Casamento Grego 2 | Sucesso e acertos do primeiro não se repetem

Meu Casamento Grego 2 Filme

O primeiro Casamento Grego foi um sucesso estrondoso de bilheteria e uma comédia romântica simpática, mas… alguém o revisitou com frequência nos quatorze anos desde sua estreia? Por alguma razão (leia-se: buscando repetir o desempenho financeiro do filme anterior), Nia Vardalos decidiu lançar Casamento Grego 2, uma sequência que, depois de pouco mais de 90 min de filme, continua incapaz de provar a necessidade de sua existência.

É claro que esta é basicamente uma sitcom, com pretensões apenas de encantar e divertir o espectador com o charme e as confusões da família Portokalos — mas nem isso o longa consegue alcançar, arrancando apenas um sorriso aqui e uma risadinha ali. Toula (Vardalos — que, assim como no original, também assina o roteiro) e Ian (John Corbett) deixaram o casamento cair na rotina enquanto lidam com os conflitos de sua filha adolescente, Paris (Elena Kampouris) — a garota sente-se sufocada pela proximidade e pelo jeito expansivo da família e, prestes à ir para a faculdade, está em dúvida sobre se continua em Chicago ou se investe na Universidade de Nova York.

Enquanto isso, os pais da protagonista, Gus (Michael Constantine) e Maria (Lainie Kazan), descobrem que, quando se casaram, o padre não assinou o registro de casamento — o que significa que eles estão “vivendo em pecado” há décadas. Agora, Gus deve apelar para seu lado romântico e mostrar a Maria que os dois devem se casar novamente, em um acontecimento central para a trama que existe simplesmente para que a sequência possa ter o mesmo título do original.

Ao menos interessante ao estabelecer que Paris não tem problema algum com o fato de ser grega — ela apenas não aguenta mais ver a família fazê-la passar vergonha na escola e na frente do garoto que ela gosta, porque ela é adolescente e, como tal, tem que investir em maquiagem pesada, cabelo bagunçado e fingir que a família não existe. Ela é, ao menos, estabelecida como uma garota inteligente e, mesmo enfrentando as indecisões comuns da idade, decidida.

Mas, se o primeiro era uma comédia romântica centrada em Toula e Ian, esta sequência busca abranger mais a família toda — o problema é que Vardalos não consegue estabelecer muito bem os demais Portokalos. Assim, mesmo interpretados por atores carismáticos, os parentes de Toula existem mais como forma de humor do que seres humanos complexos, estando ali para servir às necessidades da trama.

Meu Casamento Grego 2 Crítica

O que não impede Vardalos e o diretor Kirk Jones de incluírem uma subtrama (composta por duas cenas) embaraçosa em que tentam demonstrar toda a tolerância e gentileza dos Portokalos a partir do fato de que a família “aceita” a homossexualidade de Angelo (Joey Fatone). Vardalos não resiste a escrever o seguinte diálogo — quando o namorado de Angelo afirma que não é grego, Voula (Andrea Martin) responde “Tudo bem. Você não precisa se desculpar.”

O assunto é tratado de forma completamente destoante de qualquer coisa que acontece com a família e, portanto, fica claro que a intenção é apenas de mostrar que “viu só! Nosso filme é diversificado — em meio a dezenas de personagens brancos e heterossexuais, nós temos um casal gay, e nós os adoramos!”, e não de realmente incluir personagens gays no filme.

Construindo um momento sensível na sequência que intercala três gerações de mulheres da família dançando com seus respectivos pares românticos (que, mesmo assim, quase é estragada por acontecer ao som da chatíssima “All of Me”, de John Legend), Casamento Grego 2 também consegue estabelecer bem o conflito interno de Tousla em relação à forma como trata sua filha adolescente — se, por um lado, ela também se sente porventura sufocada pela família, Tousla também não resiste a ficar por perto de Paris o tempo todo.

Casamento Grego 2 não chega a ser um desastre, mas apenas porque não causa impacto suficiente para ser classificado como tal — esta é apenas uma sequência sem razão de existir, que não acrescenta nada aos personagens ou ao filme original. Porque, afinal, não há nada a acrescentar.


“My Big Fat Greek Wedding” (EUA/Canadá, 2016), escrito por Nia Vardalos, dirigido por Kirk Jones, com Nia Vardalos, John Corbett, Michael Constantine, Lainie Kazan, Elena Kampouris, Andrea Martin, Joey Fatone, Gia Carides e Alex Wolff.


Trailer – Casamento Grego 2

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