Coincidências do Amor

Coincidências do Amor

Se é difícil entender como todo ano Hollywood enche os cinemas com um monte de comédias românticas bobinhas, talvez seja mais difícil ainda entender como essas mesmas continuam sobrevivendo. Coincidências do Amor, ainda que simpática, não foge disso. Na verdade nem parece se preocupar muito com isso.

O problema é que esse filme sobre dois melhores amigos que acabam se descobrindo apaixonados até pudesse se tornar um acerto, sem o gênero de comédia estampado a cada passo que dá. Na história, ela (Jennifer Aniston) resolve ter um filho, para isso então paga um cara para ser seu doador, enquanto ele, o amigo (Jason Bateman), obviamente acaba não concordando muito com isso. A situação piora quando, uma senhora de uma bebedeira o faz trocar a tal da “doação” pelo seu próprio “material”, assim, seis anos depois, quando a amiga volta à sua vida ele é obrigado a dar de cara com seu próprio filho.

Primeiro pela escalação do elenco, já que Bateman e Aniston são muito mais conhecidos por suas comédias, depois, pelo próprio passado da dupla de diretores Josh Gordon e Will Speck, que antes disso fizeram o espalhafatoso Escorregando pela Glória. E por cima de tudo, aquele cheiro de comédia, com os amigos coadjuvantes engraçados (Jeff Goldblum e Juliette Lewis, ambos na medida), enfim ainda, aquela vontade de sempre mostrar um piada relacionada à personalidade do protagonista. Um conjunto que impede Coincidências do Amor de ser livre para, simplesmente, ser um romance bonitinho.

Por outro lado, esse lado romântico impede também que o filme decole como uma comédia, principalmente por parece segurar demais as rédeas de Bateman, que sempre que pode, em seus outros filmes, rouba a cena com seu jeito cínico. Aqui, uma direção com escolhas pesadas só lhe permite ser um personagem que rodeia uma depressão que até fica um pouco divertida quando se vê espelhada no filho, mas no resto do tempo só lhe permite ser um cara sem iniciativa, graça ou charme.

Nessa mesma linha, o roteiro de Allan Loeb parece desperdiçar um monte de piadas, principalmente dentro da dinâmica do personagem de Bateman com o filho, mas sobrando ainda algumas situações mal exploradas entre eles dois e o doador (Patrick Wilson), que depois volta à cena para atrapalhar o resto do romance, de um jeito óbvio e desinteressante, já que, verdadeiramente, em nenhum momento ele parece ser um perigo para o final feliz.

No final das contas Coincidências do Amor se equilibra demais em uma corda bamba entre comédia e romance, e acaba não caindo para nenhum dos lados, resultando em algo sem personalidade e descartável, que, decididamente, não incomoda e passa voando. Assim como é esquecido em um passe de mágica depois de seu fim.


The Switch (EUA, 2010), escrito Allan Loeb, dirigido por Josh Gordon e Will Speck, com Jennifer Aniston, Jason Bateman, Patrick Wilson, Jeff Goldblum e Juliett Lewis


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