Bruxa de Blair | Terceiro filme aposta em apresentar o original para as novas gerações

Bruxa de Blair Filme

Em 1999, A Bruxa de Blair tornou-se um marco do horror com seu (então inovador) estilo found footage e através da criação de tensão e medo constantes no espectador, sem precisar recorrer a jump scares e sem sequer mostrar um relance da personagem-título. Agora, este Bruxa de Blair retoma a história anos depois e, mesmo sem chegar perto de alcançar o original, mostra-se uma produção digna do talento desde então demonstrado pelos cineastas.

James (James Allen McDune) cresceu acompanhado pela tragédia do desaparecimento de sua irmã, Heather, na floresta de Burkittsville. Quando uma dupla de webcelebridades diz ter encontrado uma nova fita por lá, James acredita ter visto a irmã no vídeo postado na internet. Então, acompanhado por seus amigos Lisa (Callie Hernandez), Peter (Brandon Scott) e Ashley (Corbin Reid), James parte rumo à floresta para tentar desvendar o mistério de uma vez por todas e, se ela realmente ainda estiver viva, resgatar Heather.

Assim como a obra original, o diretor Adam Wingard e o roteirista Simon Barrett constroem esta produção “a partir das fitas e cartões de memória encontrados” na floresta, ou seja, desde o início sabemos que não haverão sobreviventes. Isso, também já sabemos, não atrapalha nossa expectativa ou envolvimento com a trama, pois a dupla certifica-se de nos manter dentro daquele universo.

Os anos que separam um filme do outro presenciaram um enorme avanço tecnológico e, agora, os aspirantes a cineastas que acompanhamos aqui trocaram a 16mm por câmeras auriculares, tablets e, até mesmo, um drone. É interessante perceber como eles se mostram ainda mais empenhados do que Heather em gravar tudo o que está acontecendo — se a diretora o fazia movida por sua obsessão em documentar, o atual grupo tem isso como parte do cotidiano. As auriculares rendem alguns diálogos montados quase com o tradicional plano/contraplano, mas o drone só é realmente utilizado uma única vez, para nos apresentar à floresta através de um pequeno plano aéreo.

Enquanto isso, o desenho de som transforma os ruídos estilizados da floresta (vento, gravetos se quebrando, passos, sussurros) quase em uma trilha sonora, ajudando a dar ritmo ao filme e a construir a floresta — e o que se esconde nela — como algo ameaçador, imprevisível e mortal. Por outro lado, é perceptível que os realizadores não exigiram tanto deste elenco quanto do trio original e, portanto, as atuações de Bruxa de Blair jamais alcançam a naturalidade do filme de 99. Isso, porém, não significa que elas sejam ruins: os quatro atores centrais estabelecem uma dinâmica confortável e, se Wes Robinson e Valorie Curry surgem um tanto exagerados e irritantes na pele do casal que “encontrou” a nova fita, pelo menos eles não têm muito tempo de tela.

Brixa de Blair Crítica

É inegável que grande parte de Bruxa de Blair é calcada em elementos do primeiro filme: figuras construídas com gravetos que surgem do meio do nada, horas de caminhada que levam o grupo de volta ao ponto inicial, barulhos misteriosos no meio da noite… Entretanto, é interessante perceber como Wingard utiliza essa familiariedade para destacar os pontos nos quais este filme não exatamente se difere, mas avança em relação ao que já sabíamos. Assim, por exemplo, o primeiro acidente da excursão envolve uma ferida, enquanto a fluidez do tempo que faz parte da floresta se revela quando os personagens acordam às 7 da manhã em uma escuridão profunda.

Mas, sem revelar spoilers, esta continuação realmente confirma sua razão de existir em sua sequência final, levando o espectador à máxima tensão com um plano magistral que remete, por sua proposta, a outro também genial acompanhando uma conversa entre Ed Warren e uma garotinha possuída em Invocação do Mal 2.

Bruxa de Blair é uma produção digna de seu antecessor, mesmo que não possua a mesma inovação daquele. Tenso e envolvente, o filme nos dá a oportunidade de retornar a este universo com uma mitologia que parece antiga e complexa e que, portanto, ainda pode render outras continuações interessantes — algo que parecia impossível depois do abominável A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, um desastre que, assim como faz este filme, todos deveriam fingir que não existe.


“Blair Witch” (EUA 2016), escrito por Simon Barret, dirigido por Adam Wingard, com James Allan McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson e Valorie Curry


Trailer – Bruxa de Blair

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