Crime sem Saída | Busca inspiração na simplicidade do gênero


A perfeição é cansativa, a busca por esse ápice acaba atrapalhando quem aceita o quanto é importante ser mediano, afinal, é ele quem dá firmeza no chão de quem está lá para o alto. Por mais que Crime sem Saída seja dirigido por Brian Kirk, que ninguém conhece, quem “banca” seu cartaz são os nomes de Chadwick Boseman e dos irmãos Russo. O público não parece preparado a esperar algo que não seja perfeito com esses nomes envolvidos.

Para quem não ligou os nomes às pessoas, Anthony e Joe Russo são os diretores dos dois últimos filmes dos Vingadores e donos da maior bilheteria da história do cinema, já Boseman pode ser mais reconhecido como o único imperador de Wakanda. Os dois aparecem comos produtores do filme e Crime sem Saída é a história que eles escolheram contar enquanto o público se recuperava do final da saga da Marvel.

Mas o mais importante, nada de muito grandioso e exagerado, apenas um thriller policial que busca inspiração na simplicidade dos clássicos do gênero. Daquele tipo onde um policial durão precisa perseguir dois bandidos maus, mas que acaba descobrindo que há mais coisa por trás dessa aparentemente óbvia investigação.

No caso, os dois bandidos são vividos pelos ótimos Stephen James (de Se a Rua Beale Falasse) e Taylor Kitsch (que bateu cabeça enquanto Hollywood achava que ele seria a próxima grande estrela, mas encontra aqui um ótimo trabalho e que deve ajudá-lo na volta por cima). A dupla assalta um restaurante que, aparentemente, tinha um carregamento de 30 quilos de cocaína, mas acaba dando de cara com um cofre de 300 quilos, se tornam “cop killers” e são perseguidos por Nova York inteira.

Mais precisamente, Manhattan, já que, como o nome original diz, “21 Bridges” (“21 pontes”), o detetive Andre Davis (Boseman) tem a ideia de fechar todas vias de acesso à ilha… o que, em longo prazo, não importa muito para a trama, mas é uma ideia espalhafatosamente divertida.

Davis e a nova parceira Frankie Burns (Sienna Miller) partem então nessa corrida contra o tempo (a cidade só poderá ficar fechada durante a madrugada) e o resultado é um thriller imediatista e simples, porém competente. Grande parte dos clichês do gênero estão lá, assim como as perseguições a pé, tiros e um mistério que vai se estruturando em meio a toda ação.

A direção de Brian Kirk confirma essa competência e consegue criar um ambiente claro e fácil de acompanhar, curiosamente, uma qualidade que parece semelhante à da principal qualidade de seus produtores (os Russo). Portanto, Crime Sem Saída sabe o ritmo necessário para que seu espectador se divirtam e o faz com precisão.

Até aqueles momentos de clímax misturados com diálogos expositivos, que quase sempre soam ridículos, aqui são eficientes e constroem essa trama que pode acabar sendo surpreendente para quem não está acostumado com o gênero, mas que não engana quem sabe que um policial com um código moral e que acredita na instituição, pode ter que repensar isso tudo e lutar contra seus semelhantes.

Boseman, por sua vez, ainda não consegue segurar um filme pelas mãos, por mais que seu personagem seja forte e funcione em toda sua construção, talvez ainda falte um pouco daquela personagem cativante que, por exemplo, Taylor Kitsch não conseguiu impor quanto mais longe ficava das grandes produções. Boseman não carrega Crime Sem Saída para uma experiência melhor, assim como, por exemplo, Michael B. Jordan fez recentemente em Luta por Justiça.

Mas deixando as comparações de lado, Boseman não é incrível, mas não decepciona e funcionaria até bem melhor dentro do filme se não fosse o maior problema de sua produção: uma trilha sonora completamente exagerada e sem propósito nenhum a não ser ditar os sentimentos dos espectadores por não confiar no próprio filme. Tudo é alto demais e presente demais, sem um respiro e sem a possibilidade de se valorizar, já que tudo está sempre em um clima exagerado e sem sutileza.

Talvez até essa trilha sonora desastrosa composta pela dupla Alex Belcher e Henry Jackman prejudique o filme tanto que o coloque de lado na hora de muita gente encarar esse thriller policial divertido e competente, que não faz questão de ser perfeito, mas sim de ser o suficiente para seu público. E mesmo que o público estivesse querendo mais, ficaria satisfeito se a trilha sonora não ficasse gritando essas composições chatas e preguiçosas em seus ouvidos. Tudo bem, não precisa ser perfeito, mas também não precisava ser tão ruim.


“21 Bridges” (EUA, 2019), escrito por Adam Mervis e Matthew Michael Carnahan, dirigido por Brian Kirk, com Chadwick Boseman, Sienna Miller, J.K. Simmons, Stephen James, Taylor Kitsch, Keith David e Alexander Siddg.


Trailer do Filme – Crime Sem Saída

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