Busca Implacável 3 Filme

Busca Implacável 3

Quando você gosta de paçoca, o que se espera dela é o gosto de amendoim e açucar, puro e simples. Ninguém quer morder uma paçoca e descobrir o sabor de, por exemplo, agrião. Quem entrar no cinema Busca Implacável 3 Posterpara ver Busca Implacável 3, vai em busca apenas de sua “paçoca”, mas sai de lá com o gosto amargo do agrião.

Não que se espere muito do filme dirigido mais uma vez por Olivier Megaton e escrito por Luc Besson, as expectativas são baixas, tão baixas que permitiram que a segunda produção, ainda que inventando pouco, acabasse sendo tremendamente divertida. E agora, o que todos queriam era simples, e dar de cara com um arremedo preguiçoso de O Fugitivo decepcionará os fãs da série.

E sim, há fãs da franquia. Aqueles que estão sempre em busca dos protagonistas que atiram primeiro e perguntam depois, desarmam qualquer capanga com um golpe e precisam de um fiapo de roteiro para dizimarem uma centena de vilões. Mas parece que Busca Implacável 3 se cansou disso, deixando de lado agora todos os devaneios que fizeram tanto sucesso dos dois primeiros.

Esqueça o charme de alguma rua estreita da Europa, ou até de sua arquitetura incomum, esse terceiro filme decide ficar ali por Los Angeles mesmo, onde o herói Brian Mills (Liam Neeson) vive seu tão sonhado status quo. De bem com a filha e com a ex-esposa (Maggie Grace e Famke Jenssen), tudo vai por água abaixo quando é acusado da morte da segunda e se torna o alvo principal de um policial inteligente demais para o filme e que anda com um peça de xadrez na mão (Forest Whitaker), o que quer que isso queria significar.

Em algum lugar da trama ainda existe um bandidão na esteira da moda atual, Olega Melankov (Sam Spruel), um russo malucão cheio de tatuagens mafiosas, um sotaque corriqueiro e um corte de cabelo peculiar. Na verdade, em uma reviravolta óbvia e preguiçosa, ele acaba não sendo “o vilão”, mas é ele que Mills vai em busca lá para o final do filme, assim que ele consegue tirar os policiais de sua cola. Se é que você vai estar acordado para ver isso.

Busca Implacável 3 Crítica

Durante tempo demais tudo é apresentado, depois durante um tempo maior ainda, Mills é perseguido como um Richard Kimble sem charme. É lógico que Mills está preparado para fugir e enfrentar qualquer policial de Los Angeles, e é mais óbvio ainda que ele não irá matar nenhum deles. O que sobre é um monte de entendiantes sequencias de perseguições que dão em lugar algum. Em certo momento até um contêiner voa pelos ares como se Michael Bay tivesse tomado controle da direção. Tudo isso enquanto deixa o verdadeiro fã da série de lado.

Pior ainda, no anseio de diversificar a trama e não deixar ninguém “ser sequestrado” (taken), Luc Besson simplesmente deixa o filme impessoal e sem o imediatismo que mais se destacava nos outros filmes. Por mais que a trama se ligue a Mills pela morte da esposa, não só ela não tem relação com ele (sim, ele é “meio pego sem querer”), como é um daqueles momentos em que uma boa conversa resolveria qualquer mal entendido.

Em poucas palavras, depois de fugir e encontrar um lugar a salvo, Mills coloca sua jaqueta de couro com a gola levantada e… bom… demora demais para fazer aquilo que sabe fazer de melhor. Precisa então perder tempo demais para entender uma trama furada que ofende a inteligência do espectador (e se você não entender, não se preocupe, por quê no final eles explicam tudo) ao invés de sair por becos e vielas matando gente mal encarada e que acha que é melhor que Mills. Nunca são, e lá para o final de Busca Implacável 3” o espectador tem esse gostinho (ainda que seja um pastiche do final do primeiro Kick-Ass), mas é tarde demais e o doce da paçoca não consegue apagar todo amargor do agrião que povoou seu paladar até aquele momento.


“Taken 3” (Fra, 2014), escrito por Luc Besson e Robert Mark Kamen, dirigido por Olivier Megaton, com Liam Neeson, Forest Whitaker, Famke Janssen, Maggie Grace, Dougray Scott e Sam Spruell


Trailer – Busca Implacável 3