Caça às Bruxas

por Vinicius Carlos Vieira em 01 de Fevereiro de 2011

Do mesmo jeito que durante muitas décadas Hollywood sobreviveu com o Western sendo um de seus maiores gêneros, ela própria teve que se redescobrir quando Sergio Leone fez com que todas aquelas cidades no meio do deserto, pistoleiros, xerifes e duelos ganhassem status de real, sujo e cru. Não que John Wayne, suas camisas engomadas e seus coldres altos tivessem sido suplantados, apenas parecem terem passado a viver em uma outra realidade, mais comportada. “Caça às Bruxas” não é um faroeste, mas, com certeza, dentro das aventuras medievais é o que se pode chamar de uma experiência comportada.

A história começa em 1235 DC onde três mulheres são enforcadas por bruxaria e salta quase um século para mostrar os personagens de Nicolas Cage e Ron Pearlman “botando para quebrar” durante as cruzadas. Isso mesmo, “botando para quebrar”, apostando cervejas ao final da batalha e soltando piadas entre um inimigo e outro, para, só por fim, se decepcionarem com essa luta sem sentido e decidirem abandonar essa guerra santa e voltarem ao Velho Mundo (naquela época talvez nem tão velho assim).

Mas aonde o roteiro de Bragi F. Schut quer chegar? Não importa muito, já que, o que o sempre divertido diretor Dominic Sena (de “60 Segundos”, “A Senha: Swordfish” e “Kalifornia”) quer mesmo é fazer um filme de aventura. Que até conversa com um livro que aparece nesse pequeno prólogo, mas parece muito mais preocupado em mostrar a comitiva que esses dois personagens têm que liderar a fim de levar uma suposta bruxa para um monastério afastado, onde ela deverá ser julgada/exorcizada/sacrificada afim de, assim, acabar com a, famosa, Peste (assim mesmo, com letra maiúscula para enfatizar o estrago).

O lado comportado dá as caras justamente, pois Sena e Schut não parecem nem um pouco preocupados com qualquer verdade histórica ou cultural que possa atrapalhar essa viagem. Seus personagens são estereotipados (já que eles não ousariam perder tempo com conversa fiada para aprofundar ninguém), os cenários não parecem saídos do século XIII, mas sim de algum estúdio, as roupas e cabelos são bem cortados e arrumadinhos, assim como tudo mais que dá as caras parece apenas um modo fácil de compor, visualmente, toda aquela ação. “Caça às Bruxas” não é, nem tenta (nem passa perto) de ser um drama de época, é apenas uma aventura e ponto final. E isso acaba sendo seu maior acerto.

Essa sinceridade narrativa permite então que ele se torne um filme, não tremendamente, mas bem divertido. Um que não se escore em nada, nem precise de desculpa nenhuma, para fazer seus personagens ir de um ponto “A” a um ponto “B” com muita aventura, alguns sacrifícios, bons efeitos especiais, uma ponte caindo aos pedaços (onde eles têm que passar, e, logicamente, só conseguem isso momentos antes dela cair), uma pequena dinâmica entre os personagens e até uma pequena surpresa no final.

Para fazer essa divertida besteira funcionar, Sena aposta em conseguir impor um clima místico à sua história (muito graças à presença demoníaca no prólogo) o que lhe permite deixar sua história ir até onde quiser em termos de fantasia (não o faz com exagero, mas não pega muito leve com todos conflitos nesse caminho do grupo e menos ainda com o final) e também em um pequeno suspense que leva seu espectador até o final no filme sem ter certeza da verdadeira natureza na garota enjaulada e acusada de bruxaria.

Obviamente, um elenco comandado por Cage e Pearlman não deixa que se espere muita coisa, ainda que os dois tenham a simpatia necessária para carregar a dupla e sejam “casca grossa” o suficiente para posarem de heróis, o que é mais que necessário para fazer de “Caça às Bruxas” um passatempo bacana, que faz valer à pena o pacote de pipocas e o refrigerante. Principalmente quem entrar no cinema sem muitas esperanças.

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Season of the Witch (EUA, 2010), escrito Bragi F. Shut, dirigido por Dominic Sena, com Nicolas Cage, Ron Pearlman, Stephen Grahan, Claire Foy, Robert Sheehan, Stephen Campbell Moore, Stephen Graham, Ulrich Thomsen e Christopher Lee .

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