopher Nolan volta na produção e que o novo Batman não deve mesmo ser aquele vivido por Christian Bale.

Feijão com Arroz

E se a Warner/DC explodiu um pouco de cabeças com essa notícia, sobrou então para a Marvel fazer aquilo que mais garantiu o sucesso de suas incursões no cinema: mostraram trabalho!

Primeiro, Joss Whedon afirmou que em 2015 chega aos cinemas Os Vingadores – Age of Ultron, notícia que primeiro fez todos caírem para trás, depois surpreendeu mais alguns e no final das contas garantiu aquela sensatez que o Estúdio vem tendo.

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De cara, o novo filme não terá nada da série homônima que está para estrear nos quadrinhos (por sorte, já que nela a premissa passa por viagens temporais e realidades alternativas… o poderia soar presunçoso). Whedon ainda lembrou que o universo dos cinemas é independente dos quadrinhos e que, ainda por cima, o filme terá muito mais espaço para o Gavião Arqueiro. Na sequencia, acabando com a esperança de alguns fãs, lembrou que não será dessa vez que o cientista/Homem-Formiga Hank Pyn entrará para o grupo (ainda que o diretor Edgar Wright já tenha afirmado que um filme dele esteja engatilhado em sua agenda).

O interessante disso é, justamente, a solidez dessa decisão, já que, mesmo com o personagem (Pyn) tendo criado o robô Ultron, Whedon irá preferir apostar na história, na trama e em nos personagens que já foram apresentados ao invés de ter que “perder tempo” colocando novos protagonistas em um grupo que já está concretizado e fez um ótimo trabalho salvando Nova York (dizem por ai que muito melhor até que o “porcalhão” do Superman e sua Metrópolis destruída). Apostar na mesma dinâmica é uma decisão certeira e de quem sabe que não precisa inventar uma “nova roda”, deixando esse trabalho para a Distinta Concorrência.

Mas então onde foi parar Thanos depois daquela aparição pós-créditos? O gigante púrpura apaixonado pela morte deve mesmo ter seu destaque em Guardiões da Galáxia, que também ganhou um ótimo espaço na Comic Con. Bom, não com muitas notícias e novidades, mas, com certeza, empolgante por mostrar bastante do visual dos personagens principais e algumas artes conceituais como a que apresenta o quinteto de protagonistas já com os rostos de Chris Pratt como Star Lord, Zoe Saldana como Gamora (que nos quadrinhos é filha do próprio Thanos) e o lutador Bautista como Drax. O resto da equipe deve ser gerada por CGI, já que se trata de um alien em forma de árvore e de, literalmente, o “guaxinim” Rocket Raccoon.

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Além disso, quem está lá na Califórnia ainda teve a oportunidade de ver um teaser que não foi liberado na internet, mas que empolgou muita gente. Querem saber minha sincera opinião? Guardem Guardiões da Galáxia com muito carinho, já que ele tem grandes chances de ser divertidamente cósmico do exato modo que o Lanterna Verde não conseguiu ser.

Já para Capitão América 2: O Soldado Invernal, a grande novidade é que Whedon (que serve, na verdade, como uma espécie de organizador desse universo cinematográfico) afirmou que a grande ligação entre o primeiro Vingadores e a Era de Ultron será através dele (e não do Guardiões da Galáxia, como todos esperavam), o que acaba sendo uma surpresa incrível, já que era difícil achar que o “bandeiroso” tivesse muito mais aonde ir depois da Segunda Guerra.

E voltando à minha opinião, o Batman pode surrar o Superman até a cara dele virar uma sopa, mas nessa guerra cinematográfica (diferentemente dos quadrinhos, antes que algum fã me xingue!) é impossível não apostar as fichas na Marvel, que parece continuar fazendo aquilo que vinha prevendo, principalmente ao invés de tentar ganhar a atenção com grandes surpresas bombásticas. E o grande acerto é, justamente, não precisar de um grande resultado de bilheteria, mas sim convivendo bem com cinco resultados que devem ser mais que satisfatórios em três anos (contando com o Homem de Ferro 3).

Enquanto a Marvel tenta criar um legado (ainda que movido a muitos dólares), a DC ainda parece presa à pretensão divina de seus personagens ao invés de apostar na simpatia de seus heróis.

Depois volto a falar dos X-Men indo ao passado e do “amigão da vizinhança” voltando às origens.

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