Dupla Implacável

Dupla Explosiva Filme

Pierre Morel parece estar se tornando um diretor de desculpas, daqueles que não se importam realmente com o que está embrulhando seu presente, contanto que o conteúdo seja aquilo que você está procurando e Dupla Implacável é exatamente isso: um filme de ação que em algum lugar dele reside uma trama, mas nada que atrapalhe quem está pouco se lixando para isso.

Na verdade, será até fácil que grande parte do cinema chegue ao final do filme tentando entender como aquela boca de fumo chinesa no meio de Paris do começo pôde se tornar um atentado terrorista (com homem-bomba e tudo o mais) ao final do filme. E mesmo assim, sem entender, sairá do cinema satisfeito com o que viu, ainda que, acredite, toda trama faça sentido e seja até bem costurada.

Essa “ilusão narrativa” só se dá graças a habilidade que Morel tem ao filmar suas sequencias das ação em combinação com uma estrutura que parece só se importar com isso mesmo: várias sequencias de ação grudadas por alguma ligação sem importância, que não deixará ninguém piscar e não perderá um segundo sequer com o que quer seja. Seus personagens parecem só trocar idéia durante tiroteios (e até falam ao celular enquanto seguram bazucas pendurados para fora do carro), o que dificulta bastante o desenrolar da trama, mas que atrapalha pouco já que toda idéia é extremamente bem vendida para o espectador.

Não que amorteça o público com uma dose cavalar de ação, mas opta por se levar pouco a sério, mostrando na tela apenas aquilo que se propõe, principalmente depois que o personagem de John Travolta dá as caras e parece jogar todo filme para o alto, inspirado e pouco preocupado em fugir de uma caracterização caricata, mas que acaba casando com precisão dentro do resto do filme. Na outra ponta da tala “dupla implacável” John Rhys-Meyers segura a bronca ingrata de ser o agente chatinho ao lado do outro cheio de estilo.

Por trás de tudo isso, tanto a história de Luc Besson (que também produz) quanto o roteiro de Adi Hasak parecem preocupados em brincar com todo jeito americano de “atirar primeiro e perguntar depois”, ainda mais quando não economizam nenhuma forçação de barra visual ou narrativa, o que pode parecer para alguns um tipo de americanização, mas acreditem, sendo esse um filme francês isso é uma sátira ferina a toda uma estrutura cinematográfica. O que deixa-o mais interessante e recheado ainda, portanto, nada de levar a sério a agencia secreta que espiona seu próprio embaixador e muito menos todas piadas pouco politicamente corretas, já que não é primeira vez, e muito menos a última, que o cinema francês olha Hollywood através de seus gêneros engessados.

Dupla Implacável passa rápido e de um jeito indolor (mesmo com alguns escorregões), opta por ser um passatempo descompromissado e leve (ainda que com toda contagem de corpos) e dá a Travolta sua segunda chance de se deliciar com um “Royal with Cheese”.


From Paris with Love (Fra, 2010) escrito por Adi Hasak a partir de uma história de Luc Besson, dirigido por Pierre Morel, com John Travolta, Jonatha Rhys Meyers, Kasia Smutniak e Richard Durden


1 Comment

  1. haha Achei muito legal quando o Travolta fala sobre o Royal with Cheese

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