Crítica do filme Caminhos da Floresta

Caminhos da Floresta

Caminhos da Floresta, novo filme de Rob Marshall (“Chicago”) e adaptação de uma peça da Broadway, começa com um “era uma vez” bucólico, depois vê seguir um monte de canções grudentas, mas não acaba em um simples “felizes para sempre”. Simplesmente pois está muito mais interessado e chacoalhar todo esse mundo de conto de fadas.

É óbvio que essa premissa chama a atenção logo de cara, principalmente pois boa parte dos espectadores irá enxergar facilmente todas as referências e embarcar na história logo de cara, o que fica mais divertido ainda quando isso vem embalado em um tom de humor que ora beira o cínico, ora se sente à vontade para ser negro. Tudo isso ainda é completado com um elenco afinado e cheio de ótimas atuações. “Caminhos da Floresta” então só tem um problema: o que fazer com tudo isso à longo prazo.

De começo o cinema é apresentado a um padeiro e sua mulher (James Corben e Emily Blunt), um casal de um povoado meio medieval cercado por um floresta. O grande desejo dos dois é ter um filho, mas acabam descobrindo que não conseguem fazê-lo graças a maldição de uma bruxa que mora ao lado deles (Meryl Streep). Assim mesmo, com uma naturalidade cômica.

É então que ela (em uma de suas várias, exageradas e deliciosas entradas dramáticas em cena) lhes propõe um acordo que poria fim ao feitiço. Diante disso, o casal então acaba cruzando o caminho de um garoto que vende sua vaca por um feijão mágico, uma garota que anda pela floresta com um capuz vermelho, uma moça maltratada pela madrasta e que quer ir ao baile do príncipe e até um outra jovem cabeluda presa em uma alta torre.

Caminhos da Floresta Crítica

Obviamente que a ideia de Caminhos da Floresta é desconstruir todas essas histórias enquanto brinca com essas certezas e fábulas, e enquanto mantém esse rumo funciona muito bem. É impossível não se divertir com essa chapeuzinho vermelho um tanto quanto adolescente, e é muito mais difícil ainda não morrer de dar risada do “príncipe encantado” canastrão vivido por Chris Pine enquanto canta sobre a agonia de ser perfeito.

Do meio do ótimo elenco ainda sobra Meryl Streep mais uma vez em um trabalho incrível, cheia de espaço para compor essa bruxa, assim como a pequena e marcante participação de Johnny Depp como o “Sr. Lobo”, ainda que soe desperdiçada (principalmente diante do quanto ele deve ter ganhado para estar tão pouco em tela). Mas tudo isso parece não ajudar aquele “longo prazo” do outro parágrafo.

Toda essa fantasia bem humorada, cínica e divertida de uma hora para outra se torna obscura demais, cheia de decepamentos, adultérios, mortes e momentos trágicos. E ainda que boa parte disso venha carregado de humor negro, logo parece perder essa mão e se torna apenas dramático demais. E a discrepância é tão grande nesse terceiro ato que até as canções ficam um pouco jogadas em um canto. Relegadas apenas à lembrança de um filme que passou e era muito mais divertido do que esse que “Caminhos da Floresta” decide ser no final das contas.


“Into the Woods” (EUA, 2014), escrito por James Lapine, dirigido por Rob Marshall, com Anna Kendrick, Meryl Streeo, Lilla Crawford, Chris Pine, James Corden, Emily Blunt, Johnny Depp, Christine Baranski e Tracy Ullman


Trailer do filme Caminhos da Floresta