Dia do Sim | Com cara de Sessão da Tarde… e isso é um elogio


Não há como criar qualquer tipo de expectativa diferente de Dia do Sim, é um filme feliz, sem muito profundidade, mas que só tem o objetivo de deixar aquela sensação agradável no final. No Brasil muita gente falaria que ele é perfeito para a Sessão da Tarde, mas como é da Netflix, único jeito de entrar nessa aventura simpática e divertida é mesmo pelo serviço de streaming.

O filme é baseado no livro de Amy Krause Rosenthal e Tom Lichtenheld e é dirigido pelo mesmo Miguel Arteta que comandou o igualmente “ótimo para a família”, Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso. Dia do Sim tem uma premissa que conversa com o mesmo público e deixa a mesma boa impressão, principalmente pela simplicidade do lugar onde quer chegar.

O roteiro escrito por Justin Malen (Última Ressaca do Ano) mostra uma família em um dia especial onde os três filhos terão a oportunidade de inventar qualquer coisa para passar esse dia com a única obrigação dos pais: não poderem recusar nada. O casal de adultos é vivido por Jennifer Garner e Edgar Ramírez, e por mais que o segundo não pareça tão à vontade, ela acaba sequestrando o filme.

Na verdade, o foco do filme é a mãe, já que é ela quem foi sempre uma jovem aventureira e que dizia “sim” para tudo, mas teve que mudar esse jeito para cuidar dos filhos, o que faz com que eles enxerguem nela toda essa opressão. A ideia é batida, mas acaba resultando em momentos delicadamente divertidos. Nada de nenhum humor muito complexo, mas com certeza na medida para agradar seu público.

Garner entende perfeitamente isso, sua personagem nunca é uma mandona sem razão, ela é crível, enfrenta os problemas da maternidade com bom humor e se dá bem dentro daquela dinâmica costumeira do gênero, onde todo mundo é rico, feliz e os filhos tem sacadas geniais escritas por roteiristas que acreditam que eles têm décadas de mais maturidade do que têm. Mas isso não é um problema, o fã desse gênero não se preocupa com esse tipo de cuidado com a realidade, o que quer é uma ou outra piada e uma lição final inspiradora.

A lição é sempre a mesma, de que a família deve permanecer junta e entender as necessidades de cada personagem diante do mundo onde vivem. Com isso em mente, Garner claramente se diverte com a personagem e isso é passado para o espectador. São pequenas piadas e pequenos momentos bem-humorados que criam essa mãe simpática e que está fazendo de tudo para ser a melhor mãe possível.

Com isso em mente, essa simplicidade e facilidade de chegar onde deve, o diretor Miguel Arteta deixa o filme correr livre sem se preocupar em aparecer demais ou atrapalhar o ritmo de seus atores. Seu trabalho é leve, sua câmera está sempre no melhor lugar possível para a cena e nunca se permite cair em nenhuma armadilha do gênero, como criar uma piada mais madura ou complexidade apenas para se mostrar maior do que é. Arteta sabe exatamente o tamanho de seu filme e cumpre absolutamente tudo que promete.

Dia do Sim dá a impressão de um daqueles filmes onde todo elenco se divertiu fazendo. É essa felicidade que ele passa para os seus espectadores, essa sensação boa de acabar de vê-lo e acreditar que é possível uma diversão leve, com bons atores, um roteiro eficiente e uma lição que extrapola a história. Dia do Sim é sobre ser feliz, então siga nesse caminho.


“Yes Day” (EUA, 2021); escrito por Justin Malen, a partir do livro de Amy Krouse Rosenthal e Tom Lichtenheld; dirigido por Miguel Arteta; com Jennifer Garner, Edgar Ramirez, Jenna Ortega, Julian Lerner, Everly Carganilla, Nat Faxon e Arturo Castro


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