Atividade Paranormal 2

Se era inevitável que o sucesso Atividade paranormal ganhasse logo uma sequencia, parecia mais óbvio ainda que esse número dois fosse apenas mais um caça-níqueis para a época de Halloween. A boa notícia é que por um lado esse segundo capítulo acerta, por outro é só isso mesmo: um meio de ganhar mais um monte de dinheiro.

Mesmo que, provavelmente, os números de bilheteria nem cheguem aos do primeiro, já que, sem o Hype, quem foi ver o primeiro e não gostou vai passar longe desse, ainda assim Atividade Paranormal merece o benefício de dúvida por, pelo menos, se esforçar para não ser apenas uma repetição do primeiro.

A estética continua a mesma, da família que dá de cara com acontecimentos estranhos e resolve gravar sua ausência A motivação aqui se mostra até diferente, mas, em linhas gerais é apenas uma desculpa voyeur para o espectador se divertir com um ou outro “fantasma”. Dessa vez as câmeras aparecem por segurança após um suposto arrombamento, que resulta em seis delas presas aos cantos da casa e ainda uma outra passeando pelas mãos da família.

Assim como a estética se repete, a estrutura também acaba sendo a mesma, só que com um número maior de ângulos, mas que, por outro lado, acaba tornando o ritmo do filme repetitivo demais, forçado por um esquema “TV de guarita de prédio”, com as imagens pulando de uma câmera para outra por pura conveniência, já que quando a ação começa a ordem é esquecido e tudo se torna uma montagem até corriqueira. Mas, se por um lado, isso faz com que o espectador fique apreensivo com a próxima mudança de câmera e alguma aparição, por outro chateia muito mais, já que, obviamente, a maioria do tempo não acontece muita coisa.

Um esquema que, sem essa obrigatoriedade estrutural, acaba se tornando apenas uma montagem casual, o que muito provavelmente até torne grande parte dessas câmeras descartáveis e demonstre um desleixo na hora de estruturar a ação usando melhor essa ferramenta e o modo como o filme pula através delas. Por alguns breves momentos até acompanha seus personagens com uma “handycam”, mas ai o estrago já está feito, já que na maioria deles o diretor Tod Willians acaba com opções estáticas nas mãos, o que lhe obriga a esquecer um pouco qualquer tipo de sutileza, já que não consegue apontar seu público para um ou outro ponto. Um problema que era contornado no primeiro por obrigar o “visitante noturno” a sempre passar por aquela porta do quarto, ou colocar a ação na cama do casal dormindo.

No entanto, por outro lado, compartilha com seu predecessor de uma falta de coragem em fazer um filme mais compacto e entrelaçado, sendo ambos escravizados por meia dúzia de sustos e dois ou três coisas balançando, tornando tudo óbvio e sem surpresas.

Pelo menos, enquanto vai frustrar muito gente por ter apenas uma cena bacana o suficiente, que dá um passo a mais na mania do demônio de arrastar mulheres pelo chão, vai satisfazer os fãs do primeiro por lutar contra a vontade de ser descartável, doença que atinge a maioria das sequencias de “sucessos baratos” como a do próprio Bruxa de Blair.

Atividade Paranormal 2 liga as duas tramas de modo sincero, bem costurado e até desafiador, que satisfará seu público com algumas boas linhas de explicação que irá compor extremamente bem um quadro geral formado pelos dois filmes (coisa que outros exemplos de franquias de terror, como o A Bruxa de Blair e até Jogos Mortais, penam para conseguir). É fácil conseguir enxergar o primeiro e o segundo como uma unidade, o que só vai dificultar a vida de alguma sequencia depois disso.

O que seria fácil em uma suposta continuação é surpreender esse mesmo público talvez com uma família que realmente encontrasse razões suficientes para continuar na casa depois de desconfiar que ela esteja sendo assombrada (coisa quem nem a de Amityville conseguiu) e ainda por cima, encontrar um demônio menos notívago, atacando a família durante a tarde na piscina. Mas isso talvez seja querer trabalho demais para os roteiristas de Hollywood.

 Confira a crítica de Atividade Paranormal 1 /Confira a crítica de Atividade Paranormal 3 


Paranormal Activity 2 (EUA, 2010) escrito por Michael R. Perry, dirigido por Tod Williams


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