Cinefilia Crônica | 13 filmes para o Brasil de hoje


Sou um patriota incurável. Nem sei se isso é doença, mas tudo bem. Quero deixar minha contribuição para este momento ímpar do país. Ciente dos propósitos governamentais de refundar a cultura e exaltar a nação, trago 13 sugestões ao presidente. Eu sei, eu sei, o número dá azar. E medo, talvez. Mas foi pura coincidência. Compartilho gratuitamente 12+1 (vai que…) ideias de refilmagens, reboots, remakes, novas versões, essas coisas. Vocês entenderam… E parem de torcer contra nossos qualificados líderes. Se nada dá certo, a culpa é dos pessimistas!

Sociedade Brasileira dos Poetas Mortos
O começo não poderia ser diferente. Ótimo para mostrar o objetivo do glorioso governo. Com poetas, escritores, artistas e intelectuais metralhados num paredão, com transmissão ao vivo nas redes sociais, tudo fica melhor. Pra que o povo quer pensar demais? Muitos direitos e poucos deveres!

Na sociedade brasileira dos poetas mortos, é proibido acumular mais de 20 páginas com um montão de amontoado de coisa escrita. E poesia, pra que serve poesia? Aumenta o PIB? Dá lucro? Disciplina a juventude?

Rachadinha a Preço Fixo
Tem tiro, porrada e explosão. Não tem aquele careca do outro filme, mas nem importa. Só assim o pessoal para de reclamar de rachadinha. Que frescura! Além de popularizar uma prática tão antiga, o filme vai ter umas mortes. É praticamente baseado em fatos reais.

Entrando Numa Frias
Essa é pra quem vive enchendo o saco, falando de cultura, cultura, cultura. Cultura pra quê, meu Deus? Cultura dá segurança? Cultura baixa o dólar?

Tá bom, tá bom. Pra acabar com o mimimi e o politicamente correto, já temos em nossos quadros um ator qualificado pra protagonizar a obra. Pra facilitar, vão ser poucos diálogos, mas muitas poses viris. Heterossexuais, claro.

Damares em Fúria
Nem precisa de efeitos especiais e água pra todo lado. É só colocar a ministra abilolando falando sobre aborto, igreja, família e tá tudo certo. Filma e joga na telona. Sucesso e comoção garantidos.

Corra que a Milícia Vem Aí
Tem quem goste, né? Aliás, tem quem goste, elogie, dê medalhas e não faça a menor questão de se distanciar dos paramilitares. Mas quando o diretor gritar “Gravando!”, melhor correr pra não dar problema com a justiça, se ela ainda existir no dia do lançamento.

Pra melhorar, teremos seguranças, digamos assim, especializados, conferindo quem pagou a mensalidade do gatonet, da luz, da água e do gás. Caloteiro não entra!

Carlucho Cloroquina – Princeso do Brasil
Longe de mim deixar de lado um figurão dos meios digitais. Nem precisa chamar a dona Nenê e o Lineu da Grande Família pra refilmagem. E a vantagem é que, nessa versão, de louco não tem só a rainha. Não vai ser fácil entender o texto, mas o importante é ser protagonista.

Na compra de um ingresso, o espectador ganha um comprimido pra se prevenir contra o “vírus chinês”. É que tá sobrando…

Rio (das Pedras)
A linda arara-azul vai sobrevoar um condomínio fechado e muito bem frequentado. Como até lá a espécie deverá estar extinta, será tudo computadorizado, até para evitar outro tipo de extinção por meios não muito, digamos, naturais.

…E o Fogo Levou
O Pantanal é a locação perfeita. Mas também tem a Amazônia. É só escolher!

Meia-noite em Caracas
Não gostou? Vai pra Venezuela! À meia-noite, tudo volta a ser como antes. Mamatas pros amiguinhos do governo, desvios multitrilionários, ditadura gayzista, abortista e maconhista. Tudo de ruim! Se o público gostar, lançamos a segunda parte: Meia-noite em Guantánamo.

Os Caça-Fantasmas do Comunismo
Quando cada cidadão de bem faz arminha com a mão, uma fumacinha extermina comunistas. O uniforme dos caça-fantasmas do comunismo vai ser verde e amarelo. E a trilha sonora, composta por um sertanejo qualquer.

Soldado da Universal
A guerra contra o capeta não para nunca. (Desculpem, não é bom falar esse nome feio). Se a igreja do bispo pede, precisa dar uma ajudinha, né? Nada melhor que filmar o partido com tanta gente bonita e sincera.

Meu Nome Não é Guedes
O tempo todo a extrema-imprensa safada fica perguntando sobre números, economia, PIB, empregos. Mas o herói responde com o bordão, título de uma película transgressora e arrojada.

Olavo Bom dá A Vida
Inicialmente, se chamaria O Que é Isso Daí, Companheiro Heterossexual? Mas o YouTuber idoso lembrou que “companheiro” é palavra de comunista. Aliás, aquele filme brasileiro velho é coisa de comunista. Pior: todo filme brasileiro é coisa de comunista! Melhor batizar com o nome do nosso guia, guru, mestre, oráculo que dá a vida para um país melhor, mesmo morando longe daqui.

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