Atividade Paranormal 3

Atividade Paranormal 3 Até alguém vir a público e contar o que realmente aconteceu com Atividade Paranormal 3, a impressão que fica é que entre o segundo trailer e o corte final a dupla de diretores Henry Joost e Ariel Schuman (do documentário Catfish, inédito no Brasil, mas tremendamente interessante) ou decidiram fazer um novo filme ou foram obrigados a isso.

Talvez o roteiro de Christopher B. Landon (responsável também pelo texto do segundo filme) desvendasse esse mistério, ou Gregory Plotkin, montador, conseguisse falar sobre o que chegou em suas mãos, ou até o produtor Akiva Goldsman, com sua mania de estragar filmes, tenha tentado fazer das suas. Muito provavelmente isso tudo nem importe, apenas que, ao invés de um “Atividade Paranormal 3” existem dois, e isso é fato. O interessante disso tudo é que, ainda assim, a versão que chegou aos cinemas funciona. Assim como a do trailer parece fazer o mesmo.

Mesmo que mantenha o esquema geral dos primeiro e do segundo, Atividade Paranormal 3 sai bem na frente de ambos, principalmente por parecer mais à vontade com o assunto, mais maduro com o material em mãos e muito mais a fim de ser um filme de terror, deixando que os sustos dêem espaço a sequências muito mais visuais e, claramente, mais caras (na verdade nem em termos de custos, mas sim no melhor aproveitamento desse dinheiro).

Na história, o espectador é agora convidado a acompanhar a infância das duas irmãs que protagonizaram os dois primeiros filmes e a entender um pouco mais de como tudo aquilo aconteceu.

E as grandes diferenças já começam por aqui, Atividade Paranormal 3 tem mais dinâmica, mais personagens a serem desenvolvidos e não falha ao colocar essas duas meninas em um filme de terror de verdade. Pela primeira vez na série é fácil esquecer todo esse papo de “fitas achadas em algum canto” (ainda que o roteiro, sutilmente, cite isso logo de começo) e se sustente sendo um filme de terror no sentido do gênero.

Isso só acontece graças, tanto à leveza da direção da dupla Joost e Schuman, quanto à quantidade muito maior de efeitos visuais. De um lado, os diretores escolhem esse caminho muito mais previsível até (se comparado aos outros dois filmes em relação ao gênero), não tendo a menor receio de personalizar, dar corpo e objetivos muito mais claros, ao tal demônio, o que entrega ao espectador, pela primeira vez na série, muito mais que meia dúzia de portas batendo.

Não só isso, quando o assunto acaba então sendo os tais sustos, Joost e Schuman ainda ganham o público com um timming e paciência perfeitos, nada de obviedades, o espectador será sempre pego no contrapé da sequência, o que dá uma incrível vida ao resultado final do filme.

Todo esse lado funciona também graças aos aspectos técnicos muito mais presentes, seja com um clássico fantasma de lençol e tudo mais ou em um momento onde a cozinha da casa sofre uma “pequena reforma”. Diferentemente dos outros dois, a grande maioria desses momentos de terror acontecem em planos sem corte, o que dá uma bela ideia do trabalho técnico preciso que a produção teve que ter.

Mas sobre tudo isso, infelizmente, Atividade Paranormal 3 falha nos mesmo pontos que os outros dois, em uma tramaAtividade Paranormal 3 Filme incrivelmente frágil e que não consegue mover todos os personagens de modo limpo e sincero, ignorando furos enormes que vão se criando no decorrer da trama, principalmente nas motivações dos personagens. Talvez o preenchimento dessas lacunas acabasse então acontecendo com as cenas do trailer que parecem terem sido ignoradas, principalmente pois nelas, a mãe acaba ganhando muito mais motivos para seus atos no final do filme, e até a natureza do tal “demônio” ficasse um pouco mais clara e não deixasse que a conclusão toda acabe então tão semelhando ao O Último Exorcismo, já que a ideia geral então acabasse sendo melhor tratada com a presença do suposto “especialista” que dá as caras no trailer. E ainda que tudo isso talvez resultasse em um filme muito maior, muito provavelmente também acabasse por ser uma experiência muito mais emocionante.

Ainda assim, Atividade Paranormal 3, acaba sendo, não só o melhor dos três, como uma Produção que funciona sozinha, fora ou dentro da mítica, que dá uma enorme atenção para o silêncio que precede o susto e, cheio de propriedade, cria um filme que cresce aos olhos do espectador até chegar nesse final insuportavelmente tenso. Um verdadeiro presente tanto para os fãs da série e do gênero, assim como para quem não gostou dos outros ou resolveu ignorá-los.

Confira o trailer do Atividade Paranormal 3. Confira a crítica de Atividade Paranormal 1. Confira a crítica de Atividade Paranormal 2


Paranormal Activity 3 (EUA, 2011), escrito por Christopher B. Landon, dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman com Lauren Bittner, Chritopher Nicholas Smith, Cloe Csengery, Jessica Tyler Brown e Dustin Ingam


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