Céu Vermelho de Sangue | Fuja dos spoilers e divirta-se


É sempre divertido dar de cara com um terror que está enfiado dentro de um filme de outro gênero sem ele saber. Infelizmente, na maioria das situações onde isso acontece é difícil aproveitar essa surpresa, quase sempre você descobre a surpresa em uma sinopse ou arte de divulgação. Céu Vermelho de Sangue poderia ser um desses momentos deliciosos, mas é realmente difícil entrar no filme sem saber nada sobre ele.

Portanto, se você gosta de terror e conseguir assistir o filme alemão de Peter Thoewarth sem saber nada sobre ele, com certeza vai se divertir um pouco mais do quem chegar no filme esperando pela reviravolta (o cartaz do filme dá um spoiler, então fuja dele também!).

O filme mostra uma mulher e seu filho entrando em um avião com destino a Nova York. Aparentemente ela tem alguma doença e o filho ajuda ela em tudo, mas isso ficaria em segunda plano quando o avião é sequestrado por um grupo de terroristas genéricos liderados pelo Dominic Purcell. “Ficaria em segundo plano”, já que ela acaba sendo questão principal do filme, pois essa “doença” da mãe pode salvar todos, desde que isso deixe de ser um segredo.

Com certeza é complicado falar muito do filme sem dar spoilers, mas o mais importante é que o roteiro do diretor em parceria com Stefan Holtz faz de tudo para esconder essa surpresa. Faz isso bem até, dá dicas, mas sempre sutilmente e guardando o melhor para o momento da virada. O mais legal disso tudo é esse “mistério” crescer de maneira exponencial dentro da trama e realmente transformar o filme em algo completamente diferente no final das contas.

Infelizmente, o final demora um pouco demais, já que o roteiro erra feio enquanto tenta explicar mais coisa do que deveria. Desde uns flashbacks contando como a personagem “pegou a doença”, até um papo furado meio desnecessário sobre as raízes desse “problema”. Ao invés de “perder esse tempo”, com certeza o filme ganharia um ritmo muito maior se permitisse a si mesmo, por exemplo, ficar um pouco na pele dos terroristas enquanto eles se descobrem possíveis vítimas e não mais os agressores.

Enquanto gasta tempo demais olhando para o passado, desperdiça o desenvolvimento de alguns personagens que acabam soando meio vazios, mesmo com tempo demais de tela e uma certa importância dentro da trama. Como em um bom filme de terror que se preze, muita gente vai morrer, isso acontece de um jeito que os fãs vão gostar, mas muita gente parece ter atenção demais em suas mortes, mesmo sem o espectador entender de onde essa importância saiu.

Mas o melhor de Céu Vermelho-Sangue é mesmo a impressão de um filme que começa de um jeito, mas não imagina onde ele vai chegar, e esse lugar onde “aterrissa” é um banho de sangue digno daquele tipo de situação que os fãs de terror mais gostam. Portanto, mesmo que você descubra antes da hora qual é a grande surpresa do filme, com certeza não irá imaginar onde ele vai chegar, e só isso é mais que suficiente  para conquistar quem quer dar de cara com um bom filme de terror dentro de um filme que não estava preparado para isso.


“Blood Red Sky” (Ela/EUA, 2021); escrito por Peter Thorwarth e Stefan Holtz; dirigido por Peter Thorwarth; com Peri Baumeister, Carl Anton Koch, Alexander Scheer, Kais Setti, Dominic Purcell e Graham McTavish


Trailer do Filme – Céu Vermelho de Sangue

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