Chef

Chef

Depois de trabalhar em blockbusters e de dar início à maior franquia da história do cinema com os dois primeiros Homem de Ferro, Jon Fraveau volta a contar uma história simples, sem grandes reviravoltas ou complicações, neste simpático Chef, longa Chef Posterhabitado por personagens carismáticos e boa comida que dirige, escreve e protagoniza.

Depois de anos trabalhando em um badalado restaurante de Los Angeles que oferecia pouco espaço para a criatividade e a ousadia, o chef Carl Casper (Fraveau) acaba se envolvendo em uma confusão na internet com o badalado crítico Ramsey Michel (Oliver Platt). Desempregado e cansado de não ter espaço para fazer a comida que acredita que deveria estar cozinhando, Carl acompanha a ex-esposa (Sofía Vergara) e o filho de dez anos (Emjay Anthony) em uma viagem à Miami, onde decide vender sanduíches cubanos em um trailer.

É claro que, depois de anos tendo um emprego estável, não é fácil para Carl largar tudo e arriscar-se – algo que o cineasta captura com excelência, dando a entender, a partir do texto publicado pelo crítico, que a acomodação do chef aconteceu ao longo dos anos, já que ele costumava ser conhecido justamente pela criatividade de seus pratos. Quando a notícia de que Michel visitará o restaurante em que trabalha, Carl enxerga a chance de finalmente voltar a surpreender os clientes – apenas para ser barrado pelo dono do estabelecimento (Dustin Hoffman). Michel percebe a falta de personalidade da comida servida, e dá uma cotação de duas estrelas ao chef – e, não apenas se irritando por ter seu trabalho criticado, Carl se enfurece com o texto justamente por saber que poderia fazer melhor e que os comentários de Michel são justificados.

Com uma fotografia que destaca as cores dos pratos preparados pelo chef e deixam claro a paixão de Carl pela cozinha, Fraveau comanda o longa com eficiência, trazendo momentos inspirados como o esqueleto-marionete que, assim como o protagonista, pratica sua arte sem liberdade. As redes sociais são integradas na história com naturalidade, seja o real impacto que elas têm no sucesso do trailer ou na ignorância de Carl em relação ao funcionamento da internet, que soa natural e não apenas como material para piadas. Utilizar as redes sociais como forma de divulgar o novo empreendimento – além de fazer sentido na atualidade e para a história, já que ele havia sido humilhado na internet – também funciona por dar uma real importância a Percy, filho de Carl, que é um garoto simpático e inteligente. O roteiro, algumas vezes, chega perto de cair na velha (e falha) tática de fazer humor ao trazer uma criança falando palavrão ou bebendo, mas se recupera rapidamente.

Chef Filme

Sem grandes surpresas ou reviravoltas – nunca duvidamos de que o trailer de sanduíches cubanos será um sucesso -, Chef funciona por focar a história em seus personagens, carismáticos e bem construídos. E, se mesmo as maiores produções de Fraveau trazem seu toque pessoal (e, pelo elenco deste filme, percebe-se que ele trabalhando com pessoas de que ele gosta), a história de Carl provavelmente não é igual à do cineasta em Hollywood, mas é claro que a busca de um artista por sua expressão ressoa em Fraveau, que constrói o protagonista como um homem contaminado pela opressão da rotina e da falta de liberdade de seu trabalho – o que o levou a se afastar da (ex-)esposa e do filho.

Pois Fraveau acerta ao mostrar o afastamento entre Carl e Percy não como resultado do divórcio ou por desinteresse do pai, mas realmente como consequência do difícil momento pelo qual o chef passava (o que, claro, não justifica – e o filme não utiliza como desculpa). Assim, se antes mesmo ao levar o filho ao parque de diversões ou ao cinema Carl mal parecia presente, ao voltar a ser dono de seu cardápio o chef reaprende a se relacionar com o filho.

Acertando também ao incluir dois personagens cubanos bem construídos e não estereotipados em um filme tão influenciado pela cultura e culinária daquele país, Chef peca no evento que encerra o filme – a relação entre os dois personagens não foi trabalhada de maneira que aquele final acrescente muita coisa ao filme -, mas isso não tira a leveza e a alegria que foi a jornada até ali. Chef é uma produção que se importa com seus personagens que, ao lado dos deliciosos pratos de Carl e embalados pela música de cada cidade pelas quais o trailer passa, são uma ótima companhia.


“Chef” (EUA, 2014), escrito e dirigido por Jon Fraveau, com Jon Fraveau, John Leguizamo, Emjay Anthony, Sofía Vergara, Scarlett Johansson, Bobby Canavale, Dustin Hoffman, Oliver Platt e Robert Downey Jr.


Crítica do filme “Chef”

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