Caçadores de Obras-Primas

É indiscutível que a Segunda Guerra não deixou nenhum legado que não seja dor e violência, mas mesmo assim o cinema sempre foi especialista em transformar isso em arte. Não são poucos clássicos sobre o assunto, nem muito menos tentativas menos Caçadores de Obras-Primas Posterinteressantes de contar uma história ligada a esse período. Caçadores de Obras-Primas então, mesmo sem ser clássico, pode se orgulhar de, pelo menos, ser diferente.

Baseado em fatos reais, e inspirado pelo livro de Robert M. Edsel e Bret Witter, o filme, dirigido por George Clooney, conta a história dessa força-tarefa aliada, o Programa de Monumentos, Belas-Artes e Arquivos, que acabou sendo conhecido pelo apelido “Monuments Men” (que é o título original). Como o próprio nome já diz, um grupo de civis que se juntam ao exército durante o final da 2°GG para tentar preservar obras-primas e ainda recuperar aquelas que estavam em posse da Alemanha.

Como é de se esperar dos “americanos bonzinhos”, a ideia então era achar a maior quantidade de peças que tinham sido roubadas por Hitler (que assim conseguiu acumular a maior coleção de obras de arte da história) e entregá-las a seus verdadeiros donos. Caçadores de Obras-Primas, que é escrito pelo próprio Clooney e seu usual parceiro de roteiro Grent Heslov, conta a história da gênese dessa equipe e passa a limpo todo o tempo que ficaram atrás das linhas inimigas nessa “caçada ao tesouro”.

E diante de um período tão grande (começa em 1943 e vai até depois do rendimento da Alemanha em 1945), e sem a vontade (válida) de ser um épico de guerra, Caçadores de Obras-Primas se contenta em ser uma série episódica de pequenas situações. Não necessariamente montadas para se tornarem um grande retrato da guerra nem algo parecido. Apenas humilde o suficiente para contar essas histórias, o que, em muitos momentos, até termina por interromper demais o ritmo e se apegar a um punhado de situações que não fazem a menor diferença (como as andanças do personagem de Matt Damon pela França antes de chegar à Paris, ou uma sequência envolvendo outros dois personagens e um atirador mirim). Felizmente, a premissa interessante não permite que isso atrapalhe tanto assim o filme, mas ainda assim impede que ele voe mais alto.

Isso, e um desperdício do material humano que tem em mãos. Tirando alguns poucos momentos interessantes, o Clooney diretor/roteirista desperdiça muito mais do que aproveita o incrível elenco que tem em mãos. E não só por não dar espaço para os mesmo, mas por desenvolver bem cada um, mas sem se aprofundar um pouco mais no detalhe mais importante de cada um deles: suas vidas civis. É difícil enxergar, por exemplo, em John Goodman qualquer tipo de situação que permita ao espectador lembrar que ele é um engenheiro. E esse problema se estende para todos outros. Talvez pelo medo de descambar para uma comédia, ou simplesmente por não conseguir refletir isso no roteiro.

Caçadores de Obras-Primas Filme

Esse mesmo roteiro que fica entre começar tudo como um farsa divertida (a trilha sonoro do ótimo Alexander Desplat ajuda demais nesse sentido, mas não consegue fazer o contrário quando a intenção é outra) e se permitir ser um pouco mais dramático. E na maioria do tempo esse clima muda com facilidade demais, não permitindo que do lado de cá da tela ninguém possa aproveitar melhor cada um deles.

Ainda assim, Clooney tem momentos de uma sensibilidade ímpar (que já passou a ser característico de seu lado diretor), como quando desce com seu grupo na Normandia, vazia, sem perigos e nada de Dia D, lembrando o quanto eles estão em uma guerra particular. Do mesmo jeito que “mata” um de seus personagens com uma montagem não linear belíssima e que acaba sendo o momento mais interessante do filme. Até por que, no resto do tempo, quem comanda rudo é um Clooney no piloto-automático, sem atrapalhar, mas sem empolgar em termos visuais e de linguagem.

E não empolga nem quando força uma corrida contra o tempo no último ato enquanto rabisca uma analogia com a Guerra Fria. Com os russos e os americanos disputando poder e conhecimento por meio de uma mina cheia de obras de arte. O que também serve para forçar ainda mais um patriotismo furado e que não combina com o resto do filme, com os “soviéticos maus” interessados no valor das peças, enquanto os “yankees legais” querem salvar a história da humanidade.

Um final pragmático para um filme pragmático. Divertido, curioso e esforçado, mas ainda assim apenas preocupado em só contar uma história, e não enxergar muito por trás dela. O que não o torna menos interessantes, mas longe de ser um clássico ou uma obra-prima.


“Monument Men” (EUA/Ale, 2014), escrito por Robert M. Edsel e Bret Witter (livro), George Clooney e Grant Heslov, dirigido por George Clooney, com George Cloonet, Matt Damon, Bill Murray, Cate Blanchett, John Goodman, Jean Dujardin, Bob Balaban, Hugh Bonneville e Dimitri Leonidas


Trailer do filme Caçadores de Obras-Primas

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