E Em Cada Lentilha Um Deus | Bom como um belo prato

*o filme faz parte da cobertura da 43° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


Em cada lentilha um Deus mostra como é difícil manter uma narrativa em documentários sem roteiro. Esse é um deles. Acompanhamos as memórias e reflexões sobre Luis, um roteirista que ajuda o irmão e o primo a escrever um livro sobre a culinária do restaurante da família. Nessa viagem culinária nosso único guia são os pratos do “L’Escaleta”.

Este acaba virando um passeio gastronômico próximo da experiência de um episódio da série Chef’s Table, que explora as origens dos ingredientes e da história do cozinheiro por trás de um restaurante premiado. Só que diferente de uma série de streaming este filme tem a personalidade de seu idealizador, Luis Moya, que junto de Miguel Ángel Jiménez definem uma certa lógica por trás das cenas filmadas.

Luis busca, de acordo com ele mesmo, uma certa ordem no caos, seja em ficção ou documentário, e sua introdução faz o duplo papel de filme intimista e um pedido de desculpas antecipado por sua história não ir pra lugar algum. Talvez aguardando por uma estrela Michelin para um final derradeiro que nunca acontece.

Mas não ter ordem não é desculpa para este não ser uma experiência no mínimo agradável. Eu falo de maneira parcial porque gosto de degustar bebidas e alimentos que têm uma história pra contar, e isso é exatamente o que o diretor Miguel Ángel faz: acompanha Luis em sua jornada nos mostrando não apenas a história de sua família nem apenas a origem local dos ingredientes principais dos pratos, mas também a origem dos próprios artefatos onde o alimento irá ser servido.

Inspirador nos momentos que o autor fala sobre passagem do tempo entre gerações e o que nos torna quem somos, é ainda constrangedor quando ouvimos sua opinião (não muito embasada) sobre a sociedade atual e para onde ela deve caminhar, E Em Cada Lentilha poderia ser um desastre completo por não ter começo, meio e fim, mas transforma uma série de experiências documentais em uma ficção que não é forçada, mas simplesmente surge. Assim como os melhores pratos.


“Y En Cada Lenteja Un Dios” (Esp, 2018), escrito por Miguel Ángel Jiménez e Luis Moya, dirigido por Miguel Ángel Jiménez



Trailer – E Em Cada Lentilha Um Deus

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