Coffee & Kareem | Caótico, histérico e idiota


Coffee & Kareem é a história de Kareem (Terrence Little Gardenhigh), descolado e boca-suja, que descobre o relacionamento entre sua mãe Vanessa (Taraji P. Henson) e o policial James Coffee (Ed Helms).

Enciumado, Kareem arma uma situação para que um grupo de fugitivos dê um susto no policial, só que tudo se complica quando o moleque acaba gravando um ato revelador de que o círculo de criminosos tem ramificações muito mais amplas e coloca todo mundo em risco, o que lhe obriga a se aliar com Coffee para salvar sua mãe e sua própria pele.

Realizado como veículo para Ed Helms, de Se Beber Não Case, o filme não se decide sobre qual é sua posição e promove um caos, sem conseguir sucesso em nenhuma das frentes que abre: não é um bom filme de ação, não é uma boa comédia, não é um bom filme de relacionamentos.

Os protagonistas são irritantes e sem carisma, com o policial sendo essencialmente uma boa pessoa, mas extremamente inepto e o menino – sim, o personagem tem 12 anos – é um estereótipo ambulante e bem “mala”, agindo como se tivesse dez anos a mais, com uma metralhadora verbal inconsistente e irritante.

Pela inépcia do personagem de Helms, que praticamente não consegue fazer nada direito, o roteiro então vai tirando da cartola suas soluções mágicas para dar andamento à trama, alterando as personalidades de cada personagem conforme a conveniência. Pior ainda, usando o batido clichê de “pessoas que não se dão bem se unem para enfrentar um inimigo”, que se repete nas comédias de ação desde Máquina Mortífera, mas que aqui fica muito esquisito ver um adulto ser dominado por uma criança a cada passo.

Quando o menino não resolve o problema, aí aparece a mãe. Quando a mãe não consegue, um criminoso toma a frente, e assim segue.

A sub trama da corrupção policial de Detroit, se fosse o foco principal, seria muito melhor. Ou mesmo se focasse na construção do relacionamento entre o policial e o filho de sua namorada, num relacionamento interracial passado em uma cidade com longo histórico de tensão racial. Enfim, havia possibilidades de Coffee & Kareem estar em outro patamar.

Porém, se fez a opção de fazer um filme caótico, histérico e idiota… e não digo isso no bom sentido. A quantidade de palavrões ditas por Kareem em cada uma de suas falas é absurda e perde a graça rapidamente. O roteiro do estreante Shane Mack – o pseudônimo não pode ser por acaso, brincando com o excelente roteirista de duplas de tiras Shane Black – atira para todos os lados e acerta muito pouco.

Temos boas cenas esporádicas, como em alguns diálogos hilariantes entre os criminosos, que tem comediantes de peso no elenco, ou a mãe dando conta de dois capangas e sendo “raptada” por Coffee e Kareem, assim com a cena da “tortura” do traficante e a perseguição de carros. Mas nada salva o filme.

Em suma, perda de tempo e o lamento de algo que poderia ter sido memorável e vai para o volume morto.


“Coffee & Kareem” (EUA, 2020), escrito por Shane Mack e dirigido por Michael Dowse, com Ed Helms, Terrence Little Gardenhigh, Betty Gilpin, RonReaco Lee e David Alan Grier.


Trailer do Filme – Coffee & Kareem

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