Editorial – Descanse em Paz Robin Williams

Descanse em Paz Robin Williams

Entre vários risos, imitações e delírios, Robin Willians fez muita gente chorar, tanto durante sua carreira quanto ontem, com a notícia de que seu corpo tinha sido encontrado em casa, sem vida, asfixiado, talvez resultado de uma depressão. Talvez resultado de um triturador de gênios que se chama Hollywood.

Williams “surgiu” em uma série no final dos anos 70 Mork & Molly (durou de 1978 a 1982), sobre um alienígena conhecendo os problemas e desventuras de viver no Planeta Terra. Ainda enquanto brilhava na TV foi a aposta do cineasta Robert Altman para comandar o subestimado Popeye, talvez começando ai uma série de figuras inesquecíveis.

Curiosamente, o sucesso do comediante saído da TV veio depois de três filmes menores, em um drama emocionante sobre a guerra do Vietnã. Bom Dia, Vietnã tinha até seu lado leve (principalmente perto das tentativas dos anos 80 de retratar essa guerra), mas soava melancólico e entregava nas mãos de Williams o tipo de personagem que mais marcou sua carreira.

Robin Williams - Sociedade dos Poetas Mortos

É verdade que ele acabará sempre sendo lembrado por suas comédias, como a babá Mrs Doubtfire, mas são exatamente seus momentos em que teve em mãos papeis profundos que fizeram dele um dos grandes atores de sua época. Sociedade dos Poetas Mortos ainda serve de lição para gerações e gerações de espectadores, principalmente por equilibrar a leveza e seriedade, isso e uma paixão pelo personagem que o mandou direto para os panteão dos inesquecíveis.

Uma sensibilidade que lhe acompanhou por toda sua carreira. Um amor pela atuação que se misturou com a paixão pelo mesmo ofício de um outro monstro do cinema, Robert De Niro, com quem Williams emocionou o mundo com Tempo de Despertar, mais uma vez mostrando que havia espaço para a leveza e lirismo até na mais inspiradora das histórias. Acordar para o mundo nunca foi tão bonito.

Em cinco anos de cinema, Williams foi lembrado pela Academia por três vezes, coroando uma carreira que não parecia ter limítes onde chegar. Sua terceira indicação veio com O Pescador de Ilusões (as duas outras foram em Bom dia, Vietnã e Sociedade dos Poetas Mortos). E ainda que os anos 90 tenham sido marcados pela volta às comédias e a possibilidade de não só encantar todos com sua Babá Quase Perfeita, mas também com o próprio Peter Pan em Hook e até chacoalhar os desenhos da Disney encarnando o ilimitado, extravagante, maluco e simpático Gênio azul da animação Alladdin, talvez nem tudo tenha sido flores.

Robin Williams - Alladin

Uma exposição enorme que muito provavelmente tenha colocado Williams em um lugar tão alto que uma possível queda soaria mortal. A tal queda não veio com força, mas a cada deslize, a cada Revolta dos Brinquedos e Jacks, o peso do erro parecia maior que o valor da tentativa. Por sorte o publico sempre via o ator voltar ao topo da cadeia alimentar em momentos como A Gaiola das Loucas e Jumanji, senão pela qualidade de seu trabalho, pelo menos pelo sucesso do filme.

Seu Oscar só veio em 1997, no sensível trabalho em Gênio Indomável, ao mesmo tempo em que voltava a encarar a personificação da confiança, da inspiração dos jovens à sua volta e da muleta emocional para quem não parecia mais ter esperanças. O que se seguiu até foram bons momentos nos emocionantes (ainda que exagerados e melodramáticos) Amor Além da Vida e Patch Adams, mas ali já se via um pouco do peso com que Hollywood esmaga suas grandes estrelas.

O peso de ver seu nome supervalorizado até na menor das participações, ao mesmo tempo em que toneladas de dinheiro eram colocadas em suas costas esperando que porcarias como O Homem Bicentenário e Morra, Smoochy, Morra pudessem dar certo. Williams ainda se aventurou em busca de quebrar um paradigma com os vilões de Retratos de uma Obsessão e até do thriller dirigido por Christopher Nolan, Insônia. Mas nem os filmes fizeram o sucesso esperado, nem o estigma dos risos vazios puderam dar um descanso para Williams.

Robin Williams - Gênio Indomável

Entre papeis muito menores que ele, pequenas pontas e desastres de bilheterias, Williams passou quase incógnito pelos dois Uma Noite no Museu e Happy Feet(s) na última década. Em 2013 ainda voltou a encontras com De Niro em O Casamento do Ano, sem saber, mas quase como um despedida de uma fase que hoje ninguém mais saberá se teria chances de voltar.

Williams tinha 63 anos, partiu deixando a certeza de um legado maior que sua morte. Um legado que ainda sobreviverá graças a ao cinema e seu poder de eternizar mitos e personagens inesquecíveis. O mundo sentirá falta de Robin Williams.

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