Assassino à Preço Fixo | Remake mantém vontade de empilhar bandidos e mais bandidos mortos

 

Um assassino profissional é sempre uma figura interessante e o cinema nunca perde a chance de levar um deles para as telas mesmo que, para isso, existam dois caminhos: o complicado e o descomplicado. No primeiro, o filme tenta enxergar a profundidade dessa profissão, da culpa do anti-herói relutante, que tem lá seus motivos para estar nessa posição. No segundo (descomplicado), tudo isso pode ser simplesmente jogado na lata do lixo e o protagonista pode preencher esse vácuo com uma pilha de corpos. Assassino à Preço Fixo até finge ser o primeiro, mas logo as balas começam a voar e tudo fica muito mais simples.

Até por que, mesmo esbarrando nesse “momento complicado”, onde o assassino vivido por Jason Statham tem que treinar o filho de seu mentor (vividos por Ben Foster e Donald Sutherland respectivamente) ao mesmo tempo em que é obrigado a carregar o fardo do sentimento de culpa pela morte do amigo. E o roteiro de Richard Wenk e Lewis John Carlino (que é também responsável pelo texto do filme original de 1974) em nenhum momento esconde essa vontade de ser um “bom e velho” filme de ação, e isso eles conseguem fazer.

Não só por não fazer nada de realmente novo (o que seria até um defeito), mas por fazer isso ir de encontro a uma trama simples, que não precisa de reviravoltas (até por que é impossível não prevê-la e esperar pelo troco da dupla de protagonistas), mas sim de um monte de seqüências de ação bem emendadas com uma unidade mínima. Por mais que durante a maioria do tempo o espectador vá ficar ali, convivendo com aqueles dois assassinos treinando para alguns poucos “trabalhos”, só a expectativa do momento em que os dois dão de cara com a verdade e juram sua vingança já segura a atenção do público o suficiente.

E não adianta entrar no cinema esperando algo que não seja isso, pois ai sim Assassino à Preço Fixo pode se tornar uma decepção, até por que, se você não viu o trailer (nem leu a sinopse no folhetinho do cinema), em poucos segundos a direção de Simon West (culpado por aventuras despreocupadas como Con Air – A Rota de Fuga e Lara Croft: Tomb Raider) não vai te deixar ter dúvidas que o que ele quer mesmo é que você se ajeite na poltrona e torça para esse cara mal encarado, que só “executa” bandidos (o primeiro, na Colômbia, é um dos atalhos mais velhos que o cinema já viu, só faltou ele matar um cachorro), escuta música clássica, e pode ser facilmente citado quando se precisar de um exemplo de personagem macho (assim como o filme, que não economiza em tiros, lutas, sangue, algumas explosões, uma morena nua e uma montanha de defuntos).

É lógico que, no papel principal, poucos atores na atualidade teriam a presença de Jason Statham (o original era vivido por Charles Bronson) que, mais do que nunca, parece despreocupado com essa “persona” que vem criando em sua carreira, e isso ajuda a Assassino à Preço Fixo ser mais um momento divertido do ator inglês, que a cada filme se especializa mais na única função de fazer essas produções de ação passarem de modo rápido e indolor para quem for entrar no cinema a procura disso mesmo: um filme sem sobra, sem frescura, sem noção e sem espaço para o tédio.


The Mechanic (EUA, 2011), escrito por Richard Wenk e Lewis John Carlino, dirigido por Simon West, com Jason Statham, Ben Foster, Donald Sutherland e Tony Goldwyn.



2 Comments

  1. Caro Angello, isso que você leu em momento algum era uma resenha, mas sim uma crítica… muito obrigado, não faço resenha, faço crítica.

  2. por mais que um filme de ação seja previsível, quando eu procuro uma resenha eu espero não ter de ler sobre o desenrolar da trama, muito menos o final. Nota zero para sua crítica.

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