Editorial do Oscar 2011

por Vinicius Carlos Vieira em 23 de Fevereiro de 2011

Ontem, às 19h pelo nosso horário, toda a corrida pelo Oscar, lobby e exercício de adivinhação, chegou ao fim com quase seis mil votantes entregando seus preferidos nas 24 categorias lacrados em um envelope para a auditoria. Ou seja, hoje “O Discurso do Rei” ou “A Rede Social” já pode ser considerado um dos vencedores do grande prêmio da noite, ainda que, provavelmente ninguém (somente dois auditores) saiba com certeza.

Como nunca ganhei nenhuma estatueta, nem fui indicado e muito menos convidado a fazer parte do corpo de eleitores, não vejo problema nenhum em divulgar que meu voto seria para “A Rede Social”, o problema é que, aqui de fora, sei que as chances dele ganhar vão ficando menores a cada dia. Portanto, se tivesse que entrar na bolsa de apostas meu suado dinheiro iria para a história da gagueira do Rei George VI.

É lógico que a Academia pode surpreender a todos e fazer a história da criação do Facebook residir, para o resto da história do cinema, naquela porcentagem de (mais ou menos) 30% dos filmes que levaram para casa o prêmio de Melhor Filme, mas não fizeram o mesmo caminho na corrida dos Sindicatos especializados (dos atores, dos diretores, dos produtores etc.). Bem verdade, ainda existe um outro fator que aponta “O Discurso do Rei” como o provável vencedor (e esse, nem “A Rede Social” nem nenhum outro concorrente conseguirão batê-lo): seu baixo índice de rejeição.

“O Discurso do Rei” é um filme pasteurizado, que não sai da linha, não se empolga, olha para o mundo com esperança, é baseado em fatos reais e faz o espectador sair do cinema feliz por ter tido aquela experiência, mas nunca empolgado com o resultado cinematográfico daquilo. Não uma falta de coragem, mas simplesmente o “meio” que o diretor Tom Hooper achou melhor para chegar naquele “fim”. É difícil alguém não gostar de “O Discurso do Rei”, mas é absolutamente fácil um monte de gente torcer o nariz para qualquer um dos outros nove indicados, muito provavelmente pois todos  apostam em suas personalidades fortes para serem filmes muito mais corajosos.

A Origem” é o blockbuster cabeça de ficção, “Minhas Mães e Meu Pai” é a comédia lésbica que quer ser um drama familiar, “Toy Story 3” é o desenhinho, “O Vencedor” é o filme de boxe, “Cisne Negro” é um conto de fadas depressivo sobre balé, “Inverno da Alma” é simplesmente depressivo, “127 Horas” é verdadeiro demais, “Bravura Indômita” ignora o original e “A Rede Social” é verborrágico. O engraçado de tudo isso é que, justamente esses adjetivos são o que mais conta a favor dos mesmos, dessa vontade deles de serem diferentes dentro da mesmice. Em uma realidade paralela, todos esses nove filmes teriam mais chances que “O Discurso do Rei” por ele ser só uma história sobre um cara que precisa ultrapassar alguns obstáculos, que é a sinopse mais genérica que o cinema pode conhecer, e que todos concorrentes apresentam, só que o fazem tentando ser minimamente diferentes e surpreendentes.

E ainda que nenhum dos oito tenham chances reais de ganhar, vão ser, provavelmente, eles que servirão de fiel da balança para que um dos dois saiam vencedores. Será essa corrida por fora que pode diminuir o número de estatuetas a serem disputadas pela dupla que pode ditar quem será quem na noite do dia 27, portanto, o melhor é olhar bem para o número de prêmios técnicos antes de ter certeza de quem sairá vencedor.

Amanhã é dia de um guia completo com os prováveis ganhadores (assim como minha torcida), até lá.